Vem ai “Mais Uma de Amor”, um musical com sucessos da Banda Blitz

Por Grazy Pisacane

Com estreia prevista para o segundo semestre de 2014, em Curitiba, vem aí “Mais Uma de Amor”, um musical nacional, totalmente original, e que também pegou carona na onda das trilhas sonoras que homenageiam um artista ou banda. Depois dos clássicos de Milton Nascimento (Nada Será Como Antes), Rita Lee (Se Eu Fosse Você), e Chico Buarque (Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos e O Grande Circo Místico) ganharem os palcos, agora é a vez do astral da Banda Blitz contagiar as plateias.

Fugindo do perfil biográfico, estilo “Tim Maia – Vale Tudo”, “Elis, A Musical”, “Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz” e “Rita Lee Mora ao Lado”, o espetáculo tem como título uma clássica canção conhecida por “Geme Geme”, mas engana-se quem espera ver em cena a história dos descolados Evandro Mesquita, Fernanda Abreu e sua turma.

Mais Uma de Amor1

A trama, recriada com o texto, e que se passa em 1983, apresenta um paralelo entre oito jovens personagens, com personalidades diferentes, mas movidos pelo menos desejo revolucionário da época das “Diretas Já”, onde os últimos anos do período da ditadura acabam por decidir o destino de cada um.

Em entrevista exclusiva ao “B!”, a jovem idealizadora do projeto, Giovana Rodrigues, também roteirista e diretora de produção, contou como surgiu a ideia de criar algo baseado nas canções da Banda Blitz, desde o processo de ter a ideia, passar para o papel, e colocá-la em prática.

Giovana Rodrigues – Foto: Arquivo Pessoal (rede social)

 “Eu escrevi o texto em agosto do ano passado, quando a onda de manifestações pelo país começou, eu me vi obrigada a estudar mais uma vez uma das passagens mais marcantes na história do país, que é a ditadura. Alguns fatores pessoais influenciaram pela busca de referências da época, até que eu cheguei à ascensão da Blitz, que coincidiu bem na época do final da ditadura e tudo mais que já sabemos. Mas, como vinha estudando o universo do teatro musical há um bom tempo, ainda mais por pesquisa de outro texto inédito que será lançado para o ano que vem, pensei em justamente relembrar o público das dificuldades dessa época e sem perder a diversão, e aí entra a escolha da ‘Blitz’. Digamos que foi uma reunião de fatores na época em que eu escrevi, e nada melhor do que escrever inspirada, não é?

Eu comecei pela estimativa de tempo que levaríamos para montar tudo com calma, e também, nada aconteceria se não fosse apresentado à banda ‘Blitz’ e sem a, o que chamamos de, “benção” deles. Com o ok dado, comecei a reunir orçamentos e tudo se tornou cada vez maior e mais real, conforme as pessoas se dispunham a participar e ajudar. Mas a primeira pergunta que foi feita pela equipe, na época reduzida, foi “é viável ou não”? E chegamos a conclusão de que sim. Sendo assim, reunimos o pessoal.”.

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Evandro Mesquita em bate papo com elenco e equipe – Foto: Arquivo Pessoal (divulgação)

Quando perguntada sobre a “benção” dada pela Banda Blitz, e o envolvimento dos integrantes no projeto, ela esclarece:

“No momento, o único envolvimento do Evandro e da banda é com a empolgação deles, que nos contagia. Quando terminei toda aquela primeira estrutura de “o que fazer, como fazer e com quem fazer”, fiz questão de comunicar a banda que essa homenagem ia nascer. Com grandes nomes por aí como Tim Maia, Elis, Cazuza e agora Rita Lee, nada mais que merecido homenagear uma das bandas que fez parte dessa inovação da música nacional e, também do teatro, já que trouxeram muito da cena para os shows… E a banda sempre muito acessível para nós. Tivemos um bate-papo sobre a composição das músicas, toda história por trás daquelas letras… Foi muito mais fácil começar o projeto com essa conversa”. 

Banda Blitz em bate papo com elenco e equipe - Foto: Arquivo Pessoal (divulgação)

Banda Blitz em bate papo com elenco e equipe – Foto: Arquivo Pessoal (divulgação)

Diferentemente de outras produções de teatro musical, Giovana optou por não realizar um processo de audições para a escolha do elenco, como forma de evitar apontamentos e questionamentos, e indo por um caminho de muita observação, pesquisa e também de indicações, que ela explica:

“Quando eu escrevi o texto, eu já tinha a vontade de vê-lo pronto. Não conseguia conter a ansiedade. Mas é complicado para um grupo novo se arriscar a chamar uma audição, mesmo que tenhamos profissionais com mais de 20 anos de experiência compondo a ficha técnica, alguns de nós ainda somos muito “jovens” no mercado teatral. Evitando, é claro, o famoso “quem são eles para X”, comecei a pesquisar atores, assistia tudo que estava em cartaz, tinha tabelas e mais tabelas de nomes. Também alguns já tinham trabalhado comigo e acabaram topando o desafio de lançar uma coisa nova e de cara nova. Algumas indicações também, a grande maioria deles de pesquisa em trabalhos… E assim se deu o nascimento do elenco que conta com 8 atores e 12 bailarinos, ainda em fase de experimentação”. 

