Como Claudia Netto fez história no teatro musical

claudia netto

Claudia Netto é um dos nomes atuais que pertence ao “panteão” do chamado “boom dos musicais”, referente as décadas de 1990/2000. Lembrada por papeis como  a famosa Judy Garland, em “O Fim do Arco-Íris” e a professora Anna, do clássico “O Rei e Eu“, atualmente Claudia vive um novo desafio em sua carreira: interpretar um homem. Que diga-se de passagem, não é qualquer homem, trata-se do ator e humorista Nelson Freitas, seu par na adaptação musical do filme nacional “Se eu Fosse Você“, de Daniel Filho, que recentemente estreou em São Paulo, após uma temporada carioca.

Envolvida com o mundo dos musicais desde pequena, Claudia gostava de cantar e interpretar, participava do coral de sua escola e para completar, sua mãe permitia que deixasse de ir às aulas para assistir aos musicais da Metro, que passavam na TV durante a tarde. Foi assim que ela passou a ter contato com Gene Kelly, Ginger Rodgers, Fred Astaire, Rita Hayworth e Julie Andrews. Como diferencial em sua carreira, apostou também nos compositores clássicos norte-americanos, como Irving Berling, Ira e George Gershwin e Cole Porter.

Mas nem só de referências internacionais vive Claudia, que atualmente se destaca no papel de Helena, na versão adaptada para os palcos de “Se Eu Fosse Você”. Dona de uma carreira cheia de boas parcerias, a atriz trabalha sob a coordenação do diretor e coreógrafo Alonso Barros, nome que atualmente ocupa o topo de uma lista de grandes diretores com quem já teve o prazer de trabalhar, e que inclui também Jorge Takla, Miguel Falabella, e a dupla Charles Möeller & Claudio Botelho, sendo o último, um dos grandes responsáveis para que Claudia desse seus primeiros passos em espetáculos musicais.

Quando eu e o Claudio formamos uma dupla para cantar Gershwin e outros compositores norte-americanos de teatro musical, tínhamos o sonho de fazer esse tipo de espetáculo chegar ao público. Lembro-me de fazer espetáculos com 12 pessoas na plateia, muitas dificuldades e falta de profissionais preparados. Hoje a realidade é outra. Temos técnicos de som, maquinistas, atores e bailarinos cada vez mais completos para fazer musical no Brasil, sem dever nada aos americanos“, conta Claudia em entrevista ao B!.

A parceria “Claudia & Claudio” rendeu várias produções ao som de uma seleção de músicos estrangeiros. Sob a direção de Marco Nanini, os dois apresentaram os espetáculo “Hello Gershwin” e “De Rosto Colado“, no início dos anos 1990. Na segunda metade dessa década voltaram a se encontrar em “Fred e Judy“, interpretando canções que ficaram marcadas nas vozes de Astaire e Judy. Outro nome que também foi homenageado pela dupla foi Stephen Sondheim, no espetáculo “Sondheim Tonight“, de 1997, que tinha em seu repertório clássicos do compositor, como “Send in the clowns“.

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Claudia Netto e Claudio Botelho em “Na Bagunça do Teu Coração”

No ano seguinte, os dois protagonizaram o espetáculo pelo qual ainda são lembrados até hoje: “Na Bagunça do Teu Coração“, de João Máximo e Luiz Fernando Vianna, e com direçao de Bibi Ferreira. Ao som do melhor de Chico Buarque, Claudia e Claudio viviam as desventuras de um casal nas indas e vindas do amor. Dois anos depois, a dupla celebrou uma década de parceria com o espetáculo “Musicais in Concert”. Ainda em 2010, a atriz participou de outra montagem de sucesso, ao som de Sondheim: “Company“.

Mas nem só de cores internacionais foi pintada a aquarela que é a carreira de Claudia Netto. Em 1999, a atriz viveu Dircinha, uma das irmãs Batista do musical biográfico “Somos Irmãs“, um sucesso considerado um marco na cena teatral carioca. Outro espetáculo com tons nacionais presente em sua carreira é “Império“,(2006) de Miguel Falabella. Ambientado no Primeiro Reinado, personagens da corte luso-brasileira ganharam corpo e voz da interpretação de Claudia, Stella Miranda, Alessandra Verney, Ester Elias e outros nomes que fizeram história no teatro musical brasileiro.

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Claudia com o figurino de Anna, em “O Rei e Eu”, de Jorge Takla

Três anos mais tarde Claudia veio a fazer parte de outro grande sucesso da Broadway em terras nacionais: o desbocado “Avenida Q“, no papel da divertida “Japaneuza”. Em 2010, Claudia entra para o elenco da versão brasileira de “The King and I“, de Rodgers and Hammerstein, onde tem a oportunidade de trabalhar com outro diretor de renome no teatro musical, responsável por trazer de volta à cena paulista vários clássicos: Jorge Takla.

Cada diretor tem seu jeito de dirigir, seus caminhos. Poder ter sido dirigida por nomes tão competentes como Takla, Charles Möeller, Miguel Falabella, só me preenche e me faz crescer como atriz e ser humano“, comenta Claudia.

O ano de 2011 chegou para ela com novos desafios. A convite novamemte da dupla Möeller Botelho, Claudia dá vida à um ícone da música e do cinema: Judy Garland, em “Judy Garland – O fim do arco-íris“. A peça, do inglês Peter Quilter, contava os últimos dias da cantora que ficou conhecida eternamente pela adorável protagonista de “O Mágico de Oz“, Dorothy Gale. Neste trabalho, a atriz dividiu espaço com o novato Igor Riclki e outros dois grandes nomes brasileiros: Paulo Gracindo Júnior e Francisco Cuoco, que entrou no fim da temporada substituindo Gracindo Jr. Sua atuação rendeu uma indicação ao prêmio Shell de Melhor Atriz no ano seguinte. Em 2012, Claudia comemorou 50 anos com o show solo “Mulheres de Musical“, com um repertório que passeava pelos compositores que tanto foram presentes sua carreira, como Chico Buarque e os irmãos Gershwin.

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Judy Garland sem dúvida foi um marco em minha carreira. Mas eu também gostaria de ter a oportunidade de viver nomes como Edith Piaf e Norma Desmond, de ‘Sunset Boulevard‘”, confessa a atriz.

Atualmente, no palco, Claudia presta homenagem a outra mulher. Em “Se Eu Fosse Você – O Musical“, ao lado de seu parceiro de cena e todo o elenco, a atriz interpreta músicas da rainha rock brasileiro, Rita Lee, que costuram a trama da adaptação.

“Rita Lee é um ícone de nossa cultura. Sempre fui fã dessa mulher incrível, cantava e dançava suas canções. Muitas memórias da minha vida estão ligadas a suas canções. É um privilégio poder cantá-las em um espetáculo teatral”.

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2 Respostas para “Como Claudia Netto fez história no teatro musical

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