Cássia Raquel celebra estreia do Cirque du Soleil no Brasil: “Não existe melhor plateia que a nossa”
Atriz, que construiu carreira nos musicais brasileiros antes de integrar a companhia canadense, retorna ao país após quase cinco anos viajando o mundo com o espetáculo.

Depois de quase cinco anos viajando o mundo como integrante do elenco do “Alegría”, do Cirque du Soleil, Cássia Raquel finalmente vai viver um momento que aguardava desde que entrou para a companhia, em 2021: apresentar o espetáculo no Brasil. A partir de 20 de agosto, a artista estará em cena sob a Grande Tenda (Big Top), instalada no Parque Villa-Lobos, em São Paulo, dividindo com o público brasileiro o trabalho que vem emocionando plateias ao redor do mundo. “Quanto mais eu viajo o mundo, mais eu valorizo o meu próprio país”, afirma, em entrevista exclusiva ao B!. “Não existe melhor plateia que a nossa: calorosa, interessada e fiel. Perdi as contas de quantas mensagens recebi de caravanas organizadas para ver o espetáculo. Eu não poderia estar mais feliz.”
Antes de integrar uma das maiores companhias de entretenimento do mundo, Cássia construiu uma carreira sólida nos musicais brasileiros, passando por montagens como Hair, Les Misérables, O Homem de La Mancha e Milton Nascimento – Nada Será Como Antes. Para ela, toda essa bagagem foi determinante para enfrentar a rotina intensa do Cirque du Soleil, onde os artistas precisam manter alto desempenho em dezenas de apresentações, lidar com imprevistos e estar preparados para assumir diferentes responsabilidades em cena. “No Brasil eu fazia mais de um espetáculo por temporada, dava aulas e conciliava outros trabalhos. Também fui stand-in de protagonistas, então aprendi a estar sempre pronta para resolver qualquer situação. No Cirque tudo pode acontecer. Essa vivência me tornou uma artista mais concentrada e criativa.”
Curiosamente, a entrada na companhia começou por um caminho diferente. Cássia participou de uma audição para “Michael Jackson ONE”, em Las Vegas, não conquistou a vaga, mas permaneceu no banco de talentos do Cirque. Algum tempo depois, passou a receber convites para novos processos seletivos, entre eles o de “Alegría”, realizado de forma totalmente on-line durante a pandemia. Quando recebeu a resposta definitiva, quase deixou a oportunidade escapar. “Eu achei que fosse spam”, relembra, aos risos. “A produtora tentou falar comigo por várias redes sociais. Justamente naquela semana, por algum motivo, eu não tinha visto nenhuma delas. Quando percebi que era real, foi um susto enorme. Foi um misto de emoções.”
Integrante do elenco artístico de 54 artistas de 18 países, Cássia representa o Brasil na nova montagem de “Alegría”. No espetáculo, ela interpreta a Singer in Black, personagem responsável por conduzir alguns dos momentos musicais mais marcantes da produção. Segundo a atriz, a releitura ampliou a importância da personagem e lhe deu espaço para desenvolver uma interpretação bastante própria. “A voz parece que foi escrita para mim. Se minha parceira tem uma delicadeza quase angelical, eu trago mais textura e intensidade. Costumo dizer que coloco um pouco da bruxa Morgana com bastante axé brasileiro. Nós somos praticamente a Elphaba e a Glinda do circo”, brinca, ao comparar a dupla às icônicas personagens de Wicked.

Acostumada a dividir o palco com artistas de diferentes nacionalidades, Cássia conta que a convivência multicultural é um aprendizado constante e faz parte da essência do Cirque du Soleil. Ao mesmo tempo, acredita que a música consegue criar uma conexão universal entre o espetáculo e o público, independentemente do país. “É um desafio diário, porque não muda apenas o idioma. O que é engraçado para uma cultura pode não fazer sentido para outra. Mas também é muito bonito ter um pedacinho de cada continente reunido no mesmo lugar. No fim, todo mundo sai emocionado. Isso é unânime.”
Com a estreia brasileira de “Alegría” se aproximando, Cássia Raquel espera viver um reencontro especial com o público brasileiro. Para quem ainda não conhece o espetáculo, ela garante que a experiência vai muito além do circo tradicional. “Existe uma história, e cada efeito tem um propósito dentro dela. A música sustenta toda essa narrativa. É uma experiência muito imersiva. Ver os artistas voando sobre nossas cabeças é algo mágico”, afirma. “Apresentar esse trabalho em casa está sendo muito especial. Encontro brasileiros em muitos lugares do mundo, mas agora será o nosso povo reunido. É outra energia. Estou contando as horas para começar.”
Realizado pela IMM, “Alegría”retorna ao Brasil em uma nova releitura de um dos espetáculos mais icônicos do Cirque du Soleil. Depois de conquistar mais de 14 milhões de espectadores em 255 cidades ao redor do mundo e estabelecer uma relação especial com o público brasileiro em sua passagem pelo país entre 2006 e 2007, o clássico preserva suas melodias inesquecíveis e seu universo visual característico, ao mesmo tempo em que apresenta uma narrativa renovada, novos números acrobáticos e uma estética contemporânea. A temporada acontece de 20 de agosto a 8 de novembro, na Grande Tenda (Big Top) do Parque Villa-Lobos, em São Paulo, seguindo depois para Curitiba, de 19 de novembro a 13 de dezembro. Os ingressos estão à venda nas bilheterias oficiais de cada cidade e pelo site da Eventim.




