Batemos um papo com Kacau Gomes, a Fantine de Les Misérables

Mesmo aqueles que não tem costume de ir teatro com frequência, com certeza já podem ter ouvido a voz de Kacau Gomes. Seja pelas dublagens de clássicos Disney como “Mulan” e “A Princesa e o Sapo” ou quando a cantora e atriz esteve como backing vocal de grandes nomes da música brasileira, como Marisa Monte, Ivete Sangalo e Carlinhos Brown. Mas é no palco onde se pode ver toda a habilidade de entrega de Kacau, que agora interpreta um dos personagens mais conhecidos no universo dos musicais: Fantine, a triste mãe solteira de Les Misérables, em cartaz no Teatro Renault, em São Paulo.

FOTO: Marcos Mesquita/ T4F

Um fato que torna esse momento mais curioso é que recentemente Kacau teve seu primeiro filho recentemente, em uma gravidez que encarou os palcos durante uma temporada de “Beatles Num Céu de Diamantes”. Agora, ela se divide entre o Rio de Janeiro e São Paulo, sem descuidar do pequeno em meio a rotina agitada. “Acho que como atriz temos que estar disponíveis para todos os papéis. Mas confesso que ser mãe me ajudou muito a não pensar em representar. Na época dos testes eu só pensei no meu filho​.​ ​A​cho que o brilho no olhar é diferente quando v​o​c​ê​ vivência a experiência. Era tudo muito real pra mim​.​ ​E​u fiz, faço e farei tudo pelo meu filho! E essa é a essência da Fantine“, conta a atriz em entrevista exclusiva ao B!.

 

A jornada de Kacau começou bem antes da maternidade. Desde adolescência já participava de turnês de Marisa Monte, atuando como backing vocal da cantora. Logo em seguida veio a formação em Canto Lírico pelo Conservatório Brasileiro de Música e a estreia nos palcos no musical “Os Sinos da Candelária”, de 1993, que relembrava a tragédia carioca que ficou conhecida como “Chacina da Candelária”. Ainda com o nome de Cláudia Gomes, a então estreante participou de outros espetáculos como “Rock Horror Show”, em 1995.  Na segunda metade da década de 1990 despontou como cantora, sob a alcunha “Claudja” e lançou o single “Brand New Day”, tema da novela “Quem é Você”.

Ouça o single que alçou Kacau Gomes ao estrelato

Com o crescimento dos musicais no Brasil, sobretudo a partir de 2000, mais espetáculos entraram no currículo da cantora, que após assinar um contrato com a EMI passou a usar o nome artístico de “Kacau Gomes”, pelo qual atende até hoje. A atriz fez parte das montagens de “Godspell” (2002), “Cole Porter – Ele Nunca Disse Que Me Amava”, “Vamos Brincar de Amor em Cabo Frio”, (ambos de 2003), “Tudo é Jazz” (2004), “Ópera do Malandro em concerto” e “Hans Christian Andersen, O faz tudo” (2007). Em 2008, entrou para o elenco da primeira produção de “Beatles Num Céu de Diamantes”, espetáculo que voltaria a fazer parte nos anos de 2009, 2012 e 2015.

Em 2010 Kacau entrou para a grande produção de “O Médico e o Monstro”, versão nacional do espetáculo norte-americano “Jekyll anda Hyde”, trazida ao país pela Kabuki Produções. Em cena, dividia o palco com outros nomes que cresceram junto com ela no chamado “boom” dos musicais no Brasil: Kiara Sasso e Nando Pradho. “O gênero só cresce e acho maravilhoso! Tem muita gente​ ​talentosa de todos os tipos, cores e gêneros​ ​querendo trabalhar. ​Hoje em dia existem muitos cursos que conseguem reunir um grupo de profissionais da ​á​rea, de qualidade e com experiência no ramo. Na minha época não era assim, pelo menos no mundo dos musicais. Eu sempre ​trabalhei muito em outras áreas, como turnês de música. Viajando muito pelo Brasil e exterior, acabava não sabendo ou não tendo tempo ​para as audições ​de musicais de grande porte​.​ Com o tempo, fui ficando mais atenta​, trabalhando mais com Teatro​ ​Musical​ e o meu interesse foi crescendo pelo gênero.”

