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SONGLIST com Ivan Parente

Conhecido dos palcos, da música, do cinema e da TV, o artista abre sua playlist

Ele é conhecido por transitar em diversas áreas artísticas. Já interpretou grandes papeis no teatro, sendo nele premiado, soltou a voz em shows com bandas e apresentações solo, e também no cinema, em importantes dublagens da Disney, e mais recentemente conheceu o universo da televisão em sua primeira novela. Movido pela arte desde pequeno, Ivan Parente se mostra plural há mais de 20 anos e coleciona grandes momentos em sua carreira, dialogando sempre com todas as idades.

Para os fãs de teatro musical, talvez o Sr. Thénardier seja o personagem de maior força e referência, o artista interpretou em 2017 o figurão do clássico de Victor Hugo, ‘Les Misérables’, na segunda montagem brasileira do espetáculo, e saiu vitorioso dos mais importantes prêmios do gênero, na categoria ‘Ato Coadjuvante’, por essa atuação. O papel se junta a outros marcantes como O Homem da Poltrona, de ‘A Madrinha Embrigada’ e o Padre de ‘O Homem de La Mancha’, ou até mesmo de clássicos infantis como O Homem de Lata, de ‘O Mágico de Oz’ e Capitão Gancho de ‘Peter Pan’ em produções produzidas e dirigidas pelo italiano Billy Bond.

Ainda nos palcos tem passagem por musicais como ‘Godspell – Circo da Paixão’, ‘Alô, Dolly!’, ‘Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos’, ‘Os 10 Mandamentos’, e o mais recente, ‘Silvio Santos Vem Aí’, onde dava vida ao jurado caricato Pedro de Lara, antes de ter a temporada, estreada em março, interrompida em função da pandemia da Covid-19.

Para os amantes de cinema, de animações ou do universo Disney, a voz de Ivan pode ser reconhecida em superproduções de live-actions como ‘A Bela e a Fera’, onde flertou com o charme do sotaque francês para dublar Lumière, e também em ‘O Rei Leão’, dando voz, vida e muito humor ao suricato Timão, eternizando o hit ‘Hakuna Matata’ para uma nova geração. A voz de Ivan também marca os fãs do grupo ‘O Teatro Mágico’, liderado por Fernando Anitelli, com quem o artista se apresenta, hoje ocasionalmente, há 15 anos, participando de faixas famosas como ‘Nosso Pequeno Castelo’ e ‘A Pedra Mais Alta’.

Atualmente, o artista está no ar com a novela infantil ‘As Aventuras de Poliana’, exibida pelo SBT, onde há dois anos interpreta o divertido inspetor Lindomar, que, assim como Ivan, não esconde sua paixão pela música. O bedel se lançou cantor em uma fase em que Ivan considerou disponibilizar nas plataformas digitais seu primeiro CD solo, ‘Isto Não é Uma Declaração de Amor’, lançado há 10 anos. Influenciado pelo momento de isolamento social, o artista liberou suas composições de autoria própria ou em parceria, remasterizando as 12 faixas. O isolamento também levou Ivan a aceitar o convite dos autores do espetáculo que homenageia Silvio Santos, Emilio Boechat e Marilia Toledo, e do amigo Velson D’ Souza, para integrar o elenco da série digital ‘Home Office’, disponível no YouTube e Instagram e que já teve seu primeiro episódio liberado.

Ivan Parente é o convidado da semana no ‘Songlist’ e revela 15 músicas especiais que costuram um pouco dos seus momentos, inspirando, divertindo, emocionando, e sem deixar de fora a história por trás da história. Bom play!

Ivan Parente compartilha sua playlist com leitores

 

01)  TAKES MY BREATH AWAY – TUCK & PATTI
Sabe aqueles momentos em que você quer escrever um cartão com palavras incríveis para a pessoa que você ama e não vem nada à cabeça. Eu sempre coloco essa música pra me inspirar. Ela nos descreve um amor tão puro, incondicional, carinhoso, poético que literalmente nos tira o ar e nos faz entrar numa dimensão paralela e conseguir enxergar aquilo que estamos sentindo, sem a intromissão do mundo exterior. Um amor que é capaz de nos tirar o ar é uma benção nesses tempos em que amores eletrônicos, superficiais e fugazes estão tão na moda. É estranho dizer que eu gosto do amor “à moda antiga”, porque eu acho que o amor não sai de moda nunca. Ouçam e se inspirem.

02) DRIVING – EVERYTHING BUT THE GIRL
A música é pop perfeita. Nos primeiros acordes de “Driving” você entra em uma outra dimensão. Eu furei esse LP. Juro. Tive que comprar outro de tanto ouvir. A música parece uma homenagem a “I Drove all Night” do Roy Orbinson mais melancólica e com um toque de saudosismo. Não importa o horário ou o motivo do chamado, Tracey Thorn sai dirigindo o mais rápido que pode pra ficar ao lado do seu grande amor. Também vivi um grande amor nessa época que me renderam algumas boas composições. Lembro que aprendi a fazer segunda voz ouvindo esse disco e conheci uma das minhas bandas preferidas.

