Força da mulher é representada no musical original “As Cangaceiras – Guerreiras do Sertão”

Um musical brasileiro, inédito e original sobre a luta feminina chega ao palco do Teatro do Sesi, localizado no prédio da FIESP, em São Paulo, a partir desta quinta, 25, para uma temporada gratuita. O clima nordestino e o banditismo sertanejo, conhecido de tantas histórias sobre o Cangaço, são o pano de fundo de “As Cangaceiras – Guerreiras do Sertão”, escrito e composto por Newton Moreno, e que, como uma espécie de lado B, fala de coragem, amor, empatia, união, insurreição e liberdade.

O que inicialmente poderia ter uma estrutura documental, baseada em biografias e relatos reais, deu lugar a uma trama livremente inspirada em um período que ficou marcado especialmente pelo machismo e representado por figuras históricas como Lampião e Corisco. O autor conta que foi no meio do caminho que os criativos envolvidos optaram por mudar os primeiros rumos do projeto e criar uma “linha de fuga” para o que ainda está no imaginário das pessoas. “O lugar de contradição que o cangaço ocupa fascina a gente, por mais estejamos abordando questões de violência, ao mesmo tempo ele resiste como uma potência de luta”, diz Moreno ao B! durante um ensaio fechado do musical.

Entre viagens, pesquisas e leituras, os depoimentos de parentes de cangaceiras e volantes, bem como histórias de nomes representativos da época – a exemplo de Dadá e Sila -, serviram de inspiração para as atrizes do elenco, liderado por Amanda Acosta, que, entregue e desprendida de seus dois últimos papéis marcantes, onde interpretou Bibi Ferreira e Carmen Miranda, dá vida agora à Serena, uma mulher corajosa, vítima de uma gravidez interrompida, situação corriqueira da época. É a dor e o amor de mãe que a impulsionam a fugir pelo sertão em busca do filho dado como morto, e que faz seu caminho se cruzar com o de outras mulheres de fibra, também vítimas de intolerância, vividas por Rebeca Jamir, Vera Zimmermann, Carol Badra, Luciana Lyra, Carol Costa e Badu Morais, que em um ato de coragem e sororidade se unem formando um destemido bando.

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Atrizes em cena de “As Cangaceiras” | Foto: Priscila Prade/Divulgação

O período histórico por vezes contraditório, bastante lembrado como violento e sangrento, cujo o código de ética e justiça impunha medo e respeito, se revela em cenas de luta e abuso de poder, boa parte encenadas pelo elenco masculino, comandado por Taturano, papel expressivo de Marco França, que ao lado de Marcello Boffat, Milton Filho e Eduardo Leão, refletem a atemporalidade, uma fusão do tempo passado com o presente onde a violência contra à mulher se faz um dos alertas em questão. O musical, dirigido por Sergio Módena, dá espaço ainda para a doçura e o bom humor, especialmente nas cenas do mocinho apaixonado, personagem de Jessé Scarpellini, e do volante vaidoso e interesseiro, vivido por Pedro Arrais, dupla responsável pelo alívio cômico do denso roteiro.

Cangaceiras - Priscila Prade
Jessé Scarpellini  e Pedro Arrais em cena de “As Cangaceiras” | Foto: Priscila Prade/Divulgação

A escolha do acertado elenco está entre as muitas curiosidades do processo de criação do espetáculo, que passou por outras mudanças além do rumo do texto, transformado em uma fábula ficcional. Todos os atores foram escolhidos antes mesmo que ele fosse escrito. “Tínhamos um estudo e o desenho dos personagens, então fomos definindo as famílias e escrevemos tudo já sabendo quem seria quem”, explicam os criativos. Alguns deles embelezam ainda mais suas participações ao tocarem instrumentos musicais em cena, acompanhando o trabalho dos cinco músicos ao vivo, que executam a trilha sonora que também não resistiu à ideia inicial.

Depois que Newton e Sérgio, ao lado da diretora musical, Fernanda Maia, se depararam com o texto, eles decidiram abrir mão de um repertório apoiado no cancioneiro nacional para dar lugar à músicas 100% originais, com letras repletas de poesia, força e gritos de socorro. A premiada diretora, conhecida por trabalhos no Núcleo Experimental, teve apenas um mês para compor todas as canções, mas abraçou o desafio por já ter uma forte ligação com a Região Nordeste. Formada em Música por uma faculdade de João Pessoa, na Paraíba, Fernanda conta não ter pensado duas vezes para aceitar o convite do projeto que além do desafio profissional, mexe com suas raízes. “Eu me sinto privilegiada, além de tudo é muito raro conseguir uma oportunidade de escrever. Isso demanda tempo, pesquisas, demanda parcerias interessantes, um diálogo muito legal, e quando temos isso a gente não desperdiça”, celebra. “Quando o texto chegou nos perguntamos porque não ter um musical inédito, mais autoral, uma coisa que, além de dar continuidade à narrativa da cena, é sempre muito importante para o teatro musical nacional”, completa Módena, reforçando a relevância de se criar algo próprio, com um DNA brasileiro.

A produção conclui seu time de criativos com Erica Rodrigues na assinatura das coreografias, Fabio Namatame na dos figurinos, Marcio Medina na cenografia, Domingos Quintiliano na iluminação, Ricardo Cammarota no design gráfico e ilustrações, Almir Martines na assistência de dramaturgia, Lorena Morais na assistência de direção e Rafa Miranda na assistência de direção musical.

SERVIÇO:

Onde: Teatro do Sesi-SP (FIESP)
Av. Paulista, 1313
Quando:
 de 25 de abril a 4 de agosto
Quinta a sábado às 20h; domingo, às 19h
Duração do espetáculo: 120 minutos
Classificação indicativa:
 12 anos 
Agendamentos:
 ccfagendamentos@sesisp.org.br
Grátis. Reservas antecipadas de ingressos pelo site www.centroculturalfiesp.com.br  abertas todas as segundas-feiras, às 8h. Ingressos remanescentes serão distribuídos no dia da apresentação, 15 minutos antes na bilheteria do Teatro.

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