“Alô, Dolly”! Do interior de Nova York para a capital de São Paulo

Mais um clássico da Broadway desembarca em São Paulo. Depois de uma temporada de dois meses no Rio de Janeiro, Miguel Falabella e Marília Pêra sobem ao palco do Teatro Bradesco. Eles que atualmente contracenam na semanal série de televisão “Pé na Cova”, nunca tinham atuado juntos em um espetáculo, e o desejo do acontecimento era mútuo, o que fez com que a escolha não pudesse ter sido melhor, já que a sintonia entre os dois fica clara durante as apresentações.

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Foto: Divulgação

O espetáculo tem sua história baseada na peça “The Matchmarker – A Casamenteira” e conta com o texto de Michael Stweart e letras e canções de Jerry Herman. Originalmente conhecido por “Hello, Dolly!”, ele estreou na Broadway em 1964 e já recebeu três montagens diferentes, além das diversas versões pelo mundo, o que inclui também o Brasil, em 1966, no teatro carioca João Caetano, e com Bibi Ferreira e Paulo Fortes protagonizando mais de 300 apresentações. O espetáculo que foi ganhador de 10 Prêmios Tony, incluindo o de Melhor Musical, ainda ganhou sua versão no cinema em 1969, estrelada por Barbra Streisand, e apesar das críticas negativas e do fracasso financeiro, o filme foi indicado a sete categorias no Oscar.

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Foto: Divulgação

Miguel, que assistiu ao espetáculo há 46 anos, realiza o sonho de remontá-lo, e além de atuar, assume a responsabilidade como diretor-geral do espetáculo. Ele será Horácio Vandergelder, homem grosseiro e caipira, comerciante de Yonkers, no Estado de Nova York, que contrata a famosa viúva casamenteira, Dolly Levi, brilhantemente vivida por Marília Pêra, para lhe arranjar uma esposa na capital, papel que vem a ser de Alessandra Verney, que faz a pretendente Irene Molloy. A história se passa em 1980 e naturalmente, como é de praxe, existe uma reviravolta e os planos passam por uma série de contratempos, consequência da mudança de planos de Dolly, que opta por deixar a ajuda de lado e se arriscar na conquista pelo bom partido interiorano que a fará rica. A veia cômica dos dois atores acaba saltando no texto, que já tem sua pitada de graça, o que facilitou fazendo com que não houvesse a necessidade de adaptar as piadas antigas aos tempos de hoje, e garantindo assim, boas risadas e excelentes críticas, que arriscam dizer por ai, que está é a melhor versão de musicais da carreira de Falabella.

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Foto: Divulgação

Durante a coletiva de imprensa do espetáculo, que aconteceu essa tarde, no próprio teatro, foi possível saber algumas novidades, como a confirmação de que a peça viajará para outras cidades, incluindo no roteiro Porto Alegre e Paulínia, além de um retorno ao Rio. E se mostrando bastante envolvido no mundo do teatro musical, Miguel, que tem se mostrado um grande empreendedor do gênero, comentou sobre as dificuldades que existem em encontrar quem financie e patrocine a ideia e sobre isso, comenta: “Nós vivemos em um país em que tudo é difícil, um país que não é feito para dar certo e que joga contra os seus cidadãos o tempo inteiro”… Porém adiantou que pretende trazer mais duas montagens internacionais de sucesso ao país, Annie e The Drowsy Chaperone, e também um musical em homenagem à cidade de São Paulo, “Memórias de um Gigolô”, tudo que sem dúvida alguma, anima os aficionados por esse “mundo” em constante evolução.

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Miguel Falabella e Marília Pêra em coletiva hoje (Foto: O Fuxico)

No palco de “Alô, Dolly”, uma equipe de 29 nomes em cena, sendo 10 atores (Miguel Falabella, Marília Pêra, Alessandra verney, Frederico Reuter, Ubiracy Brasil, Ester Elias, Brenda Nadler, Ricardo Pêra, Patricia Bueno e Thiafo Machado), um ensemble formado por 14 atores trás nomes bastante conhecidos de outras montagens, como Karin Hils, Ivan Parente e Carla Vasquez, além de 5 bailarinos coreografados por Fernanda Chamma. A parte musical é de Carlos Bauzys, que assina a direção musical e vocal e assume uma orquestra de 16 músicos sob sua regência. A produção que tem a iluminação de Paulo Cesar Medeiros valoriza ainda mais o cenário considerado elegante, e que tem três diferentes níveis, onde no último piso há um vitral, detalhes que causam um efeito cênico admirável. Quem assina os desenho e a execução são os artistas Renato Theobaldo e Roberto Rolnik, os figurinos levam a assinatura do estilista Fause Haten, que já colaborou em outros musicais como “O Mágico de Oz” e sua mais recente parceira com o Maurício de Souza, para o espetáculo da Turma da Mônica, “Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta”, com estreia prevista para abril, em São Paulo.

O espetáculo estreia neste sábado, 02, no Teatro Bradesco, localizado no Shopping Bourbon, com uma temporada um pouco mais curta como os paulistas estão acostumados a ter, mas garantindo ingressos bastante concorridos.

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Autor: Grazy Pisacane

Jornalista Cultural, Assessora de Imprensa de Teatro Musical e Empresária.

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