Projeção no cenário nacional

Sem dúvida, as participações de Kacau Gomes em animações bem sucedidas ajudaram a catapultar seu nome no cenário nacional, tanto da música como no teatro. As vozes brasileiras das protagonistas de “Mulan” e “A Princesa e o Sapo”, ambas da Disney, trazem o timbre da carioca, natural da Ilha do Governador. Foi por acaso, ao participar de uma peça infantil em que um dos atores fazia parte do time criativo dos famosos estúdios que surgiram as oportunidades para testes em dublagem, que inicialmente contemplariam a personagem “Esmeralda” da animação “O Corcunda de Notre Dame”. Como no momento a personagem necessitava de um cantora com uma voz mais “madura”, o processo acabou não evoluindo mas abriu as portas para outros trabalhos em dublagem, como “Hércules”, na voz da musca Calíope, “A Dama e o Vagabundo”, onde dividia a cena da “Canção dos Gatos Siameses” com Marya Bravo.

“Nunca desista dos seus sonhos​. ​Se é o que você quer e acredita ser capaz​,​ vá a diante​.​ ​Rótulos sempre irão existir​,​ mantenha-se íntegro dos seus ideais, ​foque, que cedo ou tarde esse dia chega! Acredito no destino, mas t​am​b​ém​ nas energias que estão por aí​.​ ​Quando chegou a oportunidade, eu estava lá pronta para agarrar o que aparecesse ​no meu caminho​.​ No caso da “Mulan” ela não se viu diferente​ ​(de um homem) para ir a luta​,​ literalmente​. ​ ​Eu também iria se fosse meu objetivo​.​​ A Tiana o mesmo , uma guerreira de verdade, para quem nada caiu do céu, lutou com os seus valores, princípios para ‘chegar lá’. E chegou! Me sinto assim ​também.​ ​Realmente essas ​duas​ princesas foram um presente muito especial ​na minha vida! Nunca desista dos seus sonhos​. ​Se é o que vc quer, e acredita ser capaz​,​ vá a diante​.​ ​Rótulos sempre irão existir​,​ mantenha-se íntegro dos seus ideais , ​foque ,que um dia esse dia chega!

 

Entre tropeços e acertos
Assim como na trajetória de qualquer pessoa que luta pelo seu sonho, acontecem alguns tropeços nessa caminhada. E alguns, são guardados na memória e lembrados com risos tempos depois. Entre esses momentos estão os esquecimentos, até comuns no meio artístico. “Eu costumo ter muitos ‘brancos’, deve ser ​a idade rs (sic). ​Uma vez no espetáculo ​”​Beatles num céu de diamantes​” ​,​ que faço há anos, deu um branco daqueles.​ ​​Fiquei ​b​oa parte da música  ‘S​omething’ cantando ‘hummmm , hummmmm,hummmmm’ mas… no final deu certo​ e ​a plateia achou que era só uma proposta diferente! #soquenao! (sic) Nem preciso dizer que o elenco passou mal de rir.
Dividir o palco com muitos artistas também trouxe o respeito e admiração pelos colegas. Entre as figuras que inspiram o trabalho de Kacau estão suas contemporâneas Alessandra Maestrini, Alessandra Verney, Kiara Sasso, Sara Sarres, Amanda Acosta, Gottsha, Paula Capovilla, Marya Bravo, Ester Elias, Bruna Guerin e Andrezza Massei.
Embora tenha mais de 25 anos de carreira, a atriz não cogita parar e ainda tem muitos desejos a serem realizados no palco. Um deles é reviver as personagens “Lucy”, de “O Médico e o Monstro” e Jennifer Cavalleri, sua protagonista de “Love Story – O Musical“, montagem inspirada no filme romântico de 1970 e que Kacau gostaria muito de trazer para São Paulo. E, como sonhar é sempre permitido, há outras personagens que a artista gostaria de interpretar. “Gostaria de viver a ‘Deena’  ​de ‘Dreamgirls’​.​ ​Adoro esse musical e as canções​!​ ​Também gostaria de fazer Rachel Marron​ em​ ​”​The ​B​odyguard​”.​ ​Simplesmente amo​ a​ ​Whitney!​

Kacau Gomes e Fábio Ventura em “Love Story”

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