André Torquato, um corajoso talento

Em junho ele completará 20 anos, sendo que durante os últimos cinco, vem escrevendo uma história de muito sucesso, com uma trajetória profissional brilhante, onde no momento, ele se destaca por sua pouca idade e seu excesso de talento. André Torquato conversou com “A Broadway é Aqui!” e contou um pouco sobre suas experiências no teatro musical…

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Natural de Brasília, André descobriu que tinha o dom para o teatro ainda criança, ao participar de um Curso de Verão em uma escola de música, onde subiu ao palco pela primeira vez atuando na clássica ópera de Bizet, “Carmem”; Após cinco anos, participou de um projeto musical baseado nas canções clássicas da Disney, realizado pela Associação de Livres Espetáculos de Brasília (Alebra), um grupo voltado para a divulgação do gênero na cidade, e foi a partir daí que seu envolvimento com o teatro musical decolou, dando uma guinada em sua vida – que por conta disso, acabou passando por algumas mudanças e adaptações… E é sobre tudo isso que ele começa contando em nossa entrevista, sobre essa fase e sua descoberta:

Desde que eu me entendo por gente, meu sonho sempre foi fazer Teatro Musical. Comecei a cantar com sete anos, e um ano depois fui assistir a montagem brasileira de Les Misérables. Foi paixão à primeira vista. A partir desse momento comecei a estudar diretamente para TM (Teatro Musical) e com 15 anos passei no teste para fazer um dos filhos do Capitão Von Trapp em A Noviça Rebelde. Fui morar com meu primo (e atual professor de canto) Rafael Villar em São Paulo, deixando minha família em Brasília. Depois disso fiz “Gyps”, “As Bruxas de Eastwick”, “Priscilla, a Rainha do Deserto” e agora “O Mágico de Oz”.

Os passos dados…

Para encarar tudo isso, André passou por cursos de teatro, aulas de canto com o maestro Marconi Araújo, sapateado com Flavio Salles, e aulas de dança, como ballet clássico, jazz, street e hip hop com a professora e dançarina Fernanda Fiuza, um processo de dedicação e estudos que contribuiu para que ele se sentisse bastante preparado para estrear em grande estilo nos palcos da “Broadway brasileira”: em parcerias muito bem sucedidas com a dupla Charles Möeller Claudio Botelho.

A história começa com a “A Noviça Rebelde”, em 2008, onde viveu o filho mais velho da família Von Trapp, FriedrichEm 2010 foi para o Rio de Janeiro, atuar e sapatear em “Gypsy” como o personagem Tulsa; Em 2011 integrou o elenco de “As Bruxas de Eastwick” no papel do garoto Michael, e garantiu boas críticas com a cena de Dançar com o Demônio, onde cantava, dançava e impressionava… Dessa forma, ele foi ganhando espaço e reconhecimento dentre os mais admirados, caindo assim nas graças dos aficionados por teatro musical.

André como Felícia (Foto: Divulgação)

André como Felícia (Foto: Divulgação)

Mas tudo se intensificou ainda mais em 2012, depois de viver divinamente o jovem Adam, ou melhor dizendo, Felícia, uma das três mais famosas drag queens da dramaturgia, onde ao lado de Luciano Andrey e Ruben Gabira, protagonizou pela primeira vez um musical: “Priscilla, Rainha do Deserto… Com uma atuação digna de derrubar todos os queixos na platéia, especialmente durante a cena em que sua personagem canta a ópera “Follie! Delirio Vano È Questo!”, em cima de um sapato gigante sob o teto de Priscilla,  sem dúvida André deu o seu recado. A proposta claramente desafiadora e que ele acertou em cheio ao aceitar, teve uma temporada de sucesso que durou nove meses, mas que não o cansou! O jovem além de talento, ainda tem de sobra coragem…!

