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Uma experiência “Quase Normal”

Quase Normal é um must. Mesmo se você não curte musicais.

Ontem, dia 28, depois de muito lutar com a minha agenda, eu consegui assistir à “Quase Normal“, versão brasileira de Next to Normal, assinada por Tadeu Aguiar e Eduardo Bakr. Antes da estreia do musical aqui no Brasil, fizemos uma entrevista com a dupla, dando alguns detalhes sobre o espetáculo. Mas ontem, todas as expectativas foram superadas. Uma coisa é imaginar, outra coisa é ver. 

O cenário é muito legal e bastante versátil, atendendo a todas cenas perfeitamente. Vanessa Gerbelli é incrível. Vê-la cantando foi uma experiência muito interessante, ela realmente tem uma voz bonita. Depois de ver como ela tirou de letra as notas mais graves, o ápice para mim foi no segundo ato, em “So Anyway”, canção que marca a despedida de Diana e Dan. Quando ela atingiu a nota mais aguda da música e eu ouvi a sua voz ecoar pelo teatro, acrescentou aquele 1% que faltava para dar  100% a ela. E atuação dela é ótima, em alguns momentos, eu chegava a tremer diante da veracidade que ela transmitia nas cenas. Vanessa, para você os meus sinceros parabéns!

Carol Futuro é outra revelação, pois a “cantriz” consegue superar a superficialidade do seu papel de adolescente problemática, Nathalie, segunda filha de Dan e Diana. Na verdade, os comentários da atriz ao lado de Victor Maia (Henry, namorado de Nathalie) nos fazem rir e muito na peça. A química entre os dois é incrível e Victor Maia traz um pouco de sol ao drama cinzento da família Goodman. Cristiano Gualda, que interpreta Dan, o devotado marido, nos emociona. E a afinação do cantor é ótima, perfeita. Virei fã do cara! 

Olavo Cavalheiro encarna o misterioso filho que persegue a família como um fantasma. O ator é bem jovem, mas já esteve presente em outras montagens de espetáculos conhecidos internacionalmente, como uma apresentação única de Sweeney Todd  na Casa de Artes OperÁria e na montagem nacional de “Baby”, também da Estamos Aqui Produções Artísticas. O rapaz está evoluindo bastante, eu só acredito que ele poderia ser um pouco mais incisivo, controlador, menos tímido na interpretação do papel. Eu estranhei não haver nenhuma reação depois de sua interpretação de “I’m Alive” (“Sou Real”), mas com certeza não foi por causa de sua atuação. Eu fui a uma sessão das 18h, onde com certeza eu poderia dizer que 60% a 70% do público eram de senhores e senhoras. E que talvez não conhecessem nem sombra dessa incrível canção.

André Dias é outro excelente cantor, experiente. A canção “Who’s Crazy/ My Psypharmacologist ganhou uma tradução muito legal. Em alguns momentos, fica difícil de compreender, mas meu amigo, até a versão em inglês fica um pouco incompreensiva devido a velocidade da música. O número de dança entre Vanessa Gerbelli e André Dias nesta canção foi ótimo, sexy e atraente. O mesmo eu digo da sequência de “Maybe”, a química entre Vanessa e Carol é profunda nesta parte da peça, eu ouvi várias pessoas “engolindo” o choro, além de ver os olhos das duas atrizes brilhando em lágrimas. Outro momento da atuação de Vanessa que eu gostei  muito e não envolve nenhuma canção foi quando Diana reencontrou Dr. Madden para dizer que vai encarar os seus problemas sozinha, sem o auxílio de terapia ou medicamentos.

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A direção musical de Liliane Secco merece nota 10. A música está perfeita, mais do que complementando cada cena, dando vida ao texto. E o cenário permite ainda que você veja os músicos em alguns momentos do show.  Os efeitos também foram muitos emocionantes, como na hora em que Dan limpa o show de sua casa, retirando o sangue deixado por sua esposa em uma tentativa de suicídio. A omissão da imagem da ação de Diana tentando tirar a própria vida, substituída por seu marido com um pano ensanguentado enchendo um balde traz um efeito estético muito interessante e comovente para quem tiver mente aberta para compreender. 

Todo o trabalho está incrível e os brindes da lojinha nem se fala!  O programa custa apenas R$ 10,00 (está muito acessível, já paguei R$ 25,oo e até mais por programas de outros musicais. As camisetas ficaram muito legais e o brinde que eu achei mais criativo foi o porta-remédios do musical (R$ 10,00!Tudo haver). “Quase Normal” é um must. Se você é fã de musical, vai ficar maravilhado com o espetáculo, que te faz sair do teatro refletindo sobre a sua relação com a família ou sobre a ética no tratamento médico, drogas na adolescência, enfim uma variedade de temas sérios, escondidos por trás de belas melodias. Se você é apreciador de um bom drama, vai ser pego pelo maravilhoso texto da peça. Parabéns a toda equipe!

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