Touché Entretenimento investe em conteúdo nacional e expande atuação para teatro convencional

Reconhecida pelo fino verniz e grandiosidade de suas produções, a Touché Entretenimento dá novos passos no mercado de teatro musical brasileiro. Após anunciar a criação do primeiro espetáculo da produtora com temática nacional — o Sítio do Picapau Amarelo — a empresa mira em grandes produções para o teatro convencional. A novidade foi comunicada em primeira mão para o A Broadway é Aqui! por Renata Borges Pimenta, que capitaneia a Touché.

Estamos adquirindo um portfólio que não podemos divulgar ainda, mas adianto que desejo levar recursos para que o público saia encantado também do teatro de prosa. Como sempre fiz, quero trazer a grandiosidade dos musicais para o teatro convencional” explica a executiva, que contará com ajuda do sócio e filho, Lucas Pimenta, na empreitada. 

Depois de produzir com primor e rigor artísticos obras como “Cinderella” e “Peter Pan” e investir na compra de títulos de peso como “Carousel”, um clássico de Rodgers e Hammerstein, “American Idiot”, “First Date”, “Something Rotten!”, “O Natal do Charlie Brown”, “Madagascar, A Musical Adventure”, da DreamWorks, e o recém saído da Broadway “Sponge Bob Squarepants – The musical (espetáculo com os personagens do cartoon Bob Esponja, da Nickelodeon), a produtora volta seus olhos para a cultura brasileira como matéria-prima.

Uma grande celebração à cultura nacional

A paixão é algo que motiva Renata em todas as produções que realiza. A ideia de mergulhar em material genuinamente brasileiro veio a partir da sugestão do filho, que fez a ponte da produtora com o autor Gustavo Reiz, sócio de Renata na construção do musical “Emília e o Fantástico Sítio do Picapau Amarelo“, que partirá da diversidade da obra de Monteiro Lobato para criar um espetáculo autoral.

“A primeira memória que o ‘Sítio’ me traz é esse lado lúdico. Eu me lembro que me atrasava para a escola só para assistir a versão televisiva. Eu amava aquele universo tão forte, tão especial. Monteiro Lobato foi um gênio. Para mim, será um prazer falar sobre ele em uma grande produção, com uma qualidade igual aos espetáculos da Broadway, no quesito de grandes cenários, cuidado artístico e um belo texto” explica Renata, dando alguns detalhes sobre o que esperar o musical, previsto para entrar em cartaz em 2020.

Para o autor Gustavo Reiz, uma das características mais marcantes do legado de Monteiro Lobato é a sua perenidade. “Todos nós, independente da geração, crescemos ouvindo as histórias criadas por ele, seja pela televisão, seja pelos livros. Assim como fala com a minha geração, fala com meu filho, com quem vai assistir e levar seu pequeno junto. O ‘Sítio’ será o ponto de partida de uma aventura que traz elementos dos mais variados livros que fazem parte desse universo” explica o autor em entrevista ao B!.

Outro motivo que justifica o interesse da produtora em apostar na obra do autor é a posição em que Lobato coloca a criança, representada por personagens como Narizinho, Emília e Pedrinho. “Monteiro Lobato foi um autor que pensou à frente do tempo dele o universo infantil e juvenil de uma forma que ninguém antes o fez, em um momento quando a criança não tinha voz própria. O que ele fez foi muito significativo” complementa Renata.

Investimento próprio para manutenção da qualidade

A novidade sobre os próximos passos da Touché Entretenimento chegam ao mercado em um momento conturbado, após as especulações em torno de uma fala do Presidente da República Jair Bolsonaro a respeito de diminuir o teto para captação de recursos via Lei Rouanet para R$ 1 milhão, ao contrário dos atuais R$ 60 milhões permitidos ao ano. Embora não haja nenhuma definição tomada sobre o tema, o setor de cultura já começa a reagir ao impacto de uma medida como essa.

Para a temporada carioca de “Peter Pan”, marcada para estrear em 21 de junho, a produtora investe recursos do próprio caixa para manter a qualidade pela qual o espetáculo ficou marcado, recebendo uma série de prêmios. “Estamos colocando dinheiro de bilheteria no próprio musical, então há um investimento. Eu como produtora mantenho empregos com meu próprio dinheiro e as pessoas precisam ver isso, precisam ir ao teatro e consumir cultura porque além de enriquecedor é uma experiência transformadora

Peter Pan estreia em junho no Rio de Janeiro
Para manter o primor da temporada de São Paulo, produtora investe com capital próprio em espetáculo. FOTO © 2018 Luís França – http://www.luisfranca.net – Direitos reservados.

A executiva sai em defesa da lei, que permite a manutenção não só de espetáculos, mas de toda cadeia criativa e artística no Brasil. “É preciso se informar, se educar sobre o tema, saber o quanto nós devolvemos para sociedade, não só em dinheiro e impostos, mas em geração de emprego também. Então se hoje a Cultura estagnar, muitos profissionais ficarão desempregados. Eu votei no atual Presidente, mas ele precisa entender e ter conhecimento de causa da Lei Rouanet” critica Renata.

A fala da produtora vai de encontro a um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) sobre o retorno que o mecanismo de captação gera para o país. Segundo a análise da instituição, a cada R$ 1,00 captado e executado, foram gerados para economia brasileira R$ 1,59. Ainda segundo a pesquisa, entre 1993 (data de criação da lei) e 2018 o impacto econômico gerado pela Rouanet foi de R$ 49,78 bilhões. O estudo pode ser baixado gratuitamente neste link.

 

 

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