Com menos de dois meses após o fim do musical e basicamente nenhum descanso, André deixou as roupas glamourosas e as plumas de lado, para dar lugar às palhas e ao look retalhado do mais famoso Espantalho, seu atual personagem em “O Mágico de Oz”. E sobre essa louca rotina, de emendar um espetáculo no outro, o que consequentemente acaba adiando alguns de seus planos paralelos e pessoais , ele diz:

“Emendar espetáculos é o sonho de qualquer ator de TM. Para aqueles que não têm uma segunda profissão, como eu, não emendar significa desemprego. Confesso que venho tentando parar um pouco para focar nos estudos, planejo uma viagem para NY faz um tempo, mas não consigo ir por conta de trabalhos irrecusáveis, mas depois do “Mágico” vou conseguir realizar essa vontade louca que tenho de estudar TM nos EUA”.

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André como Friedrich (Foto: Divulgação)

Colecionando personagens bastante diferentes desde 2008, como todo artista André tem suas inspirações, e que contribuem positivamente para a construção de cada papel, mas dentre as suas, destaca uma em especial:

“Tive o prazer de trabalhar com a maravilhosa Tânia Nardini no “Priscilla”. Quero ser igual a ela quando crescer!”

Muito aplaudido e aclamado pela crítica, André vem sendo considerado um dos maiores destaques do gênero nessa nova geração, uma feliz revelação que o tempo e as experiências vem fazendo amadurecer e convencer, mas sobre esse “título”, seguramente ele discorda:

Penso que é uma grande baboseira. Revelação deixa de ser revelação, promessa deixa de ser promessa, a expectativa que isso traz é péssima, tanto pra mim quanto para os outros. Prefiro ficar com os pés no chão e não me acomodar. Sempre buscando me renovar e desafiar”.

André como Tulsa (Foto: Divulgação)

André como Tulsa (Foto: Divulgação)

Já incluso em um time de estrelas, o ator sabe que está arriscado a receber os mais diversos convites e fazer os mais variados papéis, e é bastante comum encontrar atores que idealizem alguns, mas com André é diferente… Hoje, quando perguntado sobre isso, ele diz não ter vontade de participar de um musical especifico ou dar vida a algum personagem em especial, tudo parece ser bem vindo quando ele se limita a responder o que realmente quer fazer: Personagens que me desafiem. Só isso”… E apesar de sua profissão ser ampla e lhe permitir conhecer outras áreas, ele se mostra com os pés no chão, e com uma certa autocrítica saudável ao analisar como se sente:

“Como artista, minha função é transformar as pessoas. Por meio da arte, plantar uma ideia na cabeça de cada pessoa na plateia. Quero continuar fazendo isso, seja cantando, dançando ou atuando. Mas, antes de me aventurar por outras áreas, prefiro estudar mais, para não ser pego de surpresa”.

O caminho até Oz…

André como Espantalho (Foto: Fék Benvenuti)

André como Espantalho (Foto: Fék Benvenuti)

André mal tinha se despedido do deserto australiano quando a oportunidade de trilhar a estrada de tijolos amarelos apareceu. A proposta tentadora surgiu através de um telefonema, que trazia um convite especialmente direcionado e que ele conta como foi:

“Algumas semanas antes do fim de “Priscilla” recebi uma ligação da Tina Salles (Coordenadora Artística do ‘Mágico’) me dizendo que o Pierre não poderia ir com o espetáculo para São Paulo e que o Charles queria muito que eu o substituísse na temporada paulista. Não houve teste nenhum (Graças a Deus, odeio teste!). Topei na hora”.

Em outra ocasião, comentou sobre o fato de não gostar muito de audições, e de ainda se deixar envolver por certo nervosismo – até hoje, mas claro, sem deixar de reconhecer a importância do processo para a escolha de um elenco em perfeita sintonia:

“A questão da audição não tem jeito, a nossa profissão depende disso, mas ninguém se acostuma nunca, é sempre um novo desafio, você se pondo a prova, aquelas pessoas te assistindo, te julgando, não tem como não ficar nervoso”.

