
O Theatro Municipal de São Paulo recebe nos dias 19 e 20 de dezembro o concerto cênico “Missa” (Mass), de Leonard Bernstein, obra emblemática do compositor que cruza música sinfônica, teatro, jazz e rock em uma estrutura híbrida e profundamente dramatúrgica. Com ingressos esgotados para ambas as apresentações, a montagem marca a estreia do premiado ator e cantor Beto Sargentelli no palco do Municipal, ao lado de um dos maiores nomes brasileiros da cena lírica internacional, Paulo Szot, vencedor do Tony Award e presença constante em superproduções da Broadway e nos principais teatros de ópera do mundo.
Com a Orquestra Sinfônica Municipal sob a regência de Roberto Minczuk e direção cênica de João Malatian, a produção reúne corpos artísticos do Municipal e coloca Szot no centro da narrativa como o Celebrante, figura que conduz os conflitos espirituais e humanos propostos por Bernstein. O encontro ganha relevo especial ao aproximar trajetórias que transitam com naturalidade entre a ópera e o teatro musical — território no qual ambos construíram carreiras reconhecidas.
Para o público de musicais, a escolha da obra estabelece uma ponte direta com “West Side Story”, título mais popular de Bernstein e marco definitivo da Broadway. No Brasil, essa conexão é também biográfica: Sargentelli, que é barítono, viveu Tony na segunda montagem brasileira da obra, em 2022, experiência que ajuda a contextualizar sua presença agora em “Missa”, obra que exige do intérprete não apenas excelência vocal, mas também densidade dramática e presença cênica. O diálogo se reforça ainda pelo anúncio recente da Aventura, que confirmou o retorno de “West Side Story” aos palcos em 2026, recolocando Bernstein no centro do calendário do teatro musical nacional.
O elenco de “Missa” inclui ainda a atriz e cantora Tati Christine, nome também conhecido do público de musicais por trabalhos como “Querido Evan Hansen”, “A Cor Púrpura” e “Chatô e os Diários Associados – 100 Anos de Paixão”, no time de contraltos. Sua presença reafirma o caráter transversal da montagem, que reúne artistas com forte vivência cênica em uma obra que dissolve fronteiras entre concerto, ópera e musical.
Criada em 1971 para a inauguração do Kennedy Center, “Missa” permanece atual ao articular fé, crise, comunidade e questionamento — temas que Bernstein traduz em uma linguagem musical plural e profundamente teatral. No palco do Municipal, a obra ganha nova leitura ao reunir intérpretes que simbolizam justamente essa travessia entre mundos, fazendo da estreia de Beto Sargentelli um marco simbólico dentro de uma temporada que reforça o diálogo entre a ópera e o teatro musical no Brasil.