03) INSPIRATION – SECTION 25
Quem me apresentou essa música foi Jacqueline Vasques e ela tem aproximadamente 9 minutos. Uma das poucas músicas que me hipnotiza. A batida dessa música vai te transportando para um lugar onde só você pode acessar. Um esconderijo. Onde você pode chorar, gritar, dar risada e ser você mesmo sem julgamento. Consegue tomar aquelas decisões difíceis dentro de um lugar seguro. Acho que eu comecei a meditar ouvindo essa música. Juro. O ritmo, a letra, a voz do vocalista e a melodia me ajuda muito. São quase nove minutos imerso nesse paraíso seguro pra depois enfrentar a vida real. Juro, vale cada minuto.

04) COME HOME (WITH ME BABY) – DEAD OR ALIVE
É uma das poucas músicas remixadas que é 300 vezes melhor que a original. Ela tem tudo o que um bom baladeiro gosta numa música: ritmo dançante, um vocalista com voz potente, um refrão colante e uma letra deliciosa de cantar. Esse remix tocava inteiro nas baladas da minha época. Não queríamos que a música acabasse. Ela tem um monte de nuances e batidas incríveis pra fazer muitas coreografias. Vale conferir.

05) ADVICE FOR THE YOUNG AT HEART – TEARS FOR FEARS
Conheci essa canção quando saiu a trilha sonora de “Gente Fina Internacional” em 1990. A quinta faixa me tirou o fôlego: “Advice for the Young at Heart” foi divisor de águas musicalmente pra mim que nunca tinha sido fã de Beatles, tive que fazer meu “homework”, porque é um disco em homenagem à uma época específica da carreira deles. “Advice” é um conselho ao coração jovem pra se ligar e ir viver a sua vida em toda sua beleza. Grita em nossos ouvidos pra que a gente não esconda o que sentimos. Me sinto refeito toda vez que a ouço. Me sinto aconselhado e vou seguindo dizendo tudo o que sente esse coração aqui.

06) GET LUCKY – DAFT PUNK
Essa música faz parte de um disco que é quase impossível ouvir uma música só. “Random Access Memories” é uma homenagem ao pai da Discotheque “Giorgio Moroder”, e sim, nos promove, literalmente, uma experiencia de acesso à memórias aleatórias. Parece que já ouvimos a batida, mas ela é fresca e massageia nosso cérebro, nos dando a sensação de estar nos melhores anos de nossas vidas. Ele é nostálgico e ao mesmo tempo moderno. A letra repete que alguém ficou acordado a noite inteira e teve sorte. Sorte tivemos nós quando o Daft Punk resolveu fazer esse disco. Não canso. Ouço “Get Lucky” no último volume. Se tá rolando a música no meio de uma conversa, a conversa fica pra depois. E eu me sinto com sorte. Sempre. Dá certo. É a minha música da sorte. Sempre que eu quero que algo legal aconteça eu toco ela.

07) FREEDOM 90′ – GEORGE MICHAEL
Eu sempre quis cantar como o George Michael e sinto que ele foi e sempre será a minha maior referência. Quando lançou “Freedom 90′ na MTV, mexeu com a libido de todos colocando modelos masculinos e femininos mais tops da época. Queimou todos os seus “signos” do disco anterior e decretou “Liberdade”. Confesso, me libertei também e parei de seguir regras abusivas e retrógradas que não me ajudavam a encontrar o meu verdadeiro eu. Profundo né? As músicas pra dançar conseguiam ser um bom jeito de falar sobre coisas importantes em momentos que estávamos mais relaxados. Coloque alto, ouça alto e cante a letra alta. Ouça o que você está dizendo. Depois me conta.

08)  CRUCIFIED – ARMY OF LOVERS
Eu amava assistir um programa na MTV que chamava-se TOP 10 Europa, e foi num desses programas, no início dos anos 90 que eu conheci os extravagantes “Army of Lovers” e seu estilo dance heavy metal. Eles entraram pelas minha veias e martelaram sua música em minha alma. As músicas são muito pop e as letras muito inteligentes.   Acho que o que me chamou mais a atenção foi o vídeo clip que mostrava seus integrantes em roupas medievais em situações hilárias. Eles se ‘trolam’ o tempo todo e não tem medo do ridículo. Eles não poupam nem a religião. Achei inteligente e até hoje acompanho as produções paralelas da banda. Quem gostar do estilo pode me perguntar que eu indico o resto.

09) LIKE A PRAYER – MADONNA
Houve um impacto  no lançamento da música “Like a Prayer” e também um impacto visual por conta do vídeo “proibido” nos horários nobres das televisões. Tudo que queríamos era transgredir e conseguir assistir o vídeo. Nos sentíamos pobres mortais ao ouvir os primeiros acordes da canção. Uma música Gospell Rock Pop que continha em seu vídeo, signos religiosos e sexuais.Tudo junto. Não dormíamos até o santo chorar sangue. Naquele ano se iniciou a Turné “Blond Ambition” que se tornou referência e modelo pra se fazer show no mundo. Foi o disco que me trouxe Madonna pra sempre perto. A ousadia em trazer a tona assuntos relacionados à religião, de me fazer agradecer, rezar para tudo que me dá prazer, e ainda sentir alegria por isso, apareceu junto com essa música. Lembro atá hoje do cheiro de Patchouli que o LP exalava.

