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Vitor Rocha estreia “Epifania – Uma Fábula Moderna”, musical sobre criatividade e os desafios da vida contemporânea

Com músicas de Marco França e sete artistas multi-instrumentistas em cena, espetáculo chega ao Teatro Estúdio em 28 de outubro para temporada até dezembro.

O dramaturgo e diretor Vitor Rocha retorna aos palcos com uma nova criação autoral, “Epifania – Uma Fábula Moderna”, musical que estreia no dia 28 de outubro, no Teatro Estúdio, em São Paulo, onde permanece em cartaz até 17 de dezembro, com apresentações às quartas e quintas-feiras. Com texto, letras e direção assinados por Rocha, composição e direção musical de Marco França e direção de movimento de Fabrício Licursi, a produção reúne sete atores multi-instrumentistas para contar uma história que combina fantasia, música e reflexões sobre criatividade, solidão e as relações humanas em uma sociedade cada vez mais conectada. Realizado pela Encanto Artístico Produções e pela Girassol Produções, o espetáculo parte de uma inquietação contemporânea: a necessidade constante de produzir, alcançar resultados e encontrar uma finalidade para tudo, inclusive para aquilo que nasce da imaginação.

A narrativa acompanha Filipa, interpretada por Luiza Porto, uma compositora que, justamente quando se depara com uma oportunidade capaz de transformar sua carreira, enfrenta um bloqueio criativo que a impede de continuar fazendo música. Determinada a recuperar seu talento, ela embarca em uma jornada ao lado de seu vizinho Valério, vivido por Diego Rodda, atravessando um universo fantástico que os conduz às origens de todas as coisas, quando ainda não existiam histórias, ideias ou criações. Nesse caminho, os personagens encontram as misteriosas Primas, interpretadas por Anna Toledo, Marília Lopes e Aline Cunha, figuras responsáveis pelas primeiras criações e que assumem um papel fundamental na tentativa de Filipa de compreender o que perdeu e reencontrar sua própria essência.

Enquanto a protagonista procura respostas para seu dilema, o musical também se desenvolve a partir das divergências entre dois narradores, Verso e Fábula, interpretados por Marco França e Laura Castro. Responsáveis por conduzir a história, eles discordam sobre a melhor maneira de contá-la: um prefere avançar diretamente para os acontecimentos considerados essenciais, enquanto o outro defende a importância dos detalhes, da fantasia e do tempo necessário para construir uma narrativa. A dinâmica estabelece um diálogo entre forma e conteúdo, transformando o próprio ato de contar histórias em parte da dramaturgia e aproximando o universo lúdico da montagem das discussões sobre a velocidade com que informações e conteúdos são consumidos atualmente.

A relação entre criação e produtividade também orienta a concepção musical do espetáculo. Além de interpretar seus personagens, os sete integrantes do elenco se revezam em diferentes instrumentos ao longo da apresentação, participando diretamente da construção sonora da narrativa. Com composições e arranjos de Marco França, a trilha original alterna canções, momentos instrumentais e pausas que permitem explorar diferentes possibilidades de expressão. A proposta se estende à linguagem visual, com uma encenação que utiliza o vazio como ponto de partida para a construção de ambientes e imagens diante do público, acompanhando o processo criativo que atravessa toda a história.

O novo trabalho representa um momento particular na trajetória de Vitor Rocha, que chega ao seu décimo espetáculo de autoria encenado e volta a apresentar uma criação inteiramente própria após um período dedicado à retomada de produções anteriores e ao desenvolvimento de projetos em outros formatos. A identificação do dramaturgo com a história de Filipa também está relacionada às inquietações que acompanharam o desenvolvimento do musical, especialmente às dificuldades, expectativas e contradições que fazem parte do processo de criação artística.

“Eu acho que eu nunca fiz um espetáculo tão pessoal na minha vida. É a minha cabeça aberta ali no palco, nessa história. O meu processo criativo visto de dentro”, afirma Vitor Rocha, ao comentar a relação entre suas experiências e a narrativa construída para a montagem.

A ideia que deu origem ao espetáculo começou a surgir em janeiro de 2026, a partir da concepção das Primas, mas foi nos meses seguintes que o projeto ganhou forma como uma nova produção musical. O desenvolvimento da dramaturgia e das canções se concentrou especialmente em agosto, período em que Rocha e França trabalharam na construção da obra, posteriormente ampliada pelas contribuições dos artistas durante os ensaios. O processo colaborativo também se reflete na composição do elenco, formado por profissionais que transitam entre interpretação, música e outras áreas da criação artística.

Ao abordar temas como hiperconexão, excesso de estímulos, medo de estar perdendo alguma experiência e busca permanente por reconhecimento, “Epifania – Uma Fábula Moderna” propõe uma reflexão sobre as contradições da vida contemporânea sem apresentar a tecnologia como responsável por todos esses conflitos. Em vez disso, a obra utiliza a jornada de sua protagonista para explorar o que acontece quando a necessidade de corresponder às expectativas externas começa a comprometer a relação das pessoas com seus próprios desejos, com o tempo e com aquilo que verdadeiramente as motiva.

Com patrocínio da Refúgios Urbanos e apoio da Mais Coluna, o musical estreia em 28 de outubro e segue em cartaz no Teatro Estúdio até 17 de dezembro. Os ingressos estão disponíveis pela Sympla, com valores a partir de R$ 60.

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SERVIÇO:

Epifania – Uma Fábula Moderna

Onde: Teatro Estúdio
Rua Conselheiro Nébias, 891, Campos Elíseos, São Paulo (SP)
Quando: De 28 de outubro a 17 de dezembro de 2026
Quartas e quintas-feiras, às 20h
Quanto: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia-entrada)
Vendas: https://bileto.sympla.com.br/event/127008
Classificação: Livre

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