As várias faces de André Dias

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André Dias como “Emmanuel”, no filme “Chico Xavier

Ele já trabalhou em várias peças,  fez participações na TV e cinema, como na microssérie “Chico Xavier”, criada pela Rede Globo, e até já dirigiu shows da Disney no Brasil. Mas foi no teatro musical que André Dias fez seu nome. Após o fim da temporada carioca de “Quase Normal”, em que interpretou os médicos “Dr. Madden e Dr. Fine, André engatou outro trabalho na peça “A arte da Comédia”, do dramaturgo italiano Eduardo de Filippo, que discute a função do teatro na sociedade. Foi em uma pausa antes de uma dessas sessões que A Broadway é Aqui! conversou com o ator, no Teatro Maison De France, relembrando os incríveis trabalhos de sua carreira.

André começou a trabalhar profissionalmente no teatro aos 16 anos, em 1991, no musical infantil “A princesa de Élida”, dirigido por Fábio Pillar. Neste período teve contato com Sueli Franco, Ana Verdi, Jorge Maia, Silvio Ferrari, José Mauro Brant, nomes que se destacavam na classe teatral na década de 1990. Para o ator, essa experiência foi marcante e o levou a escolher o teatro como profissão. Em 1993 André entrou para a UniRio, onde se formou em Artes Cênicas e Teoria e Percepção Musical no ano de 1997.

A música sempre permeou os trabalhos do ator, que lembra a dificuldade durante os anos 1990 para encontrar homens que pudessem cantar, atuar e dançar. “Na década de 1990 você não tinha elenco preparado para fazer musical no país. Existiam muitas cantoras boas, bailarinas, atrizes, mas encontrar elenco masculino capaz de fazer isso era difícil. Poucos homens cantavam e eram sempre as mesmas pessoas que se destacavam, como Jorge Maia, José Mauro Brant, Claudio Botelho. Quem cantava tinha emprego na época”, relembra André.

O boom dos musicais no Brasil

andre-normalA facilidade natural para lidar com a  música despertou o interesse de André Dias pelos musicais, não apenas pelo prazer, mas como uma forma de manter os seus instrumentos de atuação apurados. Ele relembra que sempre houveram oportunidades nas peças para cantar um coro, executar um pequeno número de dança e essas oportunidades acabaram motivando uma pesquisa técnica como forma de aperfeiçoamento.
“Fazer musical é uma lição de disciplina. A cada noite você tem uma prova atlética de duas horas e meia e é preciso fazer alguns sacrifícios. Você não pode sair toda noite, você tem que praticar atividade física, você não pode beber, não pode fumar, não pode falar alto demais”, constata o ator
Após complementar sua formação com aulas de dança e canto, veio a primeira oportunidade de participar de uma montagem do tipo “Broadway” no Brasil. Em 1999, a Companhia Interamericana de Entretenimento, (antiga CIE e hoje T4F) realizou audições para a apresentar “Rent” em São Paulo.. André participou da seleção e entrou para o elenco no papel de Angel. Para o ator, Rent foi um termômetro com o propósito de descobrir se o negócio dos musicais tipo “Broadway” iriam vingar no Brasil e a resposta foi o sucesso desta montagem.

Carreira em ascensão

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Em seguida sucederam-se outros trabalhos com grandes nomes do teatro brasileiro. Em Rent, André teve contato com Tania Nardini, diretora do espetáculo no Brasil. Bibi Ferreira e Cininha de Paula são outros destaques com quem o ator também teve oportunidade de trabalhar e trocar ideias. Mas uma companhia montada em São Paulo por Gabriel Villela no início dos anos 2000 ele considera uma experiência memóravel em sua carreira.

“Eu gosto muito de fazer musical brasileiro e com o Gabriel eu fiz dois trabalhos de pesquisa muito interessantes sobre a obra de Chico Buarque. Nós montamos a Ópera do Malandro e Gota d’Agua, tudo dentro de um esquema próprio criado por ele, em que realizávamos exercícios como máscara neutra, canto e dança. Foi um intenso workshop em um ritmo que ia das 10h até as 19h”.