10) PROMISES – CALVIN HARRIS (featuring SAM SMITH)
Não consigo dizer como e porque, mas cada vez que a voz de Sam Smith diz: “Are You Drunk enough?” eu fecho os olhos e penso naquelas festas legais que a gente nunca quer ir embora. A mágica fica no ar. É como se você não quisesse que a música termine nunca. Dentro de você a batida se mistura com a batida do seu coração. Essa sensação se repete cada vez que a canção toca. Eu sempre respondo ao Sam: “Yes, I am!”. Hahahahahah, eu vi sem querer o show dele no Lollapalooza do ano passado e dancei como se estivesse bêbado e que aquele fosse o dia mais feliz da minha vida. Confesso que a noite foi incrível.

11) POR TODA A MINHA VIDA – ELIS REGINA
Eu descobri essa música no filme Hable con ella, do Amodovar. A música tinha 28 anos naquela época, e eu 30. É uma descoberta daquelas que a gente não esquece jamais. Que nem quando você encontra uma foto que achava que estava perdida e de repente ela está lá na sua mão, brilhante e muda. Silenciei. Enquanto eu escutava a voz de Elis, como se ouvisse uma reza, eu chorava. Chorei tudo alí pra todo mundo ver. Sem medo. sempre que a ouço eu fico que nem aquela foto: brilhante, porque meu rosto se inunda de lágrimas e mudo, porque quando Elis canta, a gente silencia.

12) THE GREAT GIG IN THE SKY – PINK FLOYD
Quem me conhece sabe o quanto eu me emociono fácil ouvindo música, mas essa com certeza conversa com a minha alma. Três backing vocals do Pink Floyd cantam, choram, argumentam, gritam numa conversa de inúmeros começos, meios e fins. A conversa é tão intensa e tão passional, que não nos dá outra opção, senão calar e ouvir. O nosso silêncio faz com que participemos da conversa. E cada vez que essa conversa se inicia, eu aprendo novas possibilidades de entender o outro e principalmente, enteder a mim mesmo. Vale a pena entrar nessa conversa. Um dos discos mais lindos do Pink Floyd. Há quem diga que ele foi composto para acompanhar a historia da pequena Dorohty de O Mágico de Oz. Procurem sobre isso. Você vai se surpreender.

13) TRISTESSE – MILTON NASCIMENTO (Participação Maria Rita)
Música do disco “Pietá” de 2005. Uma música que entra por nossos poros e por nossa alma, devasta tudo e depois recria. Tem uma saudade encrustada na canção. Sabe aqueles amores que são impossíveis de se esquecer, por mais que a gente coloque terra em cima? Essa é a música. Primeira grande gravação de Maria Rita. Quando ouvi a primeira vez, achei que fosse uma música perdida de Elis Regina e que tinha sido lançada como relíquia. Chorei por 2 horas ininterruptamente. Lavou e ainda lava sempre que a ouço.

14) THE PROMISE – WHEN IN ROME
Tenho uma lembrança de quando eu ouvi essa música pela primeira vez e me arrepiei inteiro. Foi na “Over Night” com meus amigos queridos do colégio: Jacque, Graziela e Luis Fernando. A letra parecia que tinha sido escrita pra gente. Aqueles amigos que podem estar distantes, mas sempre podem contar uns com os outros. Aqueles amigos que, as vezes, nos dizem verdades duras, mas que podem nos salvar. Lembro que dançamos abraçados e isso se repetiu algumas vezes e por muito tempo. A gente não se vê muito e se fala menos do que eu gostaria, mas eu entendo que a correria de nossas vidas contribuem pra isso. Quem sabe ainda nos abracemos e cantemos bem alto essa canção.

15) FLORES EM VOCÊ – IRA!
Eu não tenho ideia de quantas vezes ouvi esse disco. Ele simplesmente é a trilha sonora da minha adolescência. Confesso que sempre colocava o LP do começo pra eu ir me preparando, porque eu sabia que teria uma catarse de choro na faixa 5. “Flores em Você” é como a gente enxerga, metaforicamente, o amor da nossa vida. Aquele sorriso de boca inteira ao ver o ser amado. Sinto que essa música retrata o momento exato em que o ser amado vira a esquina ao seu encontro. Você cruza o olhar com esse ser de luz e o mundo fica melhor. Não importa o quanto o mundo tenha sido mal com você, ainda assim, depois de tudo, encontrar com o ser amado te faz soltar aquele suspiro de alívio. Em pensamento, e em silêncio, você fecha os olhos e diz: “Vejo flores em você”. Pronto!

OUÇA AGORA A PLAYLIST!

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