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Autoral “Bom Dia Sem Companhia” mostra a capacidade de reinvenção de Vitor Rocha

Espetáculo autoral marca encontro de gerações distintas e mergulho do autor em obras fora do contexto folclórico

Continuar a surpreender o público não é uma tarefa fácil, mesmo para jovens talentos. Emplacando um sucesso atrás do outro, o jovem ator e dramaturgo Vitor Rocha se viu em meio a mais um desafio criativo ao longo de 2020 até a estreia de seu novo projeto, “Bom Dia Sem Companhia”, em cartaz no Teatro Viradalata, em São Paulo, e que se encerra no dia 2 de novembro após uma concorrida temporada, já com retorno confirmado para 2022.

Inspirado no universo dos programas infantis dos anos 1980 e 1990, Vitor, acompanhado de um time criativo que traz no currículo diversas experiências distintas trazem a tona uma fábula adulta sobre os relacionamentos humanos, desta vez sem os típicos recortes folclóricos característicos de sua obra, mergulhando no universo da mídia de massa para apresentar ao público as causas do rompimento de uma amizade.

Soma-se a esse desafio um elemento a mais que desafiou todo o mercado criativo nos últimos quase dois anos: a pandemia da Covid-19, que levou tanto criativos quanto artistas a repensarem o papel da dramaturgia em um contexto de hibridismo do teatro. “Foram meses da primeira reunião até o espetáculo de fato poder ser encenado, sem antes passar uma versão ‘streaming’. E a gente agradece por ter tido esse tempo de pesquisar, debater, de ter havido tempo para passar por uma provocação artística”, explica Vitor Rocha como, de certa forma, a pandemia colaborou para a formatação final do espetáculo.

Vitor não esteve sozinho no projeto e contou com um time criativo que trabalhou em uníssono para levar ao público uma mensagem clara, respeitando a dinâmica do momento em que vivemos. Ao seu lado, tanto no palco como na produção está a Luiza Porto. Os dois constroem uma dicotomia a partir de um cliché da mídia televisiva: dois amigos, Vini e Lara, ambos ex-apresentadores mirins de uma atração infantil, revivem um “comeback” do programa 10 anos após o término do mesmo.

“Houve muitos desafios para nos adaptarmos às duas linguagens, em coisas simples, como por exemplo as trocas de figurino. O velcro, algo muito usado para dar agilidade no teatro e facilitar as mudas de vestuários comprometiam a execução na versão filmada tamanha a sensibilidade dos microfones. A mesma coisa podemos dizer da luz, dos enquadramentos. No entanto, o audiovisual trouxe uma camada nova para o espetáculo quando levamos ele para presencial no começo de outubro, algo que só pode ser visto por quem estiver no teatro”, comenta Luiza sobre os desafios de pensar a produção do musical para uma nova realidade.

Choque de ideias e respeito mútuo permitiu salto qualitativo na versão final do musical

O encontro entre os protagonistas da obra provoca emoções distintas em ambos, de memórias afetivas à frustrações que servem como alegoria para contar a saga dos próprios artistas neste meio. Tudo com referências visuais e sonoras, embaladas por canções com letras de Vitor e e composições de seu parceiro musical de longa data, Elton Towersey, que trouxe para o projeto os elementos nostálgicos que resgatam a memória do brasileiro ao relembrar as atrações que os entretinham pela TV durante a infância.

“Todo os envolvidos quiseram colaborar no projeto e nessa situação seria fácil os criativos colidirem entre as suas propostas. O que nos ajudou muito foi ter um foco grande em contar a história de Vini e Lara da melhor forma possível e o respeito pelas habilidades de cada um. As coisas foram consistentemente se complementando”, relembra Elton ao relatar como foi o longo processo criativo do espetáculo, realizado muitas vezes à distância por conta da necessidade de isolamento social.

O comentário de Elton é corroborado pelo diretor do musical, Alonso Barros, premiado profissional que a mera menção do nome traz a memória uma série de espetáculos nacionais e estrangeiros que o criativo dirigiu ou assinou a direção de movimento e coreografias, entre eles “Barnum – O Rei do Show”, “Peter Pan – O Musical da Broadway”, “Cabaret”, “The Last Five Years”, “Chacrinha – O Musical”, “Pippin”, entre muitos outros que levam o selo de qualidade de Alonso. Se a pandemia permitiu “Bom Dia Sem Companhia” ser lapidado de maneira consistente, esse movimento foi fundamental para amadurecimento não só dos artistas envolvidos no processo, como do próprio texto, matéria-prima do espetáculo.

Serviço: Bom Dia Sem Companhia

Onde: Viradalata Espaço Capital – Rua Apinajés, 1387, São Paulo – São Paulo

Quando: De 02 de outubro a 02 de novembro. sábados, às 20h e domingos às 19h.

Quanto: A partir de R$ 30,00

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Cláudio Martins

Jornalista formado pela FACHA (RJ) e fundador do A Broadway é Aqui!

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