As luzes do colorido deserto de Priscilla

Hoje tem estreia no A Broadway é Aqui! Damos as boas-vindas à Grazy Pisacane, que se juntou ao nosso time e conta para nós tudo sobre este espetáculo que está arrebatando as plateias de São Paulo

Plumas, paetês, cores e brilhos! Não se pode esperar menos que isso do clássico filme de 1994, “Priscilla, Rainha do Deserto”, que saiu das telas em 2006 para desvendar o mundo do teatro musical em Sydney, na Austrália. Em 2011, foi a vez da Broadway ceder seu palco e depois de um ano em cartaz, o ônibus das três drag queens mais coloridas estacionou no Teatro Bradesco, em São Paulo, com a promessa de deixar os pés do público inquietos com vontade de dançar até a peça acabar.

A história conhecida por sua famosa trilha sonora dançante, já dá sinais de que será impactante logo na bilheteria do teatro, onde um belo sapato scarpin em tamanho gigante, feito com milhares de micro espelhos, se torna um cenário convidativo para uma foto, antes ou depois da apresentação. O encantamento é o mesmo ao entrar. Uma música que agita os ânimos e um globo de discoteca suspenso no teto girando sem parar – iluminado por canhões de luz por todos os lados –, dão início a festa nos instantes que antecedem a apresentação. 

O mais interessante é que esse globo que proporciona um efeito visual fantástico se perde quando as cortinas se abrem e aquele “arco Iris” invade os olhos. São 28 atores no palco, a maioria homens, muito bem maquiados, em cima do salto alto e que não descuidam da peruca nem por um segundo. 500 figurinos cheios de pompa, feitos com criatividade e usados com elegância, 23 toneladas de cenários e por fim, porém com maior destaque, a tão esperada Priscilla. Pesando 8 toneladas, o ônibus vai do lixo ao luxo ao passar por uma transformação feita por 30 mil pontos de LED que se acendem na lataria. Presente no palco durante todo o musical, a “barbie de rodas”, como a drag Felícia chama, custou R$ 2,6 milhões e merece tamanho destaque.

O elenco também é impecável. Saulo Vasconcelos, conhecido como o grande nome do teatro musical brasileiro por interpretar brilhantemente grandes personagens, tem seu destaque, mas surpreende por não ter o papel principal dessa vez. Saulo é Bob, o mecânico que surge para ajudar as 3 damas quando Priscilla quebra no deserto, e é com elas que ele segue até o final. Ele surge depois de mais de 40 minutos de peça e a essa altura, André Torquato, a quem destaco como a maior revelação, já cuidou de conquistar todos os olhares admirados e aplausos incansáveis, além de compartilhar todos os queixos caídos com seus parceiros de cena, Ruben Gabira e Leonardo Wagner (que quando assisti interpretava Tick/Mitzi), sem deixar de destacar a divertidíssima “mestre de cerimônia” Miss Segura, interpretada por Rodrigo Luna. Essas cinco vozes, cheias de surpresa no timbre a cada releitura musical, se misturam com as apresentações das “Divas”, o trio feminino que intercala nos atos, passa basicamente a maior parte do tempo suspenso no ar e faz uso de figurinos divertidos e criativos. A atriz global Simone Gutierrez, conhecida por sua “Tracy Turnblad” no musical “Hairspray”, é uma delas e arrasa mais uma vez. 

Por conta da história envolvente que prende do começo ao fim, a plateia acaba se esquecendo de levantar para os aplausos finais, a atenção é tanta, que isso só acontece quando surge a primeira “reverência” em agradecimento. Os 150 minutos de duração passam voando e você só descobre que é hora de ir para casa quando as cortinas se fecham e as luzes se acendem. A peça que deixa esse “gostinho de quero mais”, fica devendo somente para os amantes de souvenir, que não podem contar com um programa de luxo à altura de cada detalhe. Um musical gostoso, com texto leve e desenrolado, que retrata com bom humor questões que não saem de moda ao mesmo tempo em que garante boas risadas. Para quem assiste, é quase como ir a um “karaokê”, pois suas canções são cantaroladas do começo ao fim… Literalmente é um espetáculo visual que surpreende. “Priscilla, Rainha do Deserto” reestreou nessa última quinta, 15, e fica em cartaz até 09/12/2012 com 6 sessões por semana. 

Se eu fosse você embarcava correndo nesse ônibus, nesse deserto não dá pra se sentir sozinho nem por um segundo…

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