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SONGLIST com Rodrigo Miallaret

Dividido entre atuar e dublar, ele apresenta sua playlist eclética e atemporal

Ele poderia ter se tornado médico, mas preferiu viver de arte no meio do caminho, quado desistiu do curso preparatório em Minas Gerais para se aventurar nos palcos de São Paulo, em uma época que certamente nem imaginava que a cidade se tornaria a potência que se é para o teatro musical.

Foi para o teste da primeira montagem de ‘A Bela e a Fera’ que Rodrigo Miallaret fez as malas e saiu de casa pela primeira vez, em 2002. O que era para ser uma viagem rápida acabou virando uma verdadeira mudança, pois ele não só passou para o musical depois de algumas etapas, como foi convidado – durante os elas – para integrar o elenco de ‘Les Misérables’, que já estava em cartaz no antigo Teatro Abril, precisando assumir um papel e entrar em cena em um curto espaço de tempo.

De lá pra cá ele deu vida, entre personagens titulares e covers, já foi Lumière, Din-Don e Maurice em ‘A Bela e a Fera’, Mr. Firmin em ‘O Fantasma da Ópera’, Visconde de Sabugosa em ‘Sítio do PicaPau Amarelo – O Musical’, Archibal Proops e Pool em “Jekyll & Hyde – O Médico e o Monstro”, Everett Baker em ‘Crazy For You’, Monsenhor Almeida em ‘Mudança de Hábito’, Papagaio Matraca em ‘Uma Luz Cor de Luar’, Toca em ‘We Will Rock You’, Dennis Dupree em ‘A Era do Rock’, Dr. Victor em ‘Castelo Rá-Tim-Bum – O Musical’, e um velhinho roqueiro em ‘Forever Young’, e agora se preparava para dar vida ao famoso Vovô Joe em ‘Charlie e a Fantástica Fábrica de Chocolate’, que estava prestes a abrir os portões e as cortinas quando foi adiada pelo coronavírus, seguindo agora em aguardo para uma nova data.

Longe dos palcos, mais sempre junto deles, traz no currículo ainda assistências de direção importantes, como as duas montagens brasileiras de ‘O Fantasma da Ópera’, onde se dividiu em estar dentro e fora de cena. Outra faceta que o conecta à arte é a de educador, compartilhando com seus alunos os conhecimentos que tem por meio de aulas técnicas de Interpretação e Improvisação – duas habilidades que o beneficiariam também no universo da dublagem, onde vem fazendo um trabalho marcante ao dar voz aos pais de famosas princesas como Maurice no live-action ‘A Bela e a Fera’ e Sultão no live-action ‘Aladdin’, e mais recentemente ao vilão Scar no live-action ‘O Rei Leão’.

Rodrigo Miallaret é o convidado da semana do Songlist e traz em sua playlist ‘a história por trás da história’ de 10 canções especiais, que ajudam a contar a sua trajetória de forma musical, canções que foram importantes e o acompanharam durante todas as fases da vida, da infância à vida adulta, chegando até o momento marcado por sua primeira apresentação profissional como crooner, em uma banda de baile de Belo Horizonte. Bom play!

 

1) Eu Sonhei que Tu Estavas tão linda – Francisco Petrônio (O Grande Baile da Saudade, 1965).
Impossível não lembrar do meu pai Ivahy , bailando, e bem, com a minha mãe , D. Myriam. Como eu achava lindo aquele rodopiar… Nossa casa era embalada por muita música: Tangos, Boleros, MPB. Que delícia aquilo tudo.

2) Skyline Pigeon – (Elton John – 1972)
Essa música era parte da trilha sonora da novela “Carinhoso”, que passava na Rede globo de Televisão. Eu adorava cantá-la, no MEU inglês de criança. Sem saber que ela falava sobre liberdade, que tanto prezo. Na voz do mestre, Elton.

3) João e Maria – Chico Buarque e Nara Leão. (1977)
E começava o meu deslumbramento por Chico Buarque de Holanda. Ele não falava sobre a criança, ele era a criança. Esse meu disco “compacto”, quase furou, de tanto tocar na eletrola!

4) Ovelha Negra – Rita Lee (Fruto Proibido, 1975)
Acho que eu tinha uns doze anos de idade, quando fui levado por uns amigos da escola a uma garagem, onde rolava um ensaio de um “conjunto”, formado por conhecidos nossos, só meninada. Não é que, de repente, eu estava ao microfone, cantando essa música? Acho que foi minha primeira apresentação na vida

5) How Deep Is Your Love? – Bee Gees (Saturday Night Fever, 1977)
Nossa, quantas vezes eu cantei isso, sozinho no quarto, caprichando na performance, até que a plateia, formada por meus irmãos, me tirava do transe com suas gargalhadas. Pois eu me enchia de coragem, e voltava ao espetáculo. Mas, bem lá no fundo, a vergonha de ter sido pego, era desafiadora.

6) Passaredo – Chico Buarque de Holanda – (Meus Caros Amigos- 1976)
A riqueza dessa letra do Chico, somada ao maravilhoso arranjo de Francis Hime, é maravilhosa. Nessa época, eu estava dançando no “Grupo Folclórico Aruanda”, em Belo Horizonte. Essa fita cassete, era a mais tocada nas viagens por Minas à fora. No Alfa Romeu do namorado da minha irmã, nossa aquilo era o máximo. Começava também, minha paixão por caros.

7) Lança Perfume – Rita Lee (Lança Perfume – 1980)
Certamente uma das músicas que mais escutei na minha adolescência. E o volume tinha que ser alto, coisa que fui mudando com o passar do tempo, rsrs. Lembro de escutar no meu maravilhoso System Gradiente 106! Que orgulho eu tinha daquele som. Sabia que tinha vários outros melhores, mas para mim, ele era o melhor, pois tocava minhas músicas. E Lança perfume, como o restante do álbum, era frequente.

8) Nos Bailes da Vida – Milton Nascimento e Fernando Brant (Caçador de Mim – 1981)
Essa fez parte de várias rodas de violão, no arranjo do “Coral Canto Vivo”, que nossa turma fazia parte. Era uma facção do coral, que estendia os ensaios nos bares da vida. Ao final da noite, alguns cantores, já pra lá de Marrakesh.

9) Encontros e Despedidas – Milton Nascimento e Fernando Brant (Encontros e Despedidas – 1985)
Acho que foi um dos meus primeiros “sucessos”, em barzinhos. Cantava com meu parceiro, o ótimo violonista, meu amigão, Carlinhos. As poucas mesas do bar: Cor de Vinho, o primeiro que cantei na noite, iam ao delírio.

10) Pot-Pourri: Festa Profana / Liberdade! Liberdade! Abre As Asas Sobre Nós / Direito É Direito · Emílio Santiago – (Aquarela Brasileira 2 – 1989)
Eram umas quatro horas da madrugada, o baile já estava terminando, quando entra, empunhando um microfone, o nervoso Rodrigo Miallaret, para fazer a sua estreia como cantor profissional, na “Banda Mutações”, do grande artista Mineiro, Fernando Ângelo. Após esse teste, na pista de prova, entrava para a banda…

OUÇA AGORA A PLAYLIST!

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