O esforço recompensado de Hugo Bonemer

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O que começou como um brincadeira de criança, hoje é coisa de adulto e o trabalho de Hugo Bonemer. Quando pequeno, o ator costumava ajudar nas produções da academia de dança de sua mãe dublando ou narrando parte da história contada pela apresentação do grupo, participação essa, que começou a despertar o interesse de Hugo pelo teatro como carreira. Em uma entrevista exclusiva ao “A Broadway é Aqui!“, o ator, prestes a estrear “Rock in Rio – O musical” em São Paulo”, conta um pouco da sua trajetória no teatro musical.

Após o término do ensino médio no Brasil, Hugo fez um intercâmbio na Alemanha, cursando uma escola local onde optou por complementar seus estudos escolhendo um curriculum de perfil artístico.  Na instituição, teve aulas voltadas paras quem deseja trabalhar com Comunicação e outras formas de arte, como escultura, dança e teatro. Após retornar desse intercâmbio, recebeu a oportunidade de cursar a faculdade de Comércio Exterior, fazendo seu estágio em uma empresa alemã, fabricante de impressoras industriais no Brasil, chamada Heidelberg.

Em paralelo ao trabalho e a faculdade, Hugo começou sua busca pela formação no teatro. Durante 4 anos o trabalho na Heidelberg pagaram as minhas contas. Nesse meio período, eu fiz a escola de atores do Wolf Maya, fiz outros cursos e comecei a trabalhar com o teatro como sub em peças em cartaz. Um desses trabalhos foi a peça “Rumo a Cardiff”, que atraiu a atenção da TV Cultura para uma gravação. Eu cheguei a fazer a loucura de sair da empresa em São Paulo, ir até Santos para gravar a peça e depois descobrir que todas as minhas cenas haviam sido cortadas. Isso na frente de toda a minha família, relembra Hugo aos risos.

Mas as dificuldades da carreira não impediram que o ator continuasse a buscar novas oportunidades. Ainda em São Paulo, Hugo entrou para o Grupo Tapa, focado no desenvolvimento de atores a partir de estudos e pesquisas teatrais. A participação no Tapa durante dois anos expandiu a rede de contatos do ator, gerando indicações para testes em muitos lugares, e foi aí que surgiu a primeira oportunidade de Hugo para trabalhar em um musical, o espetáculo “Bark – um latido musical”, dirigido por José Possi Neto. “Eu tinha cantado em cenas que nós fazíamos no Grupo Tapa e o Brian Penido, um dos diretores do Tapa, viu que eu conseguia dar conta do recado, me indicando para fazer o teste no ‘Bark’. Os musicais foram um acidente de percurso na minha carreira. Foi o lugar que melhor me recebeu até hoje, conta o ator.

Escolhas difíceis

Durante quatro anos, Hugo tentou conciliar a carreira de ator com o trabalho na empresa. Em algumas ocasiões chegou a levar um notebook para os ensaios de teatro, para que dessa forma pudesse acompanhar tudo o que se passava no estágio, e mesmo com as dificuldades de tempo, ainda conseguia produzir bons resultados. Mas como nem tudo são flores, algumas vezes Hugo não pôde comparecer ao trabalho, gerando assim atrito com sua chefia, e ao final, o jovem acabou decidindo mesmo se dedicar ao teatro. Nesse período eu vivi praticamente na corda bamba, dosando o teatro, a faculdade e o estágio. Meu trabalho estava impecável, mas eu não estava passando o ponto. Eu e meu chefe conversamos, tentamos chegar a um acordo, mas infelizmente após dois meses eu fui demitido, comenta Hugo.

Após a saída do emprego, ele se dedicou ao musical Bark, em que atuou como substituto durante dois meses. Ao todo, Hugo fez apenas três participações no espetáculo e relembra que a vida de um sub não era fácil, especialmente nesse espetáculo. “No ‘Rock in Rio – O musical’,por exemplo, os substitutos podem participar da peça em papeis menores, mas neste eu não pude, tinha que permanecer na plateia aguardando, e se algo acontecesse que não permitisse a atuação dos atores, aí sim eu faria a substituição. Não tem nada pior do que ficar na vontade de fazer alguma coisa, estar tão perto, e não poder”, afirma.

Fonte: Arquivo pessoal de Hugo Bonemer
Fonte: Arquivo pessoal de Hugo Bonemer

Uma nova oportunidade em “Hair”

Com o encerramento de “Bark”, o ator se viu em um dilema até comum para a boa parte das pessoas que trabalham com teatro: o desemprego. Foi quando encontrou na internet um informe sobre as audições para a nova montagem de “Hair” no Brasil, dirigida por Claudio Botelho e Charles Möeller, que estreou em 2010 no Rio de Janeiro. Um dos fatos mais interessantes desse musical, segundo Hugo, era o fato de que a proposta dos diretores era justamente lançar novos atores, caras novas no teatro.

