Saiba como foi a construção do musical A Lenda do Sabiá, que recebeu a “benção” de Ariano Suassuna

Levar aos palcos um musical com conteúdo 100% nacional pode ser um desafio para os produtores. Não que o brasileiro não esteja habituado a ver suas referências no palco e há musicais que defendem com louvor a brasilidade em cena. Mas o desafio é sempre claro para os que se aventuram em produções de teatro musical levando a brasilidade à frente.  Esse é o caso do espetáculo “A Lenda do Sabiá“, da Cia. Os Aborígenes do Teatro, em cartaz no Rio de Janeiro e que traz para a cena o repertório do cordel. O texto recebeu a benção do próprio Ariano Suassuna, que revisou a obra do musical antes de ele ser levado aos palcos.

Foi uma história fantástica. Por uma série de coincidências acabei chegando até o Ariano e tendo a oportunidade de mostrar o texto a ele. Ele se interessou pela história, talvez por sua preocupação com o Brasil que ele tanto edificou e defendeu. Ariano leu o texto e fez uma observação: a necessidade de se criar proximidade com o público. A partir daí transformei as rubricas, que eram enormes, no personagem do Cantador. O encontro com Ariano foi um dos motivos que me fez persistir e acreditar nesse projeto. Espero que tenhamos vida longa!“, explica André Arteche, autor da obra e também atuante no musical.

Além de André, estão no elenco Ari Guimas, Eder Martins de Souza, Francisco Salgado, Gustavo Ottoni, Pedro Maia, Ricardo Lopes, Rose Lima e Valéria Alencar contando a história de Sábia, sanfoneiro perseguido por um crime que não cometeu e que sai em fuga disfarçado de ave. A trilha sonora do espetáculo é original e vai de encontro a obras de nomes como Luiz Gonzaga. Mas as referências não param por ai. Além do já mencionado cordel, o espetáculo flerta com outros gêneros teatrais como a commedia dell’arte.

Sinto que falta um pouco de pureza não só ao teatro como ao mundo. Como ‘A Lenda do Sabiá’ foi meu primeiro texto e direção, achei que deveria começar com isso. Trazendo esses personagens que não são ingênuos, são múltiplos e flutuantes em suas personalidades, mas ao mesmo tempo trazem consigo uma certa máscara que está um pouco manchada. A Commedia Dell’arte traz um pouco dessa magia e desse universo barroco que me parece ser bonito de ser resgatado.

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Além das referências, os próprios atores colaboraram para o aprimoramento da obra. O texto levou aproximadamente cinco anos para ficar pronto, mas mesmo durante os ensaios o elenco trouxe sugestões que somariam para a finalização do musical, tornando a obra coletiva, fruto de um processo colaborativo iniciado com a contribuição de Suassuna. “Chegou um momento em que os próprios atores já traziam rimas para o texto“, conta André.

O musical encerra nesta semana sua segunda temporada, no Teatro Serrador, após sua estreia no Sesc Tijuca, em junho.

Serviço

Onde: Teatro Serrador –  Rua Sen. Dantas, 13 – Centro, Rio de Janeiro – RJ, 20031-202

Quando: Quintas, sextas e sábados, sempre às 19:30.

Quanto: R$ 40,00

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