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A caminho da Broadway, “Orfeu Negro” vira “Black Orpheus”

Não é de hoje que as pessoas afirmam – sem medo – que o Brasil vem conquistando seu lugar no mundo do Teatro Musical. Nesta última década, São Paulo já ganhou o nome de “nova Broadway” ou “Broadway brasileira” quando fazem referência aos talentos que estão sendo descobertos e as ricas produções que são montadas aqui. O crescimento evolutivo foi tanto que atingiu justamente a quem mais poderia interessar, atravessou barreiras e agora promete conquistar o mundo lá fora. Eis que Charles Möeller e Claudio Botelho subiram mais uns degraus em busca da plena realização profissional e do clássico “sonho americano”.

Depois da notícia de que a dupla transformaria o premiado filme nacional “Cidade de Deus” em musical, os novos diretores criativos da GEO Eventos apresentaram sua nova parceria; Será a vez de “Orfeu Negro” ganhar os palcos… Mas não os brasileiros… Escrita por Vinicius de Moraes, a lendária história de amor de Eurídice e Orfeu inspirada na mitologia grega, será representada no exterior, com toda sua forma abrasileirada e moderna, adaptada ao cenário do sertão nordestino, das favelas e do carnaval do Rio de Janeiro.

Baseado no texto “Orfeu da Conceição”escrito em 1954, sua trilha sonora foi lançada em 1956, em vinil, com letras de Vinicius e musicada por Antônio Carlos Jobim, e nasce aí a primeira montagem, encenada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e com cenários de Oscar Niemeyer. Desde então, o romance vem ganhando diferentes formatos, como o cinema. A primeira versão aconteceu em 1959, chamada de “Orfeu Negro”, o filme ítalo-franco-brasileiro teve direção do francês Marcel Camus e o roteiro adaptado por Camus e Jacques Viot, foi vencedora de 3 grandes prêmios, mas se destacou especialmente por ter ganho o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1960 – o único até hoje.

Após 16 anos de sua estreia no teatro, “Orfeu Negro” foi montada mais duas vezes no Rio de Janeiro, em 1972. A segunda montagem teve como palco a quadra do Renascença Clube, localizado no bairro do Andaraí e a terceira, que ganhou mais ousadia, aconteceu no Teatro Tereza Raquel, em Copacabana, com o patrocínio da Letra S.A. Com a direção de Haroldo de Oliveira, o elenco era composto por atores negros profissionais como Zezé Motta e Zózimo Bulbul, e complementado com pessoas comuns, frequentadoras do clube. O cenário foi assinado pela arquiteta Vera Figueiredo e a música pelo maestro Paulo Moura, que regia uma orquestra de músicos iniciantes.

E a mescla entre palcos e telas continuou… A segunda versão chegou aos cinemas em 1999, intitulada apenas de “Orfeu”, teve a direção de Cacá Diegues e a trilha sonora ficou por conta de Caetano Veloso.  No elenco, o cantor Toni Garrido, conhecido por ser vocalista do grupo Cidade Negra, se destaca com o papel principal, o par romântico Patrícia França, e conta também com Zezé Motta, que depois dos palcos, reviveu a experiência com as filmagens.

Mas o tempo nunca parou para a obra de Vinícius, que após 41 anos ganhará versão em inglês e sem dúvida será rica em efeitos e detalhes, o que promete sacudir os ânimos dos aficionados por musicais. Os direitos de “Black Orpheus” foram adquiridos pelo americano Stephen C. Byrd, responsável pelas recentes produções de “Um Bonde Chamado Desejo” e “Gata em Teto de Zinco Quente”, também montadas com atores negros. Ele pretende escolher atores e cantores brasileiros para os papeis principais – a fim de passar mais veracidade à montagem – e ainda que ele diga que não começou a levantar dinheiro com os investidores, a ideia é estrear em Londres em 2013, coincidentemente no ano do centenário de Vinicius de Mores, e chegar a Broadway na temporada de 2014Com isso, naturalmente espera-se que novas portas se abram, sendo todas voltadas para os talentos que temos e que nada deixam a desejar aos elencos das montagens mundo a fora. Sendo assim, só nos resta torcer para que seja um sucesso e que um dia os nossos palcos possam recebê-la também!

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