Banda Blitz - Primeira formação (Foto: Divulgação)

Banda Blitz – Primeira formação (Foto: Divulgação)

Com 34 anos de carreira e 12 discos lançados, a banda que tem dezenas de canções conhecidas, estourou em 1982, com “Você Não Soube Me Amar”, seguido de sucessos como “Eu Só Ando a Mil, “A Dois Passos Do Paraíso”, “Betty Frígida”, e “O Beijo da Mulher Aranha”. E sobre a escolha da trilha, ela conta:

“Eu me policiei muito para não fugir dos nossos princípios básicos para textos de musicais que são: sem a intervenção musical, a cena não pode ser compreendida, e o fato das canções traduzirem o acúmulo de sentimentos que se passa nas personagens naquele determinado momento. Foram longas noites de pesquisa ouvindo uma música milhares de vezes. A ‘Blitz’ tem muito a dizer em cada uma e reverter isso para que parecesse composto para o texto que eu estava criando, foi um desafio, até que eu cheguei às 11 músicas que ligaram de vez o enredo. Claro que o maior desafio foi criar um perfil de personagem existente nas músicas da ‘Blitz’ e que não fugisse da proposta textual, mas tudo acabou se encaixando e com o trabalho dos atores nos ensaios, tudo fica mais sólido a cada dia”. 

Seguindo uma linha que vai além do “cantar junto”, a história mescla romance, bom humor e política, e o enredo, que traz uma proposta diferente, promete mexer com a cabeça da plateia.

“O enredo engana um pouco. Ele começa com um tipo de linguagem que o público pode até estranhar, mas a partir da metade, as coisas vão ficando claras e com o tempo chegamos ao impasse da figura ditatorial, que acaba influenciando no destino de todos, até dos que não pareciam afetados por isso. É uma releitura bem fotonovela do que estamos sujeitos. Sempre vai haver um impasse e sempre teremos que achar uma forma de dar a volta por ele. Mas, como sabemos, isso pode dar ou não certo… E tudo isso apresentado com uma estética anos 80. Buscamos até uma aparência meio HQ, já denunciada no material de divulgação que vai se mostrando aos poucos”.

Com estreia anteriormente prevista para julho, o musical, ainda sem data exata para abrir as cortinas, deve chegar ao palco de Curitiba no segundo semestre, já tendo em seus planos a ideia de sair em turnê pelo país.

“A estreia teve que ser adiada e não sai mais para julho, infelizmente, mas nesse meio tempo, conseguimos arquitetar muito mais a logística das viagens. Queremos circular pelo país, distribuir a nossa cultura de fato, mas isso é claro, depende da demanda. Temos as cidades da primeira temporada prontas, e no momento, pensamos em quais cidades a segunda temporada vai atingir”. 

Mais Uma de Amor

► Fique ligado no “A Broadway é Aqui!” para saber mais novidades sobre “Mais Uma de Amor – O Musical”.

Fica Técnica:

Direção: George Sada
Preparação de Elenco: Éri Bührer

Elenco: Anderson Otto, Bruna Capraro, Johnny Leal, Karen Giraldi, Lucas Buzato, Mayara Nassar, Rodrigo Caddah,  e Vitor Dias.

Direção Musical: Junior Pereira
Preparação Vocal: Cynthia Rocha

Músicos: Clodoaldo Paiva, Enzo Veiga, Franco Gevaerd e Piter Callegaro.

Direção Coreográfica: Hany Lissa

Bailarinos: Jéssica Kimy, Jofrancis, Luan de Rosa e Souza, Luana First, Matheus Gonzáles, Monique Benoski, Sharon Morgenstern e Thaísa Baby.

Direção de Produção: Giovana Rodrigues
Assistente de produção: Carol Martins,
Caracterização: Thaísa Baby e Luiz Lopes, caracterização.
Cenografia: Paulo Vinícius
Iluminação: Lucri Reggiani
Sonoplastia: Cleber Hidalgo
Fotografia: Ana Luísa Bussular
Estúdio Leite Quente, programação visual e ilustrações: Karen Giraldi 

 

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