Diego Luri: do jornalismo para o pântano de Shrek

Ele é carioca, ator, cantor, jornalista e atualmente, além de passar a maior parte do tempo com a pele verde, vem sendo reconhecido como um ogro por onde passa… Ele é Diego Luri e de quinta a domingo é também Shrek, no palco do teatro carioca João Caetano.

Foto: Arquivo Pessoal

Foto: Arquivo Pessoal

Formado na área da Comunicação Social, Diego nunca deixou de exercer a profissão, tentando alinhá-la a suas rotinas paralelas, ele se quer chegou a considerá-la uma segunda alternativa, e conta como aconteceram suas escolhas, seus primeiros passos, e as etapas que construíram sua trajetória e o levaram a chegar aonde chegou…

Eu sou formado em Jornalismo. Na verdade, não era pra ser um plano B. Eu realmente queria fazer Jornalismo e amo a profissão, mas a paixão pelos palcos acabou me fazendo voltar pro teatro e o jornalismo atualmente acaba ficando um pouco em segundo plano, embora eu ainda faça trabalhos como freelancer. Desde o segundo período já estagiava como repórter de um programa cultural exibido no Canal 11 da NET Rio (UTV). Depois fui trabalhar em uma agência de notícias voltada ao setor de Energia Elétrica, chamada Canal Energia, e pouco depois comecei a apresentar o programa Vida e Missão, que começou a ser exibido na Band Rio e depois passou para a CNT. Atualmente, ainda sou webreporter para a Rede TV e gravo eventualmente o programa Vida e Missão quando consigo conciliar com a agenda de Shrek”.

Atuando em diversas áreas, ele até consegue tomar partido de um dos lados e optar pela carreira que mais lhe traduz e faz bem, mas não descarta absolutamente nenhuma chance de se arriscar em algo novo, além de se mostrar bastante disposto e disponível a conhecer…

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

“Minha grande paixão mesmo é pelos palcos, mas quem está na chuva é para se molhar (risos). Não descarto oportunidades que possam surgir em outros meios. Sou cantor mesmo antes de ser ator, se for considerar o tempo que já faço isso. Profissionalmente, no entanto, o canto veio depois. Eu sou apaixonado por tudo o que envolve interpretação e música. Vamos ver o que vem por aí. Sei que ainda tenho muito caminho a percorrer”.

…E no meio desse caminho, Diego fez parte de um projeto paralelo bastante interessante, chamado “Réus Confesso”, que envolvia basicamente música e dança, além de outros nomes conhecidos do teatro musical e ele relembra essa sua passagem por ele:

“O Réus é um grupo vocal pop com arranjos modernos e uma pegada bem jovem. Foi idealizado pelo regente Guilherme Héus e acabou tendo uma atividade mais intensa do que se esperava. Eu entrei alguns anos depois. Fiz apresentações variadas com eles, incluindo palcos e flashmobs. Nas apresentações em televisão, infelizmente, não pude estar presente. Mas foi uma experiência incrível. Também foram integrantes outros atores-cantores de musicais, como Aurora Dias (Quase Normal), Rafael de Castro (Quase Normal), Pedro Arrais (O Mágico de Oz), Thadeu Torres (Dzi Croquettes), entre outros”.

Apesar da vida conciliada e sua paixão declarada, Luri acabou percebendo que pendia positivamente para o lado dos palcos, foi quando seu envolvimento com a arte falou mais alto e se encarregou de inverter os papéis, fazendo com que ele deixasse de procurar para ser procurado, de entrevistar para ser entrevistado, de ir atrás para ser encontrado…

“Sempre fui apaixonado por teatro musical. Mas, embora eu até pudesse sonhar com isso, nunca imaginei que seria possível um dia eu fazer parte desse universo. Tudo começou quando eu ainda estava estudando interpretação na CAL. Um amigo meu, Arthur Rozas (O Mágico de Oz – SP), me ouviu cantando e, a partir de então, me incentivava constantemente a correr atrás de audições. Comecei fazendo audições para musicais menores e acabei passando. Fiz alguns deles até chegar ao Shrek…”.

Foto: Cláudio Martins

Foto: Cláudio Martins

Desde o dia 14 de dezembro (2012) ele vem dando vida ao ogro mais bem humorado do cinema e trabalhando sua veia humorística ao garantir boas risadas em cena, e ele relata com detalhes, como foi sua preparação para o teste, as etapas, e como foi receber a resposta de aprovação, que o deixou muito feliz pela oportunidade…

“Foi a minha segunda grande audição. A primeira foi para a temporada carioca de O Mágico de Oz, para a qual acabei não passando. Fiz a audição meio despretensiosamente, almejando no máximo passar para o coro. Marquei Shrek na ficha de inscrição por ser o personagem com o qual eu mais me assemelhava em perfil. Mas desde a primeira fase – eu fui saber depois – eles já começaram a me ver como uma possibilidade para o personagem. Todas as outras etapas já foram focando no Shrek. Músicas, cenas, etc. Mesmo na quarta fase do teste, eu ainda achava que era uma possibilidade remota. Inicialmente, me informaram que eu tinha passado para ser sub do Shrek. Eu já tinha ficado imensamente feliz, pela responsabilidade que é substituir algum grande nome. E, na época, eu ouvia muitos boatos dos nomes que estavam sendo cotados para o personagem. Quando algum tempo depois o Diego Ramiro (diretor), me ligou dizendo que eu seria o próprio Shrek, eu nem sabia direito o que dizer. Eu agradeci e ri. O Diego ouviu a risada e disse algo como: “To com a intuição de que escolhi bem, você tem a risada do Shrek”. Eu tremia com a notícia. Na hora, liguei pra minha mãe, pra minha namorada na época e pra minha professora de canto, Patrícia Evans, que tinha me preparado pra audição… Mas a ficha só caiu mesmo quando fui pra São Paulo, pra sessão de fotos e pra coletiva de imprensa”.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Como todo ator, Diego recorreu a algumas referências clássicas, buscou alternativas funcionais para assimilar cada detalhe, cada característica, usou de cada opção de associação, tudo para que sua interpretação ficasse fiel ao que todo mundo já conhece e espera, mas com um toque de pessoalidade, permitido pela liberdade criativa do espetáculo… E sobre esse processo e sua preparação, ele explica:

“Eu assisti bastante ao longa de animação, mas a construção acabou sendo bastante modificada durante o processo, o que é muito comum. Aos poucos, fomos percebendo que quanto mais o personagem se aproximasse de mim, mais legal ficaria. Eu já tenho naturalmente uma voz impostada, então acabo não precisando modificar tanto. O andar foi bem baseado no filme, mas não fazemos tão desenhado pra ficar mais realista. Agora, no teatro a preparação é bem simples, eu só procuro poupar a voz, porque seis sessões semanais são bem puxadas, ainda mais com quase dez quilos de figurino sobre o corpo e próteses pelo rosto inteiro. Oito horas de sono são fundamentais em véspera de apresentação, pra garantir que minha voz esteja limpa. Hidratação e fisioterapia também são importantes nesse processo”.

Quando perguntado sobre as dificuldades que encontrou para viver o personagem, a resposta se divide entre a parte técnica e emocional dele, do que precisa ser realmente transparecido para a plateia…

“Acho que encontrar o tom exato. O Shrek é um ogro, naturalmente assustador, mas ele não é mau. Pelo contrário, tem um coração gigantesco. A grande questão é que ele foi abandonado pelos pais aos sete anos de idade, porque essa é a cultura dos ogros, de acordo com a estória. A partir de então ele passou a viver sozinho. Só depois de adulto é que começa a descobrir valores como amizade e amor. E até ele entender como isso funciona dentro dele, ele acaba sendo meio grosso e estabanado. Viver essa complexidade emocional não é fácil. Na verdade, a cada sessão descubro mais um pouco sobre a personagem”.

Bastante envolvido com seu atual trabalho, Diego faz uma análise sobre tudo, aponta os detalhes que mais gosta na produção e chega até a encontrar semelhanças entre ele e Shrek:

O Shrek é quase um retrato meu (risos). Eu sou MUITO estabanado. Temos muito em comum… A forma de muitas vezes não demonstrar sentimentos e ao mesmo tempo ser altamente sentimental. É, acho que esse é o maior ponto… O espetáculo é lindo como um todo. São muitos efeitos, muitas cores, muita música. Não sei se tenho um momento preferido, mas tendo que escolher um eu optaria pela primeira cena do segundo ato, em que o Shrek e a Fiona discutem sobre quem sofreu mais na vida. Depois é um festival de peidos e arrotos… Eu me divirto bastante nessa cena. A minha música preferida sem dúvidas é ‘Um Outro Eu’ (Who I´d Be). Poética, cheia de emoção e, ao mesmo tempo, grandiosa”.

Mas… Essa sua ligação com o teatro musical vai além do pântano, talvez hoje em dia não exista um ator que não pense em trabalhos futuros e não idealize alguns personagens, o que com Luri não é diferente, e como ele não se apega a uma única resposta, abre sua lista de opções e preferências:

“Uau! São tantos musicais maravilhosos… Tantos personagens incríveis… Difícil optar. Não elejo personagens, mas alguns musicais que gosto muito são ‘Rent’, ‘Wicked’, ‘Les Misérables’, ‘Spring Awakening’… Amo também as músicas de ‘Once’. Enfim… São muitos. Sei que logo depois de responder a esta entrevista vou me lembrar de tantos outros que poderia ter citado”.

Com tantos planos e tantos desejos, fica claro que Diego tem sido movido por seu lado “ator de teatro musical” e que tem lidado muito bem com os prós e contras da louca rotina de um, prova disso é a forma como consegue conciliar todo o resto e ainda se divertir, em meio a falta de tempo:

“É meio complicado. Faço peça de quinta a domingo, mas nos outros dias tenho cursos, e também preciso resolver questões pessoais. Afinal, também pago contas, vou ao mercado, etc. (risos). Mas meu tempo livre acabo ocupando com amigos, indo ao teatro, cinema, barzinho, ou reuniões informais na casa de um ou outro. O importante é relaxar, porque de quinta a domingo o cansaço é extremo. Shrek, embora maravilhoso de se fazer, é uma maratona diária”.

Maratona que por sinal, não vai acabar tão cedo… O musical que deve encerrar sua temporada no Rio de Janeiro em maio, se prepara para seguir para São Paulo, integrando o time de estreias do segundo semestre. Sucesso, a plateia tem reagido bem ao musical, que não atrai apenas o publico infantil, o que surpreende, e sobre isso, Diego fala de sua experiência até o momento e de suas novas expectativas para a temporada paulistana:

“O público está respondendo super bem. Tenho recebido um carinho muito grande das pessoas que vão assistir. E, por incrível que pareça, o retorno maior é dos adultos e não das crianças. Elas ficam às vezes um pouco assustadas e tímidas. Mas fico feliz que tanto trabalho tenha resultado em um retorno positivo do público. É claro que a gente nunca consegue agradar a todos, mas tenho recebido um retorno muito positivo do público em geral. Espero que o espetáculo faça tanto ou mais sucesso em São Paulo do que no Rio. As expectativas são sempre as melhores. O musical tem tudo pra conquistar também o público paulista”.

Veja aqui, fotos do processo de caracterização de Diego Luri!!

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Uma resposta para “Diego Luri: do jornalismo para o pântano de Shrek

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