Em 2002, o ator retornou ao Rio de Janeiro para participar do musical “Elis, a estrela do Brasil”, dirigido por Diogo Villela, em que fez o papel do coreógrafo Lennie Dale. No ano seguinte, de volta a São Paulo, André deu vida ao Leão Covarde no espetáculo o Mágico de Oz, encenado na Via Funchal, São Paulo, pelo Grupo Pão de Açúcar, com mais de 60 atores em cena. Outro espetáculo nacional que marcou a sua carreira foi “Rádio Nacional”, que entrou em cartaz em 2006 sob direção de Fábio Pillar e supervisão de Bibi Ferreira.

“É impressionante como existe uma carência cultural nesse país, como as pessoas gostam de ouvir o que é nosso. Em ‘Rádio Nacional’, musical que relembrava sucessos do extinto canal, a casa esteve sempre lotada e ficamos em cartaz durante um período de quase três anos, entre idas e vindas do Rio de Janeiro a São Paulo”, afirma André.

O “Qs” de sua carreira: “Avenida Q” e “Quase Normal”

Sem sobra de dúvida, “Avenida Q” é um dos musicais pelos quais André é mais lembrado. O convite veio por parte de Möeller & Botelho em 2009 e trouxe também os primeiros grandes protagonistas em um musical para sua carreira (os bonecos Princeton e Rod). O ator recebeu indicações para os prêmios Shell e APTR na categoria de Melhor Atuação Masculina.

“Na época houve uma preparação especial não só de manipulação de bonecos, mas também de uma forma própria que o musical exigia, porque mesmo coordenando os movimentos os fantoches, nós estávamos em cena o tempo inteiro e não podíamos simplesmente nos anular para a plateia”.

Já “Quase Normal” era um projeto em conjunto de André Dias com Tadeu Aguiar, no período em trabalharam junto nos musicais “Baby” e“Era no tempo do Rei”, espetáculo que rendeu a André Dias o prêmio APTR de Melhor Ator Coadjuvante em 2011. A princípio, Tadeu iria atuar como Dan, o pai, e André faria o papel do filho Gabe, mas após assistir o musical na Broadway reconheceu que não se sentiria bem encaixado neste personagem. Foi quando Tadeu decidiu digirir a peça e André encontrou o seu lugar no papel dos médicos que cuidam da problemática mãe Diana, Dr Madden e Dr Fine.

“Quase Normal um espetáculo musical, que me interessa com ator, porque não é só mais um espetáculo da Broadway é uma peça que fala da realidade. É nesse teatro que eu acredito, que toca e transforma as pessoas. Foi isso que me atraiu na época a fazer “Rent”, nos anos 1990, a geração que cresceu sem poder se envolver por causa da ameaça da Aids. A geração cresceu sem entender que a sua própria arte não poderia pagar as suas contas. Em “A arte da comédia”, onde eu tenho o prazer de atuar com Ricardo Blat, discute-se o valor do teatro como um poder político e social”

Planos para 2013

vingancaAlém de dar continuidade a temporada de “A arte da comédia”, em que vive o eficiente Giácomo, Secretário de Gabinete do novo prefeito de uma pequena cidade italiana, e estrear em São Paulo “Quase Normal”, André tem um novo projeto em vista. Ele irá digirir o musical “Vingança”, baseado nas crônicas de Lupicínio Rodrigues, que contará com a participação de Anna Toledo (reponsável pela concepção e roteiro do projeto)  André Marqui, Sérgio Rufino, Jonatas Joba e direção musical de Guilherme Terra. O espetáculo entrará em cartaz em São Paulo, produzido pela Morente Fortes em abril deste ano

Finalizando, André afirma que mesmo tendo feito sucesso em musicais, não se consideram um profissional exclusivo do gênero: “Em primeiro lugar eu não me considero um ator de musical, eu me considero um ator. Musical é um gênero, como a comédia, o drama. Eu me identifico muito com o gênero, eu acredito que o cantar e dançar colabora e muito para a performance do ator. Mas como artista, eu ainda tenho muita coisa que eu quero fazer”.

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Uma resposta para “As várias faces de André Dias

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