Sara Sarres relembra trajetória e dá dicas para carreira em teatro musical

 

Atriz vive a falecida mãe do protagonista de “Billy Elliot” em cartaz no Teatro Alfa. FOTO: Cassiano Grandi

Atualmente em cartaz na superproduçãoBilly Elliot no Teatro Alfa, Sara Sarres é um nome que praticamente dispensa apresentações entre os fãs de musicais. A atriz viveu importantes personagens em grandes musicais internacionais produzidos no Brasil recentemente, como “O Homem de La Mancha“, “A Madrinha Embriagada“, “Shrek” e “Annie” além das produções que deram início ao “boom” musicais nos anos 2000 como “Les Misérables”, “Cats”, “O Fantasma da Ópera”.

Neste último, inclusive, Sara teve a oportunidade de participar da turnê internacional em 2015, interpretando novamente a protagonista Christine Daaé, um dos papeis mais conhecidos no meio do teatro musical e apresentando seu talento para diversas plateias pelo mundo. O que poucos sabem é que por trás de todo aparente glamour vivido no palco, há uma atriz ferrenhamente dedicada ao trabalho e que soube, com maestria, ampliar o escopo de sua carreira artística. Atualmente, Sara está em processo de conclusão de sua graduação em Fonoaudiologia, iniciada não apenas para conhecer melhor a própria voz, mas também para compartilhar conhecimento.

A gente conversa tanto entre colegas da classe ou com os alunos sobre o ‘plano B’, sobre a necessidade do artista de encontrar alternativas que tragam felicidade além de estar no palco. No meu caso foi tudo muito orgânico. Eu queria fazer Medicina, mas sabia da dificuldade de conciliar os ensaios e sessões com a carga horária de estudos nessa área. Acabei migrando para outra área da saúde, buscando coisas que eu queria para mim, que eu acreditava que fariam sentido para meu fazer artístico”, conta Sara em entrevista ao B!.

Retorno aos estudos

Sara se considera uma “nerd” em relação aos estudos, sempre procurando uma oportunidade de aprendizado. Mesmo durante a turnê internacional de “O Fantasma da Ópera”, quando estava em Londres a atriz procurou ampliar seu repertório fazendo cursos.  Voltar ao papel de aluna durante a graduação Fonoaudiologia foi um processo natural para Sara, que nunca se viu fora dessa condição de uma “eterna aprendiz”.

“Nunca abrirei mão dos estudos. Para mim, é uma motivação. Estudar me traz prazer. Não é fácil conciliar os horários, as pessoas ficam surpresas como eu consigo fazer tudo ao mesmo tempo, mas quando você encontra algo que te traz alegria, o tempo passa de um maneira diferente. Hoje, doso muito meu tempo, de maneira muito objetiva e especial para eu conseguir fazer tudo e encontrar felicidade nesse processo”, relata a atriz.

Embora os estudos sejam prioridade em qualquer novo projeto da atriz, para atuar em “Billy Elliot”, Sara inverteu seu próprio processo de trabalho. Ao invés de procurar todas as referências possíveis para viver a falecida mãe do protagonista, a artista partiu simplesmente do texto para criar algo único e comovente. Segundo a atriz, durante os ensaios, foi difícil conter a emoção.

Eu nunca havia assistido o musical antes. Estou construindo uma mãe sem nenhuma referência e é primeira vez que acontece. Como sou muito ‘nerd’, gosto de ver tudo, vasculhar a web atrás de informações, mas em “Billy Elliot” eu não fiz nada disso. Fiz um caminho contrário e o resultado é muito lindo. John Stefaniuk, nosso diretor, é um ‘encantador de borboletas’ e fez trabalho brilhante. Ele conseguiu conduzir de uma maneira muito verdadeira e bonita o trabalho de mesa e pesquisa com o elenco para encontrarmos essa ‘revolta’ necessária ao espetáculo, mas de uma forma que nos víssemos espelhado no texto“, detalha Sara sobre o processo criativo da montagem brasileira do musical.