Foto: Grazy Pisacane

Foto: Grazy Pisacane

Quem pôde conferir a performance de André como Felicia, deve estar curioso para vê-lo como o Espantalho, personagens tão diferentes, com expressões faciais e corporais avessas e ao mesmo tempo, com uma essência semelhante, a do sonho e sua realização; Mas essas variações são comuns, fazem parte do processo de “desprendimento” e transformação, com quem demonstra se entender muito bem:

“Praticar o desapego faz parte da vida de qualquer ator. Não só do personagem, mas dos amigos, da produção, da plateia, do teatro, de tudo. Claro que uns são mais difíceis de desapegar do que outros, que é o caso do “Priscilla”, mas eu saí do espetáculo com uma sensação de missão cumprida tão boa que me deu mais vontade ainda de procurar outra história pra contar. Realmente, a Felicia e o Espantalho são muito diferentes, mas é assim que eu gosto. Desafio atrás de desafio!”.

Mas ainda que o desapego seja posto em prática diariamente, a cada nova produção e novo personagem, e sem muita alternativa, essas experiências sempre deixam algo de si e se somam entre elas…

“Com cada personagem a gente aprende muito pra toda a vida. Você acaba aproveitando tudo em todos os outros personagens. Se eu for citar um aspecto comum da Felicia e do Espantalho é a superação que ambos conseguem durante a peça”.

Bastante diferente da postura ereta e do andar desfilado de sua personagem anterior, ele encara agora o desafio de deixar tudo isso para trás e se jogar na total falta de coordenação ou de etiqueta do seu homem de palha. Como tudo aconteceu de forma muito rápida, André teve cerca de um mês para se preparar, e conta um pouco sobre as dificuldades que encontrou e como foi sua rotina de preparação e composição, vocal e corporal, para vivê-lo:

“A preparação varia de espetáculo pra espetáculo, tem uma preparação básica de teatro musical, onde você tem que chegar duas horas antes, fazer um aquecimento corporal normalmente em grupo, e aí cada um vai pra sua preparação. Como o espantalho tem um trabalho de corpo muito pesado, sempre tenho que fazer antes um aquecimento, pra evitar ter algum machucado. // A ‘frouxidão’ do corpo do Espantalho é muito difícil de executar, principalmente pra mim, que tenho uma veia explosiva muito grande. Pensar nas articulações ajuda e também, em alguns ensaios, eu preferia marcar (não dar 100%) as coreografias, porque se eu fizesse com muita energia, saia da forma. A questão da voz é peculiar também, não é bem um sotaque, já que Oz é um mundo fantasioso, portanto não tem um aspecto regional, mas tem uma certa moleza no jeito de falar que também foi bem difícil de me acostumar”.

(Foto: Divulgação)

Foto: Divulgação

Tão complicada quanto a questão da desenvoltura, é também a da maquiagem, que apesar de ser menos trabalhosa que a de uma drag queen, não deixa de ser bem elaborada, até porque existem dois makes devido aos atores começarem o espetáculo interpretando seus respectivos personagens do interior, antes do ciclone passar e tudo se transformar…

 “É uma troca rápida, a peça começa em Kansas e depois vai pra Oz, onde cada um vira seu personagem, e depois tem aquela super troca clássica de teatro musical, de cinco minutos, em que você tem que estar completamente pronto”.

O clássico que é conhecido por sua história lúdica, mas que mescla o sonho com a realidade, além de eternizar a importância de se descobrir e redescobrir os melhores sentimentos do ser humano, faz dele um texto atual desde 1939, o que de acordo com André, é muito bem transparecido pelo espetáculo.

“O Mágico de Oz em geral passa uma mensagem muito bonita de poder interno. O quarteto (Dorothy, Espantalho, Homem de Lata e Leão) busca alguma coisa que sentem que está faltando, e para consegui-la tentam encontrar alguém com o poder de suprir essa falta. No final da história, acabam descobrindo que tudo que eles precisavam estava dentro deles e que o poder necessário para alcançar o seu desejo está dentro de cada um de nós”.

Na história, seu personagem vai ao encontro do mágico para lhe pedir um “cérebro”, pois acredita que por ser de palha seja vazio, mas durante a aventura, ele se mostra inteligente e capaz, e quando André é questionado sobre ter algo que gostaria de pedir ao grande Oz, bem humorado ele responde: “A Paz Mundial (risos). Brincadeira… Na verdade, ia ser bom se fosse a Paz Mundial mesmo, mas eu acho que não pediria nada. Prefiro correr atrás dos meus desejos sozinho…”.

►Foto da Home, by Oliver Tibeau

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