“Crazy For You”: por dentro da coletiva

Fotógrafo colaborador: Mare Martin

Aconteceu na tarde de ontem, 26, no Teatro do Complexo Ohtake Cultural, em São Paulo, a coletiva da última grande estreia do ano, “Crazy For You”, o clássico espetáculo da Broadway baseado no livro de Ken Ludwig, que faz referência ao musical de Guy Bolton, “Crazy Girl”, de 1930, mas também intercala o repertório com músicas de várias outras produções.

Vencedor do Tony de Melhor Musical, em 1992, a trilha que tem letras de Ira Gershwin, ganha um destaque especial por ser inteiramente composta por George Gershwin e incluir sucessos como “I Can´t Be Bothered Now” (de A Damsel in Distress), “Someone To Watch Over Me” (de Oh, Kay!), “Slap That Bass” (Shall We Dance), “I Got Rhythm” (Girl Crazy), “Nice Work If You Can Get It” (também de A Damsel in Distress) e “Naughty Baby”.

Claudia Raia e Jarbas Homem de Mello são os protagonistas dessa comédia romântica musical, que conta a história de Bobby Child, um playboy de Nova York que é enviado a Pedra Morta, uma pequena cidade, para fechar o teatro local, mas ao chegar nela se apaixona por Polly, filha do dono. A trama se desenrola quando, a partir daí, eles decidem juntos montar um espetáculo para evitar a falência do lugar. Conheça um pouco mais sobre seus personagens:

►Polly

Claudia

“A Polly originalmente é uma mocinha sem graça, caipirinha, e a gente nunca viu a Polly dessa maneira, nem eu, nem o Possi, nem o Miguel Falabella, nem Marconi, nem o Namatame (risos). Não funciona no Brasil, as pessoas não entendem esse código, fica uma personagem mais frágil e menos comédia, e esse espetáculo é uma grande comédia romântica, é muito engraçado, e o Miguel trouxe um humor que chega arrebatando o publico, porque chega perto da gente, da nossa realidade. Então, na nossa versão, a Polly passou a ser uma mulher, que pela própria história dela – que a gente não mudou nada -, foi criada por homens, ela é a única mulher naquele lugarejo, Pedra Morta, e ela é uma mulher chucra, masculinizada… Da onde eu trouxe isso? Vem muito de Campinas, da minha essência, vem muito do meu cunhado, Fernando, meu diretor de produção, que é de Amparo, ele é praticamente a Polly, mas no fundo no fundo tem uma ingenuidade no coração, que é maravilhoso, uma propriedade, é muito bonitinho. Busquei nele e nas minhas essências do interior. Sou do interior e tenho isso dentro de mim, uma coisa crédula. Eu fui criada sem assinar nada, a minha palavra é que contava e até hoje é assim, embora o mundo não seja. Foi daí que descobri a Polly, fomos descobrindo um figurino, uma voz, porque na verdade essa partitura é uma soprano e sou contralto. Marconi deu a volta ao mundo, ele e minha voz, não tirando a masculinidade, usando os meus graves, sem mudar os tons originais. Ficou uma figura interessante, a gente acha que acertou, vamos ver se o público aprova”, diz Claudia.

►Bobby Child

jarbas“Eu comecei a me preparar em outubro, eu voltei a sapatear, fazer aulas de balé, eu sabia que ia ter que mudar meu corpo, eu tive esse tempo porque sabia que ia fazer esse personagem, trabalhei diariamente, arduamente, e ele tem uma voz também muito diferente da que fazia no Cabaret, na verdade eu uso duas vozes, tem hora que ele se traveste do papel que o Tumura faz. Aqui a gente fala de amor, o amor constrói, a gente vai construindo o espetáculo e ele vai ficando cada vez mais solar, mais feliz e mais alegre. Diferente do Cabaret, meu personagem, o Bobby, não trabalha com cinismo, com mentira, com sarcasmo, isso não existe nesse personagem, ele trabalha com outras emoções, outra maneira de ver a vida, como alegria, felicidade, o amor, a ingenuidade, o jocoso, a brincadeira… Eu sou muito do interior, mas a gente não tem nada parecido, ele é filho de um banqueiro e eu sou filho de um leiteiro (risos)”, diz Jarbas.

Com estreia marcada para essa semana, o espetáculo que é produzido em parceria com Sandro Chaim e com a Coarte conta com um elenco formado por 26 talentosos atores, cantores e bailarinos, e o diretor José Possi Neto, que depois de Cabaret repete a parceria de sucesso com Claudia, conta um pouco sobre o seu envolvimento geral.

Possi“Quando peguei esse espetáculo a primeira vez eu falei: “nossa, a peça é bobinha”… Aí a gente vai mergulhando e vê que não, ela é fruto de um espírito americano que acreditava num novo mundo, se passa no final da primeira guerra mundial, a primeira grande guerra, violentíssima, e ela desperta essa febre de viver, de encontrar um sentido pra vida e acima de tudo ela é um hino de amor ao teatro, um desejo louco e ensandecido de estar no palco, de cantar e dançar, na primeira musica que o Jarbas canta, ele já fala disso.
Eu sempre fui um apaixonado por musical, comecei esse trabalho acreditando essencialmente no valor do ator, eu me inspiro nos atores que eu tenho e eu vou trabalhar com eles, descobrir o perfil deles, para que eles emprestem a persona deles para o personagem, que é teórico, tá ali escrito, é ideia de um autor. Eu não acredito no processo da uma pessoa chegar e imitar valores de um personagem, ele precisa descobrir uma forma de raciocinar através dele, então ele começa a emprestar a alma dele para o papel. A gente trabalha com improvisações, o ensamble não é cover, a gente desenvolve um personagem para cada um, e nesse espetáculo foi muito interessante porque a coreografia é inteira dramaturgia. Os passos não são passos de dança, não são simplesmente códigos de dança. Esse é um espetáculo de amor, estamos crescendo e se descobrindo juntos, a plateia quer se divertir, ela quer sonhar, mas ela quer qualidade, e eu encontrei uma parceira maravilhosa, quase um espelho”, finaliza Possi – se referindo a Claudia Raia.

Regado a muito sapateado e bom humor, “Crazy For You” tem a direção-geral de José Possi Neto, co-produção de Claudia Raia (também responsável pela compra dos direitos), versão brasileira de Miguel Falabella, coreografia original da Susan Stroman, ensaiada pela americana Angelique Ilo e com ajuda da coreógrafa residente, a sapateadora Chris Matallo, cenografia de Duda Arruk, figurino de Fábio Namatame, iluminação de Wagner Freire, direção musical do Maestro Marconi Araújo, e músicas de George Gershwin.

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Veja o álbum completo em nossa fanpage!

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