Conheça “Hadestown”, campeão de indicações ao Tony Awards inspirado no mito de Orfeu

Os mitos gregos parecem sempre atuais. Repaginados, reembalados, adaptados, eles estão sempre lá para trazer algum tipo de ensinamento para a civilização. E partindo dessa premissa surgiu o musical “Hadestown” (algo como “Cidade de Hades” em português), desenvolvido a partir do álbum conceitual de mesmo nome criado pela compositora Anaïs Mitchell em 2010. Lançado anteriormente no circuito off-Broadway, o espetáculo chegou aos grandes teatros da Times Square em abril e já conquistou seu primeiro triunfo: é a obra com mais indicações ao Tony Awards 2019, a maior honra do teatro na Broadway.

Hadestown adapta o mito de Orfeu para uma atmosfera de sonoridade folk, ambientada na Grande Depressão dos anos 1930, combinada a elementos pós-apocalípticos. Os personagens são os mesmo do conto original – o poeta e músico Orfeu apaixonado por Eurídice, ambos interpretados por Reeve Carney e Eva Noblezada.

Euridice (Eva Noblezada), Hermes (André De Shields) e Orfeu (Reeve Carney)
Euridice (Eva Noblezada), Hermes (André De Shields) e Orfeu (Reeve Carney) FOTO: Helen Maybanks

Outros elementos do universo mítico estão presentes, como o narrador Hermes (divindade da comunicação, do comércio e das trocas) e as três Moiras, espécies de videntes e guardiães da jornada de cada mortal ou deus em direção ao destino. Do outro lado, estão Hades, poderoso industrial de Hadestown e sua infeliz esposa Perséfone, que durante o verão deixa a lúgubre fábrica para ver o mundo superior.

Hades e Perséfone reimaginados em "Hadestown": o industrial e a amarga esposa
Hades (Patrick Page) e Perséfone (Amber Grey) reimaginados em “Hadestown”: o industrial e a amarga esposa.

 

As Moiras em Hadestown
As Moiras redesenhadas para Hadestown: Carly Mercedes Dyer, Gloria Onitiri e Rosie Fletcher

O conflito se estabelece quando, infeliz com sua insatisfação de sua esposa, Hades começa a demonstrar interesse por Eurídice, mantendo-a cativa em Hadestown. Da forma como no mito, Orfeu iniciar uma jornada para trazer de volta a amada, sob a condição de que eles não deveriam olhar para trás, caso contrário, ficariam aprisionados no submundo. Além das referências já mencionadas, a obra ganha tons mais atuais e até políticos.

Um exemplo é a canção chamada “Why We Build The Wall” (“Por Que Construímos o Muro” em tradução livre), que já estava presente na obra original de Anaïs, mas que ganhou ainda mais ressonância em uma América governada pelo Presidente Donald Trump, quem tem entre seus planos, a construção de uma muralha separando os Estados Unidos do México.

Esta não é a primeira vez que textos gregos inspiram musicais na Broadway. Um dos clássicos do teatro musical, “My Fair Lady”, teve seu texto baseado na peça de mesmo nome de George Bernard Shawn, que por sua vez foi inspirada na obra “Pigmalião”, creditada ao poeta romano Ovídio.

Outro exemplo mais recente é “Lysistrata Jones”, inspirada no conto de Lysistrata, de Aristófanes, que trata sobre uma greve de sexo das mulheres da Atenas para dar fim a Gerra do Peloponeso. A obra foi transposta para o tearto por Douglas Carter Beane, que adaptou a história para uma universidade fictícia nos Estados Unidos. A jovem Lyssie J. inspira outras companheiras a não ter relações com os garotos do campus até que o time de basquete vença um jogo.

O mesmo conto de Orfeu e Eurídice também foi adaptado para o cinema nacional com a obra “Orfeu Negro”, que seria transformado em musical na Broadway, com participação da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho. Infelizmente, o projeto estagnou e ainda não houve mais notícias sobre o mesmo.

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