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Após viver Simba em montagem brasileira e espanhola, Tiago Barbosa finaliza ciclo com ‘O Rei Leão’

Considerado por produtores americanos como 'a Lenda do Simba, de O Rei Leão', ator realizou centenas de apresentações e se prepara para desbravar novos sonhos.

Foto de capa: Adasat Barroso

Pode ser difícil imaginar que exista um final para aquele famoso ciclo que Rafiki, figura emblemática de ‘O Rei Leão’, tanto fala em uma das mais famosas canções da Disney, mas para Tiago Barbosa, que conhece bem a savana através dos palcos desde 2013, quando conquistou o papel principal na montagem brasileira do musical, antes de aceitar reviver o personagem em Madri, onde vive atualmente, todo ciclo têm mesmo seu fim.

Embora, ao se despedir, tenha ouvido do produtor teatral Thomas Schumacher, presidente da Disney Theatrical Group, que “um rei nunca se despede do seu reino”, o artista encerra hoje o seu ciclo com a produção, considerada ‘o marco da Broadway’, guiando sua dor e emoção pela fé e o amor, como dizem os versos de ‘Ciclo sem Fim’, e já vislumbrando os bons ventos que sopram a seu favor em um futuro próximo.

Foram quase oito anos desfrutando da experiência de interpretar o icônico personagem que mudou sua vida da noite para o dia, o levou de mala e cuia para São Paulo, depois para a Europa, e o realizou de inúmeras formas. Mais do que vestir um figurino e uma cabeça felina, Tiago vestia sua alma de sonhos a cada apresentação, e encontrava forças para enfrentar os desafios que surgiam pela frente, rugindo para a vida como um verdadeiro leão – vida essa que foi transformada desde o momento em que ele decidiu sair de sua cidade, São João de Meriti, no Rio de Janeiro, só com o dinheiro da passagem, e sem nem imaginar quão longe poderia chegar.

O B!, que acompanhou de perto toda essa trajetória, apresentando em primeira mão o perfil do protagonista, não poderia ficar de fora dessa despedida; Conversamos com o “Simba brasileiro”, considerado o melhor entre tantos, segundo a diretora americana Julie Taymor, e relembramos com ele os principais momentos dessa história em uma entrevista exclusiva. Confira!

B!) “O Rei Leão” foi seu primeiro musical, mas não seu primeiro contato com a Arte. O Tiago, professor de canto, vocalista de grupo, envolvido com projetos sociais, se imaginava vivendo algo tão grandioso como se tornar um “personagem” da Disney?

TB: Eu sempre focalizei minha energia em um dia viver algo grandioso! Sempre quando estava dando aula em escolas ou até mesmo quando nunca havia estado em uma grande produção, eu já dizia para meus alunos: ‘faça como se você estivesse na Broadway!!’, mesmo nunca tendo posto meus pés al[i!! Foi de tanto sonhar e buscar que acho que acabou acontecendo.

B!) Quando pensa em “O Rei Leão” qual é a primeira coisa que vem à sua cabeça? Qual é o primeiro sentimento que ele te desperta? 

TB: Gratidão. Eu sou muito ciente de que tudo que conquistei em minha carreira até aqui, foi por muito esforço e muito trabalho, mas acima de tudo, foi por acreditarem em mim e onde eu poderia chegar!! Nunca para mim havia sido tão difícil dizer até logo para um trabalho, mas com sabor de felicidade.

B!) Pensando no início da sua história, o processo dos testes, consegue contar o que passava pela sua cabeça, sentia no seu coração, quando resolveu sair do Rio de Janeiro para tentar o papel?

TB: Eu queria ser um homem respeitado, queria e estava muito obstinado a vencer, chegar em casa com a palavra vitória na minha boca!! Queria trazer de volta o amor do meu pai, o respeito… Eu pensava em cada bala que minha mãe vendia, cada pipa, todas as vezes que meu pai tentava nos proporcionar um futuro melhor….

B!) Quais eram os seus maiores medos, receios, o que parecia ser o seu maior desafio durante todo o processo de audição, em 2012?

TB: Eu pensei que não conseguiria dar conta de algo tão grande!! Era muita pressão por parte da equipe criativa, muita responsabilidade e um público.