Paixão pela Arte

Sara teve contato com o filme que inspirou a versão teatral de Billy Elliot na época em que o longa conquistou o Oscar em 2001. Curiosamente, a atriz estava vivendo um momento semelhante, deixando a casa dos pais e a cidade natal, Brasília, para transformar a Arte seu ofício em São Paulo na primeira montagem de “Les Misérables” no Brasil. Embora tenha sempre recebido o apoio dos pais, ela reconhece que a proposta de “Billy Elliot” coloca o artista em uma posição de fazer escolhas.

“Em ‘Billy’ vemos o quão forte é o nosso amor pela Arte, que nos faz entrar em enfrentamento, às vezes com a própria família. Isso não só pela Arte, mas em tantas outras questões em que as pessoas, para serem quem são, tem de enfrentar os entes queridos. É a demonstração do amor pelo que você acredita e isso é retratado de uma maneira muito bonita aqui, ao ponto de o pai de Billy, vivido pelo Carmo Dalla Vecchia, apoiar o filho na decisão dele”, provoca a atriz.

Com ajuda do diretor, elenco de Billy encontrou a "revolta" necessária para o musical © Joao Caldas Fº
Com ajuda do diretor, elenco de Billy encontrou a “revolta” necessária para o musical © Joao Caldas Fº

E é esta paixão pelo fazer artístico que move a atriz a continuar na busca de novas oportunidades. Embora a agenda seja corrida e acabe emendando um musical atrás do outro, Sara gostaria de investir mais em outras áreas de atuação. “O teatro musical te limita um pouco. Você tem de estar disponível sete, oito sessões em até seis dias da semana e sua grade horária fica comprometida para fazer testes que demandem mais tempo. Eu gostaria muito de fazer outros trabalhos como séries, cinema ou televisão, mas para isso você precisa tornar o seu leque de atuação bastante abrangente para quando surgirem novas oportunidades”.

Ampliar o horizonte

Diferente dos artistas que começaram a fazer musical no mesmo período em que Sara iniciou seu trabalho, a geração atual tem uma gama de oportunidades para se especializar. A atriz lembra que no começo da carreira, para ter as habilidades mínimas exigidas em um musical – canto, dança e atuação – era necessário buscar esses conhecimentos de forma separada e por conta própria ou até estudar fora do país. Hoje, há uma diversidade de escolas com planos pedagógicos definidos para a formação do ator em teatro musical em todas as vertentes necessárias, incluindo o projeto do Sesi, do qual Sara fez parte e atuou na concepção do planejamento didático das aulas de canto.

“Acredito que hoje, a pessoa não precise mais buscar a formação fora do Brasil. Temos formação de qualidade no país com profissionais habilitados. Você não será melhor apenas por ter estudado fora, até porque vejo isso de uma forma muito particular. Se sua dedicação é menor que a de uma pessoa que está aqui, não tem dinheiro para estudar em uma escola internacional, mas se dedica plenamente, você talvez deixe passar algumas oportunidades”.

A atriz também critica alguns vícios da nova geração, como o foco obsessivo em audições. Sara explica que não saber lidar com a rejeição ou manter o corpo e espírito preparados para qualquer oportunidade inesperada que pode derrubar o plano de carreira e motivação de quem se aventura profissionalmente no teatro musical.

Não deixe a audição chegar à porta para se preparar! Tente visualizar antes será o ano, olhar lá na frente. Caso contrário, você vira refém da audição e não é uma maneira saudável de se viver, porque esses processos podem ser muito cruéis. Vemos muito coisas como ‘ah! Daqui a seis meses vai ter Wicked!’, então a pessoa fica durante um período ensaiando apenas as canções do show, por exemplo. Aí, de repente um espetáculo novo que não estava anunciado surge e o artista não está preparado para os testes. Às vezes, ficam muito direcionados para ‘eu quero ser a protagonista da peça X ou do espetáculo Z’ e não desenvolvem outras habilidades, até intelectuais mesmo, que podem ser vantajosas lá na frente. Tudo que contribui para o seu desenvolvimento humano, alavanca seu trabalho como artista!”,aconselha Sara.



SERVIÇO – BILLY ELLIOT:

Onde: Teatro Alfa
Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro
Quando: até 30 de junho
Sexta às 20h30, Sábado às 15h e 20h, Domingo às 14h e 18h30.
Quanto: De R$ 75 a R$ 310
*Clientes Brasilprev tem 30% de desconto nos ingressos.

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