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Bate-papo com Charles Möeller

Charles Moeller e Claudio Botelho (Foto: Divulgação)
Charles Möeller e Claudio Botelho (Foto: Divulgação)

Com mais de 30 espetáculos no curriculum, Charles Möeller é um dos nomes que integram o panteão do teatro musical brasileiro, ao lado do seu inseparável parceiro de trabalho, Claudio Botelho. Atualmente em cartaz com “Todos Os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos”, o diretor celebra os louros da sexta produção inspirada na obra compositor, e dos projetos futuros, que incluem também uma estreia internacional na Broadway: “Black Orpheus”, adaptação da peça “Orfeu da Conceição”, de Vinicius de Moraes em parceria com Tom Jobim.

Além de “Black Orpheus”, a dupla ainda possui outros musicais em processo, e entre eles, já em fase de planejamento, estão “Kiss Me Kate”, que será estrelado por José Mayer; a mais recente sensação da Broadway, “Pippin”, com participação de Totia Meirelles, o clássico “O Homem de La Mancha, e “Dancing Days”, produzido em parceria com Nelson Motta. Recentemente também foi anunciada a produção de “Os Saltimbancos Trapalhões”, baseado no filme de mesmo nome, com versão de Chico Buarque, e que terá no elenco a dupla Renato Aragão e Dedé Santana.

“Ao todo temos cinco projetos encaminhados, mas nós já trabalhamos até com sete trabalhos ao mesmo tempo. Os cinco devem sair, mas acredito que até o fim deste ano nós conseguiremos apresentar três”, conta Charles Möeller em entrevista ao B!

Experiência e vigor não faltam ao diretor, e seu trabalho mais recente, em cartaz no Teatro Clara Nunes, bateu o recorde ao ser produzido em pouco mais de um mês. “Todos Os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos” pode ser considerado uma pérola entre os muitos musicais produzidos pela dupla Möeller Botelho, não apenas pelo refino com que foi desenhado, mas também pela confiança depositada pelo próprio Chico nas mãos dos “Reis dos Musicais”.

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Charles Möeller (Foto: Grazy Pisacane)

“É o maior orgulho da nossa carreira ter a carta branca do Chico para produzir esse espetáculo, e ter o mesmo produtor dele como responsável pelo CD do musical. Ele não costuma liberar nada para ninguém, mas para nós, permitiu que usássemos o nome dele no título do nosso musical. Esse trabalho nós faríamos agora ou só mais tarde, pois ele estava previsto para março de 2014, mas em meados de novembro do ano passado, nós tínhamos os atores que queríamos a nossa disposição e a produção conseguiu adiantar a nossa estreia para janeiro. Foi quando começou a correria e conseguimos transformar 90 dias em 35 dias e o que era para ser feito em seis horas passou para 12”, relembra o diretor.

O enredo da peça usa as canções do compositor para contar uma nova história, e apresenta Carlos, vivido por Claudio Botelho, como dono de uma companhia de teatro mambembe, que começa a se esquecer das suas memórias, recontadas ao público em tom de dúvida, sem deixar claro se elas aconteceram realmente ou se são frutos dos devaneios do personagem. O cenário, desenvolvido por Charles em parceria com Rogério Falcão, apresenta traços expressionistas com linhas retas, transmitindo atemporalidade justamente para contrastar com a temporalidade dos figurinos de época do elenco, composto por Renata Celidônio, Lilian Waleska, Davi Guilherme, Malu Rodrigues, Felipe Tavolaro, Soraya Ravenle e Estrela Blanco, ao lado de Claudio Botelho.

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Cena de “Todos os musicais de Chico Buarque em 90 minutos” (Foto: Cláudio Martins)

Apesar do sucesso de seu trabalho, Charles recorda-se dos tempos em que musicais tinham plateias rasas, e relata o que deseja para as produções deste ano, ao mesmo tempo em que opina sobre a atual fase do teatro musical brasileiro.

“Eu costumo brincar que quando eu e o Claudio começamos a trabalhar com teatro musical no Brasil, nós estávamos na ‘abertura do delta do rio Nilo’. Naquela época vivíamos o afã dos musicais biográficos, um movimento que está muito forte hoje no país. Eu espero que em 2014 as dramaturgias sejam mais ricas, que contem historias mais inovadoras e não fiquem batendo na mesma tecla do ‘cover’. Não tenho nada contra os biográficos, mas uma cidade não precisa ser feita só de imitadores. Eu acredito que é fundamental também arriscar histórias novas. O musical não pode ser uma demanda de sucesso. Isso não é apenas uma questão do diretor, mas o produtor também precisa querer fazer um trabalho maduro e não ficar só no mesmo ofício da questão mercadológica”.

Veja também: Musicais Americanos são tema de curso ministrado pela dupla Moeller Botelho no RJ

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Cláudio Martins

Há mais de 10 anos, Fundador do A Broadway é Aqui! Jornalista com especialização em Marketing

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