Musical de Chico Buarque e Ruy Guerra censurado pela ditadura retorna à cena carioca

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Betty Faria fazia parte do elenco original de “Calabar”, que estrearia no Teatro João Caetano em 1973

A noite de 8 de novembro de 1973 guardava uma grande estreia no universo dos musicais brasileiros: “Calabar – O elogio à Traição”, criado por Ruy Guerra e Chico Buarque. O espetáculo era tão esperado que já contava com ingressos vendidos para pelo menos cinco apresentações, mas não chegou nem a abrir as cortinas. Na mesma noite, a Ditadura  desferia mais um golpe contra a cultura brasileira, impedindo que o musical iniciasse suas apresentações após dois meses de ensaios. Segundo o general de brigada Antônio Bandeira, então Diretor-Geral da Polícia Federal “a peça distorcia a história brasileira da luta contra o domínio holandês no país e fazia apologia à traição”. Chegou-se até a comentar que Calabar era financiado por comunistas de Moscou.

O musical ficou interditado por sete anos. Mas agora, por conta da celebração do 40 anos da produção, o espetáculo volta à cena no mesmo teatro onde foi impedido de estrear: o João Caetano, na Praça Tiradentes, Rio de Janeiro. A direção está a cargo do mesmo Ruy Guerra que escreveu o musical em parceria com Chico, em sua casa na Lagoa. A  saga de Domingos Fernandes Calabar, o senhor de engenho que se aliou aos holandeses durante a invasão ao Brasil tem estreia marcada novembro deste ano, mês em que o musical completa 40 anos.

O elenco original contava com 48 atores que narravam a história de Calabar, apenas mencionado por personagens históricos como Maurício de Nassau, Mathias de Albuquerque, Felipe Camarão e Ana de Amsterdã, vivida por Betty Faria.  Entre os nomes confirmados para a produção em andamento está a atriz Letícia Sabatella, no papel de Bárbara, interpretada originalmente por Tetê Medina.

As canções foram gravados no mesmo ano de 1973 em um LP chamado “Chico canta Calabar”, que foi vetado pela Censura, com a justificativa de que as iniciais CCC poderiam fazer menção “Comando de Caça aos Comunistas”. O álbum passou a ser chamado “Chico canta”  e algumas músicas do espetáculo, como “Vence na vida quem diz sim” tiveram suas letras alteradas ou retiradas do disco.

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Capa original do LP de “Calabar”, censurada pela Ditadura, antes de o álbum ter seu nome mudado para “Chico Canta”

Após os sete anos que Calabar ficou censurado, o musical ganhou outras montagens. A primeira foi em 1980, no Teatro São Pedro em São Paulo. No ano de 2008, o espetáculo voltou ao Rio de Janeiro, em uma adaptação dirigida por Ruy Faria, apresentada no Teatro Popular, em Niterói, sob o título de “Calabar – Uma ópera popular”. A produção que estreia em novembro será a primeira em que Ruy Guerra se debruçará novamente sobre a obra.

Abaixo ouça na íntegra o disco “Chico canta” com a trilha do musical

Com informações do jornal O Globo

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