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Filme “Dear Evan Hansen” emociona e reforça talento de Ben Platt

Adaptação cinematográfica do musical da Broadway conta com novas músicas e levanta discussão sobre saúde mental

Querido leitor, hoje é um dia incrível, e eu vou dizer por quê: a versão cinematográfica do musical “Dear Evan Hansen” finalmente chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (11). Inspirado no premiado musical da Broadway, o filme marca o retorno de Ben Platt ao personagem que rendeu ao ator um Tony Awards. Mais denso que o musical, o longa dirigido por Stephen Chbosky deixa as cenas cômicas – muito presentes no primeiro ato do espetáculo – um pouco de lado e aposta nos conflitos do protagonista que se sente invisível. Demi Lovato já declarou que “Dear Evan Hansen” é seu musical favorito e a montagem no espetáculo em Londres contou com Príncipe William e Kate Middleton na plateia. A obra é, de fato, um sucesso, mas muita gente ainda se pergunta o que essa história tem de tão especial?

O musical não se trata apenas de um menino que se sente excluído na escola, ele aborda questões relacionadas à saúde mental e evidencia que muitas pessoas se sentem sozinhas e não conseguem expressar isso – nem mesmo dento de casa. Fora que um dos pontos de partida da trama é quando Connor Murphy, personagem de Colton Ryan, comete suicídio, sendo esse outro delicado tema discutido no musical. Na trama, Evan precisa completar uma carta para ele mesmo a pedido do seu terapeuta que começa assim: “Querido Evan Hansen, hoje vai ser um dia incrível, e eu vou dizer por quê…”. O problema é que, ao terminar essa carta, ela cai nas mãos no Connor e é encontrada com o jovem após ele tirar a própria vida. Com está direcionada a Evan, a mãe de Connor, Cynthia Murphy (Amy Adams), acredita que foi seu filho quem a carta escreveu para seu “melhor amigo”. Evan, que tem dificuldade de se expressar, acaba sustentando a mentira de que tinha uma grande amizade com Connor.

Formatos diferentes

Ben Platt, que atualmente está com 28 anos, recebeu críticas por ser considerado “velho” para o papel, e seu visual, um pouco diferente do musical, também gerou alguns comentários negativos, mas tudo isso se torna pequeno diante da entrega do ator em cena – tornando fácil entender por que uma das exigências da adaptação era mantê-lo como protagonista. Caso já tenha assistido ao musical da Broadway, não vá esperando assistir ao filme algo idêntico ou querendo se emocionar da mesma forma. Comparar uma peça a um filme é tanto quanto injusto, pois são formatos completamente diferentes. Mesmo que o filme fosse extremamente fiel ao espetáculo, o teatro é ao vivo, os atores cantam ao vivo, há uma orquestra tocando ao vivo e há uma troca direta com o público que torna cada apresentação única. À sua maneira, o filme também consegue emocionar, basta se deixar levar.

Além da diferença de formato, houve, sim, algumas adaptações na história, músicas cortadas e outras inéditas foram acrescentadas. Anybody Have a Map?, por exemplo, não está no filme, e grande hit do musical, Waving Through a Window, foi realocada na trama. Disappear, To Break In e Glove e Good For You também foram cortadas e as novidades são The Anonymous Ones, cantada pela personagem Alana (Amandla Stenberg) e A Little Closer, música feita para Connor. Também vale ressaltar que, diferente do livro inspirado no musical, o filme não dá detalhes do que levou Connor a cometer suicídio, seguindo a mesma linha do espetáculo da Broadway. O filme contará com uma versão dublada, inclusive com músicas em português.

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William Amorim

Jornalista com trabalho acadêmico de pesquisa sobre a história do Teatro Musical no Brasil, repórter de Entretenimento/Cultura na Jovem Pan, com passagens pelo Portal iG e pela Editora Globo, jurado do Prêmio DID e colunista do A Broadway É Aqui!

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