“Eu estava na hora certa, no lugar certo. Eu fui lá para entrar na peça, mas não imaginava que faria o papel do protagonista em Hair. Quando eu vi no contrato, havia uma cláusula que impunha aos atores a questão da cena de nudez do espetáculo, eu assinei sem pensar duas vezes e depois fiquei imaginando minha família vendo a cena. Acabei dando sorte de ser o único ator que não precisava tirar a roupa”, relembra o ator, em meio aos risos.

Igor Rickli, Carol Puntel e Hugo Bonemer, em Hair.

Durante o processo de audição para o musical, o ator recebeu de Charles Möeller o desafio de estudar uma das canções do Claude. Sem pestanejar, Hugo estudou todas as músicas do personagem e voltou para uma segunda apresentação, porque a primeira não contou com a presença de Claudio Botelho. Confortado por Charles, o ator se apresentou novamente e conseguiu o papel.Há diretores que não querem mais nada de você, apenas que faça o seu trabalho. Existem outros que desejam ensinar algo para os atores. E há também aqueles que querem deixar uma marca impressa na sua carreira. O Charles Möeller é um desses, ele é  tipo do cara que levanta a sua bola, diz Hugo sobre a oportunidade de trabalhar com um dos principais responsáveis pela renovação do teatro musical no Brasil.

Novas amizades, novos trabalhos

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“Hair” foi um espetáculo que permitiu a Hugo desenvolver contatos e amizades queridas até hoje pelo ator. Ele relembra com carinho da relação que tinha com Sérgio Dalcin (em cartaz em Milton Nascimento – Nada Será Como Antes e no filme “Somos tão jovens, de Antonio Carlos de Fontoura).

Existe um clichê de que um protagonista e um sub não se entendem. Isso é mentira, eu me diverti muito com o Sérgio no camarim. Eu me recordo que ele costumava pegar as botas do meu figurino e escondia embaixo da mesa no camarim dele, brincando que chegaria a hora dele e chegou com certeza. O mesmo eu posso dizer do Bruno Narchi, meu substituto em ‘Rock in Rio – O musical’.

Em meio as temporadas de Hair no Rio de Janeiro e São Paulo, Hugo embarcou em um novo trabalho, a série “Preamar”, exibida pelo canal de TV por assinatura HBO, que segundo ele, era exibido em um formato de TV, mas gravado como em ritmo de cinema. Hugo deu vida a Fred, o antagonista do roteiro, que conta a história de um executivo falido do Rio de Janeiro e que descobre como lucrar com vendas nas praias da capital carioca.  Agora, o ator se prepara para estrear um novo trabalho na TV, como personagem integrante do novo elenco de “Malhação”, folhetim vespertino da emissora Rede Globo.

A preparação para “Rock in Rio – O musical”

Hugo soube do processo seletivo para o elenco de “Rock in Rio – O musical” no  meio do ano de 2012, e em uma premiação de teatro no Rio de Janeiro teve a oportunidade de conhecer o diretor João Fonseca, responsável por coordenar o projeto. Na cara de pau eu fui parabenizá-lo e perguntei a ele o que eu precisava para trabalhar nessa nova produção. Ele me disse: ‘Eu gosto do seu trabalho como ator. Você canta ok, mas eu preciso de alguém que cante muito nessa peça. Se eu puder te dizer o que você precisa, vá fazer aulas de canto’. – A partir daí eu comecei a me preparar para o espetáculo, fiz aulas de canto com a Anna Toledo e com o Ronnie Kneblewski, buscando ‘rasgar a minha voz’, típico dos cantores de rock. Cheguei a fazer quatro aulas de canto por semana. E fui aumentando gradativamente, simulando sete apresentações por semana, conta.

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Elenco de Rock in Rio – O musical

Nos intervalos entre uma produção e outra, Hugo sempre procurou fazer teste para novos trabalhos. De acordo com o ator, quem escolhe essa profissão deve pensar que nunca estará livre de ser testado, são “ossos do ofício”. Todos os trabalhos que conseguiu até hoje foram frutos do esforço, testes e audições. Outra recomendação de Hugo é nunca ficar parado e aproveitar o término de um produção para estudar, fazer cursos, investir na carreira, ao invés de esperar as oportunidades aparecerem.Cada um faz um caminho. Não adianta a gente fazer planos nessa profissão, porque é pedir para se frustrar. E também sonhar menos, procurar uma aula sobre o assunto que interesse para se sentir capaz. Não tem nada melhor do que fazer um teste se sentido capaz de cumprir o que pedem a você, finaliza.

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Autor: Cláudio Martins

Editor do A Broadway é Aqui! - MTB - 0039321/RJ

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