B!) Seu teste para Simba ficou conhecido após uma matéria da ABC, onde Julie Taymor o escolheu e consagrou. Hoje em dia, anos depois, o que sente quando se lembra daquele momento?

TB: Às vezes eu não acredito que aquilo aconteceu e ao mesmo tempo eu sei que estava com sangue nos olhos, queria aquela oportunidade, queria contar minha história. Até hoje, quando paro e vejo esse vídeo, me emociono.

B!) Qual sua melhor lembrança e a maior saudade da temporada brasileira?

TB: Juliana Peppi… Minhas hienas, a relação que tínhamos todos do elenco. Éramos uma linda família. E também devo destacar o dia em que 60 pessoas da minha comunidade, de São João de Meriti, foram me ver no teatro.

B!) Durante a temporada brasileira de “O Rei Leão”, você viveu muitos momentos marcantes, alguns mais tristes, como perdas familiares, e outros muito felizes, como a conquista de prêmios e reconhecimento do seu trabalho. De onde veio sua força e equilíbrio para lidar com tudo ao mesmo tempo?

TB: Uma boa ajuda de um bom psicólogo!! Eu precisava de orientação e precisava firmar meus pés no chão.

B!) Você foi eleito Ator Revelação no Prêmio Bibi Ferreira antes mesmo de todo o desdobramento da sua história com o musical acontecer. Qual a importância disso para você?

TB: Foi um momento muito especial!! Fazia muito pouco tempo que eu havia perdido minha mãe! Eu pensei em desistir e ir ajudar meu pai, mas consegui ser mais forte que isso, levei ele ao prêmio e honrei meu pai. Sabíamos que, nem eu e nem ele, jamais esqueceríamos esse momento. Muita gente não acreditava em mim, mas fazer o que…. Não dá para agradar a todos, mas eu tive que estudar e me dedicar muito para provar, dia após dia, o porque eu estava lá.

B!) Apesar de ter feito outros musicais após o término da temporada brasileira (Mudança de Hábito e Cinderella), sua história com “O Rei Leão” parecia não ter acabado; então veio o convite para a montagem espanhola. O que te fez aceitar e querer reviver tudo em outro país?

TB: Eu pensei no momento em que o país estava vivendo em 2017, eu já sabia que se aproximavam momentos bem difíceis para a cultura! Para o povo brasileiro!! E ainda que fosse para ir como 3º cover de Simba, eu estava certo de que era hora de sair do Brasil e iniciar uma história desde o zero na Espanha.

B!) Mudar de estado foi um desafio grande, mas mudar de país deve ter sido ainda mais. De que forma isso afetou sua vida e os planos que tinha?

TB: Chegar à Espanha com três malas foi um grande desafio! Colocar uma vida em três malas e ir para um país desconhecido, que, fundamentalmente, seria um lugar para trabalhar!! Só ter um dia de folga, numa segunda-feira, onde todos estão trabalhando, não ter amigos, uma língua diferente… Fazer o mesmo espetáculo, porém numa cultura diferente!! A adaptação não foi fácil, aliás, foi bastante difícil – bastante difícil -… Mas eu queria vencer, então fui estudar muito para aprender a falar bem e assim consegui meu espaço.

B!) Em “El Rey León” você não chegou como protagonista oficial, mas a conquista deste lugar acabou acontecendo com o tempo. Como foi viver este processo de evolução e espera para enfim se tornar a estrela da produção espanhola?

TB: Foi um processo muito duro!! Recebia várias propostas de outros países e produtores para outros trabalhos, mas eu precisava firmar meu foco, que era ser protagonista dessa obra, e não abandonar meus sonhos!! Passar o Natal e o Ano Novo no palco e ver meus amigos aqui, ao lado de suas famílias, foi bem complicado…

B!) E como foi viver esses anos todos na Espanha, sendo o protagonista de um dos maiores espetáculos do mundo? O que esse trabalho proporcionou para sua vida e mais marcou essa experiência internacional?

