Entrevista com os produtores da versão brasileira de Next to Normal

Entre os muitos ensaios, a dupla Eduardo Bakr e Tadeu Aguiar encontrou um tempinho para conversar sobre “Quase Normal“, versão brasileira de “Next to Normal“, um dos musicais mais esperados pelo público fã do gênero teatral do Brasil. A dupla da Estamos Aqui Produções é responsável por sucessos como a montagem nacional de espetáculos de “Baby” e produções originais como “4 Faces do Amor”  e “Esta é nossa canção“. 

A  Broadway é Aqui!:  Qual é o principal desafio de montar Next to Normal no Brasil? 

imagesEduardo Bakr: Há uma expectativa muito grande não só do público brasileiro, mas também de quem trabalha com teatro ver uma montagem nacional de Next to Normal no país. Compramos os direitos há dois anos e o maior desafio para nós é apresentar um espetáculo que atenda a essa ansiedade dos fãs brasileiros de musicais. 

Tadeu Aguiar
Tadeu Aguiar

Tadeu Aguiar: É um espetáculo que todo mundo queria fazer, mas ninguém comprou os direitos. Enfim, quando conseguimos comprar, foi um sonho. Quando eu via peça pela primeira vez, não tinha certeza se a gente teria capacidade de montar esse musical. Até eu ia fazer parte como ator.  Depois eu desisti, porque eu sou tão apaixonado pela peça, li tanto sobre o assunto que eu acho que sirvo melhor a essa produção dirigindo de atuar. 

B!: Como está sendo a adaptação da versão nacional? 

Eduardo: É um trabalho de ourives, as vezes você acha a palavra certa, mas tem que mudar todas as rimas. O trabalho do Tadeu foi muito árduo, paciente e minucioso para chegar ao resultado  final. E, pelo menos do meu gosto e pelo o que eu tenho percebido das pessoas, está estabelecendo a comunicação de forma muito tranquila e intensa, como é o espetáculo.  A montagem daqui tem muitos elementos que diferem, mas também muitos que a aproximam da original.  Também contamos com a colaboração de uma equipe médica nos auxiliando a lidar com as questões de medicina ligada aos problemas que a protagonista e sua família enfrentam. 

Tadeu: Como o Eduardo disse, nós compramos os direitos há dois anos e logo em seguida começei o trabalho de tradução. E até hoje o trabalho continua. À medida que assisto ao espetáculo, eu penso, “essa palavra não ficou boa” ou, às vezes “a palavra ficou boa, mas o resto da música ficou horrível”.  Então começo a mudar toda a tradução novamente Eu cheguei a virar a noite pensando em uma estrofe. Mesmo sendo uma peça com texto original em inglês bem coloquial, é um espetáculo vencedor do prêmio Pulitzer, não se pode fazer uma tradução qualquer.  O musical fala também de um assunto que é muito importante, a bipolaridade. Então, para continuar o trabalho é preciso  você encontrar termos médicos e referências equivalentes no Brasil. Eu li muito na internet sobre o assunto para encontrar as palavras mais adequadas em português. O trabalho de tradução deve continuar até a última apresentação do espetáculo. 

B!: Houveram audições para o musical? 

Tadeu: Não. Eu acho que teatro  a gente tem que fazer com a nossa “tchurma”.  Todas as pessoas que estão envolvidas já trabalharam conosco anteriormente.  Na televisão, os diretores não escolhem os seus elencos?  Eu acredito que acho que teatro deve ser feito com as pessoas que você conhece e acredita. Por isso todas os atores foram convidados a participar do musical.  

B!: A princípio, Totia Meireles estava escalada para atuar no papel de Diana Goodman, a protagonista, mas devido a problemas com a agenda, precisou sair. Como vocês chegaram à Vanessa Gerbelli? 

Eduardo: Foi uma sorte, eu acho que a Totia  defenderia muito bem o papel de Diana, mas a Vanessa está brilhante, ela é um furacão no palco e canta muito bem! 

Tadeu: Quando  pensamos em montar essa peça, não procuramos inicialmente cantores. Queríamos atores que fossem capaz de transmitir toda a emoção do show. No momento em que Totia alegou que não poderia participar por conta de motivos profissionais, nós pensamos: E agora? Precisamos  de uma atriz que tenha uma atuação forte exigida pela protagonista. E a Vanessa, além de tudo isso, cantam muito bem, como todos os outros atores do elenco. O público que a viu em “Emilinha e Marlene” vai se surpreender quando a assistir a ela no cantando no palco. 

