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Leo Wagner fala sobre carreira no México: “Nunca imaginei que faria musical fora do Brasil”

Ator relembra sua trajetória, fala de trabalhos no exterior e conta quais são os planos para o futuro

O ator Leo Wagner começou a estudar piano clássico aos 9 anos, canto popular aos 14, ballet aos 16 e com 17 já começou a dar aula em uma escola de música. Mesmo imerso em todas as vertentes do teatro musical, esse gênero teatral só entrou na vida do artista em 2005, quando aconteceu a primeira montagem no Brasil do espetáculo “O Fantasma da Ópera”.

“Uma amiga que estava no elenco do musical me disse que eu deveria fazer teste para o musical da Broadway ‘Sweet Charity’, com a Claudia Raia. Ela sabia que eu já dava aulas de canto, fazia parte de uma companhia de teatro e estava me formando em ballet clássico, mandei meu material pela primeira vez para uma audição, cheguei até a final, mas não passei”, conta Leo Wagner em entrevista exclusiva ao B!.

Confira o cover exclusivo de Let it Go, do musical “Frozen”, que o ator Leo Wagner gravou para o B!:

O primeiro trabalho do ator em um musical só aconteceu dois anos mais tarde. “Só descobri que essa, definitivamente, seria minha carreira, foi quando fiz meu primeiro musical, o ‘My Fair Lady’, em 2007, com Jorge Takla. Foi a segunda audição da minha vida.  Eu comecei a estudar piano muito cedo, também fazia teatro e ballet, mas não imaginava que seria possível fazer as três coisas sem necessariamente ter que escolher só uma delas”, comenta o ator.

Após o “My Fair Lady”, Leo Wagner não parou mais e foi emendando um trabalho atrás do outro. O currículo do artista está cheio de grandes espetáculos, como “West Side Story”, “A Noviça Rebelde”, “Cats”, “Evita”, “Cabaret”, “Priscilla, A Rainha do Deserto”, “Elis, A Musical”, “Kiss Me Kate”, “Wicked” e “Les Misérables”, no qual viveu o cover de Jean Valjean e de Javert.

Leo Wagner
Leo Wagner como Jean Valjean no musical “Les Misérables”

Foi nesse clássico do West End de Londres que Leo Wagner chamou atenção de profissionais estrangeiros.  “Os produtores do México me assistiram no papel de Valjean no Brasil e nesse mesmo dia me convidaram para estrelar o musical no México”, falou o ator. Vale lembrar que a segunda montagem de “Les Misérables” no Brasil, em 2017, teve o espanhol Daniel Diges como o titular de Jean Valjean.

Carreira internacional em ascensão

A ida para o exterior só reafirmou para o artista que “fazer teatro musical em qualquer lugar do mundo exige muita preparação e muita disciplina”. Com determinação, Leo Wagner conseguiu se destacar no México e sua carreira no exterior não para de crescer. “Antes de ir para o México, nunca imaginei que faria musical fora do Brasil. Hoje, além de continuar trabalhando lá, tenho, sim, vontade de trabalhar em outros países”, revela.

Nesse tempo em que esteve no México, ele fez parte do elenco de conhecidos espetáculos. “Além de ‘Les Misérables’, em que alternava o papel de Jean Valjean, estive em ‘Jesus Cristo Superstar’, onde era cover de Jesus e Judas, era uma super produção. Atualmente, até a pandemia começar, eu estava em cartaz com o musical ‘Chicago’, versão original da Broadway, no qual tive o prazer de ser dirigido pela brasileira responsável pela direção das montagens no mundo, Tânia Nardini”, fala o artista.

Leo Wagner
Antes da pandemia, Leo estava em cartaz com “Chicago”

Sobre o atual momento que o mundo vem enfrentando, Leo Wagner pontua que o futuro dos artistas ainda é incerto, já que a classe está sendo uma das mais afetadas com a pandemia do novo coronavírus. “Não sabemos como vai ser quando retornarmos e nem quando isso vai acontecer. O importante é não abandonarmos nossa arte. Eu sigo tentando manter minhas aulas de ballet, sigo dando aulas online e estudando. Estou aproveitando esse momento para reler os meus livros de teatro.”

Mesmo trabalhando fora do Brasil, o artista está inteirado da luta e das reivindicações feitas pela classe artística. “O atual governo demonstra a cada dia que não só é contra a cultura, como também tem feito de tudo para dificultar ao máximo o exercício da mesma. Mas nós resistiremos, a cultura sempre resiste e seguirá resistindo”, conclui Leo Wagner.

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William Amorim

Jornalista com trabalho acadêmico de pesquisa sobre a história do Teatro Musical no Brasil, repórter de entretenimento/cultura no Portal iG, jurado do Prêmio DID e colunista do A Broadway É Aqui!

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