TB: Duplamente uma grande honra e um grande desafio!! Sai da Espanha com três maletas e com um sonho! Nos primeiros meses e anos, não dava pra baixar a guarda!! Além da demanda gigantesca dentro da companhia, com 10 shows por semana, mais ensaios e aulas de fonética… Isso não me deixava ter tempo para conhecer e desfrutar do país. Foram anos de muita responsabilidade… Eu queria muito marcar a Espanha com meu trabalho. Fui nomeado Melhor Ator de Teatro Musical do 12º Premios del Teatro Musical (PTM) e isso foi uma das provas de que estava no caminho certo. Esse trabalho me fez crescer 10 anos!! Tenho uma gratidão eterna por quem me ajudou, sonhou meus sonhos e embarcou comigo! Morar e trabalhar fora do Brasil é uma experiência inigualável.

B!) E o que acredita que será sua melhor lembrança e maior saudade da temporada espanhola?

TB: Não sei explicar o quanto cresci nesses cinco anos e também graças a essa companhia. Não foi fácil manter a qualidade desse show fazendo 9/10 espetáculos por semana, é necessário muita disciplina e muito sacrifício, mas acredito que consegui! Levo comigo uma companhia com mais de cinco nacionalidades diferentes; aprendi muito… E o aprendizado mais importante é o de que eu poderia e posso ir além.

B!) Consegue dizer o que cada montagem trouxe para sua vida e como cada uma transforma a sua história?

TB: A companhia do Brasil me acolheu, me ensinou a ser generoso, foi uma grande escola! Tive um grande ensinamento com a nossa diretora musical residente e regente, Vânia Pajares, creio que a base de tudo que levo vem das palavras delas! ‘Teatro musical é Sacerdócio’. Na Espanha destaco Roberto Montenegro, que segue comigo até hoje, me aconselha, disciplina… Bem, também tenho muito carinho por essa companhia.

B!) Contrariando uma das frases mais icônicas da trilha sonora da obra, como se deu a decisão de finalizar este ciclo?

TB: Eu passei todo confinamento cuidando de plantas, removendo minhas bases, não fiz live durante esse tempo, quase não cantava, por decisão. Já fazia algum tempo que eu estava buscando por mudança! São quase oito anos trabalhando para a Disney!! No Brasil foram dois anos, e mais um ano de audição. Eu chego num momento em que o Tiago Artista grita por mudança. Necessito voar. Não foi fácil, é uma decisão que envolve muita coisa, mas decidi deixar o comodismo, buscar o novo, e seguir crescendo.

B!) Qual a sensação de se despedir da obra, despir do personagem, depois de tantos anos vivendo uma rotina intensa, de um mesmo processo, quase que diariamente?

TB: É um pouco estranho fechar um ciclo sem poder olhar nos olhos de uma companhia! Estranho dizer até logo ao Simba sem poder fazer isso no palco!! Paramos em 2020 com a ideia de que voltaríamos uma semana depois, mas isso durou 1 ano e 5 meses. É complicado, mas estou seguro de que coisas novas e desafios surpreendentes estão por vir.

B!) “O Rei Leão” pode ser considerado um divisor de águas na sua vida. Quando olha para trás, o que enxerga?

TB: Um verdadeiro divisor de águas. Vejo um menino sonhador num trabalho gigantesco e com muita vontade de aprender. Hoje olho para trás com gratidão… Choro, porque mudou a minha vida e da minha família.

B!) E quando olha para frente, o que você vê?

TB: Me vejo um valente!! Com sede de novidades!! Rompendo paradigmas e respondendo a muitos que pensavam que eu só poderia ser Simba…. Estou muito feliz e ansioso pelo novo.

B!) O que o Tiago Barbosa de hoje diria para o Tiago Barbosa de 2012, que saiu de São João de Meriti para tentar a sorte e buscar uma outra realidade?

TB: (- vocês estão me fazendo chorar…) Eu diria: meu filho, guarda teu coração, força tua fé e segue. Vai ser difícil, você vai perder as pessoas mais importantes na sua vida, mas segue o caminho porque você vai vencer.

Desejamos boa sorte ao Tiago! Em breve, novidades… 😉

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Grazy Pisacane

Jornalista Cultural e Assessora de Imprensa, apaixonada por teatro musical.

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