B!: O que vocês podem falar da música de Next to Normal? 

Tadeu: A  música é agradável para quem gosta de rock, mas qualquer espectador entra no clima desse musical. É uma peça que leva o espectador por muitas emoções. É engraçado como o nosso baterista reconhece muitas referências à bandas conhecidas, como The Police. São canções com melodias muitas ricas e orquestração extraordinária, não é à toa que o show ganhou o prêmio Tony de Orquestração. Há combinação de guitarra de violoncelo, violão com baixo  e violino. A mistura foi muito bem feita, criando uma harmonia muito bonita, apesar de coisas estranhas e dissonantes que acontecem durante o espetáculo. 

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No geral, o que o compositor fez foi colocar todas as emoções escritas nas melodias. Tanto o texto quanto a música levam o ator a perceber qual o tipo de emoção que deve ser usado em cada cena. Embora a gente tenha feito um estudo de cada personagem, cada ator uma pré-história para cada um deles, a melodia e o próprio texto levam o ator a identificar a emoção de cada momento. O espetáculo é muito bonito, porque vem quase pronto. Evidentemente a gente empresta o nosso talento, entendimento e a nossa alma latina. Eu acho o musical aqui mais quente do que lá fora, porque somos latinos, a gente sente as coisas com mais intensidade. 
Eduardo: Por mais que o espetáculo tenha, musicalmente falando, uma pegada muito jovem, acho que vai atrair também muitos adultos. Há uma pegada muito forte de grupos como U2, Deep Purple, criando uma identidade com as pessoas mais maduras. E entre os senhores, a identificação se dá por conta das questões das profundas que o musical aborda. Eu costumo brincar, dizendo que não é um musical de “gente penteada”, é uma peça sobre gente. É um espetáculo pra quem gosta de musical e pra quem não gosta  do gênero. Quem não curte costuma reclamar da superficialidade dos musicais, mas Quase Normal não tem nada superficial, é tudo muito intenso. 
Da esquerda para direita: Victor Maia, André Dias, Christiano Gualda, Vanessa Gerbelli, Carol Futuro e Olavo Cavalheiro

B!: Além do apelo jovem da música, Quase Normal é um espetáculo bem “família”. Como vocês acham que será a reação do público? 

Eduardo:  A gente tem a sorte de o espetáculo tratar da vida de uma família e nós brasileiros, vivemos em família. Eu acho que é uma peça que, se não te pega pelo braço, te pega pelo pé. O musical faz com o que espectador traga a história para a sua vida. Se você não se identifica com mãe, se identifica com o pai, ou com os filhos, ou com o Henry, o namorado que vê a situção do lado de fora. E você abaca percebendo que tem muita gente “quase normal” ao seu redor. Mesmo quando  a gente ouve falar da história, parece que está muito longe de nós, mas quando a gente vê, está dentro da gente. Já foi o tempo que o brasileiro assistia peças apenas pela curiosidade da ver um espetáculo norte-americano. Agora não, o público quer ver algo com que se identifique e leve uma discussão para depois. Quase Normal se encaixa perfeitamente nisso porque todo o ser humano que é retratado no palco tem uma fragilidade com a qual nos identificamos. 

Quase Normal estreia no próximo dia 12 de julho, no Teatro Clara Nunes, bairro da Gávea, no Rio de Janeiro. Tadeu Aguiar assina as versões, traduções e a direção geral do espetáculo. Eduardo Bakr é responsável pela produção geral, ao lado de Norma Thiré (direção de produção), Ney Madeira (figurino), Flávia Rinaldi (diretora assistente e coreógrafa) Edward Monteiro (cenografia), Fernando Fortes (design de som), Liliane Secco (direção musical). A composição de Next to Normal é de Tom Kitty e o texto e letras são de Brian Yorkey.

Mais informações no site da Estamos Aqui Produções ou na fan page de Quase Normal.

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Autor: Cláudio Martins

Editor do A Broadway é Aqui! - MTB - 0039321/RJ

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