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Em ritmo de lançamento nos cinemas, atores do musical ‘Cats’ relembram papéis na montagem brasileira

Prestes a completar 10 anos da estreia no país, nomes do elenco relembram seus personagens, preferências e desafios

Recém lançado nos cinemas, a adaptação cinematográfica de ‘Cats’ desperta nos fãs do clássico de Andrew Lloyd Webber a lembrança da montagem brasileira do musical, que em 2020 completa uma década de sua estreia. A produção cumpriu temporada no icônico Teatro Abril (atual Renault), palco de tantas superproduções que, assim como esta, integra a chamada ‘Golden Era’ dos musicais brasileiros.

Assim como no filme, a história dos gatos Jellicles era marcada nos palcos por muita dança – com um trabalho de corpo desafiador – e uma trilha sonora especial, incluindo ‘Memory’, que já recebeu mais de 150 regravações nas vozes de grandes estrelas.
Ao todo 38 atores-bailarinos cantavam as canções versionadas pelo compositor Toquinho, dirigidas musicalmente por Miguel Briamonte e regidas pelo Maestro Paulo Nogueira, ao mesmo tempo em que mexiam cada músculo do corpo com as coreografias de Richard Stafford, também diretor do espetáculo, no Brasil representado pela residência de Floriano Nogueira.

Para a adaptação nas telas, o diretor do longa, Tom Hooper, escolheu um time de artistas multifacetados, o que inclui personalidades conhecidas de diversas áreas como a música, a televisão, o palco e claro, o próprio cinema. Já a montagem teatral brasileira centrou basicamente suas escolhas em grandes nomes do teatro musical brasileiro, entre eles Saulo Vasconcelos, que deu vida ao Old Deuteronomy, Sara Sarres como Jellylorum, Cleto Baccic como Run Tum Tugger e Andrezza Massei, que não estava em cena como personagem, mas era imprescindível para o espetáculo na função de Pit Singer. O quarteto, que voltou a contracenar junto em ‘A Madrinha Embriagada’ alguns anos depois,  bateu um papo exclusivo com o B! para relembrar os tempos em cartaz e já entrar no clima para reviver momentos saudosos no cinema.

Cena da montagem brasileira de ‘Cats – O Musical’ | Foto: Dede Fedrizzi

B!: Qual sua melhor lembrança de Cats?

Saulo Vasconcelos: A minha melhor lembrança de ‘Cats’ é o elenco, o elenco era sensacional. Eu particularmente tinha uma impressão de que eu não ia gostar muito de fazer o espetáculo, porque quando eu assisti, em Londres no ano de 1997, foi um dos espetáculos que eu menos gostei porque achei o elenco meio de saco cheio e aquilo me deixou uma impressão muito ruim, mas o elenco do Brasil fez com tanta vontade, era uma galera tão unida, tão bacana, que pra mim era um destaque… A gente tinha muito prazer de se encontrar e fazer aquela peça. Então foi muito, muito gostoso trabalhar com esse elenco especificamente.

Sara Sarres: Cats’ foi uma temporada muito feliz, sem sombra de dúvidas a mais divertida da minha vida. Lembro com muito carinho dos nossos ensaios, da primeira vez que fizemos um corrido completo na tenda, as aulas de ballet antes do espetáculo… Tudo era leve e muito divertido. Mas acho que o momento mais memorável foi o nosso último “Ball” (o baile, cena do 1º ato) da temporada. É a coreografia mais complexa, com todos os gatos em cena e todos dançaram como se nunca mais fossem dançar na vida. Nos despedimos como gatos. Foi intenso e emocionante.

Cleto Baccic: Nossa, acho que não saberei escolher apenas uma, vivi momentos tão especiais, superei tantos desafios… Eu diria que simplesmente ter feito parte de ‘Cats’ mudou a minha vida.

Andrezza Massei: O que mais gostava de ver era a transformação dos atores na hora que entravam no palco!! Todos os movimentos extremamente coreografados e pensados para que o público esquecesse que eram pessoas e entrasse no universo dos gatos. E quando a música entrava, a magia se completava!!!

B! Quais foram os grandes desafios de integrar o elenco?

Saulo Vasconcelos: Os grandes desafios do meu personagem era dançar o primeiro número – que eu quase tinha um infarto do miocárdio (risos) -, aguentar o calor quando o ar condicionado do teatro não funcionava, porque era uma roupa muito, muito, grossa, pesada – uns sete a dez quilos, mas quando você via num contexto, ficava duas horas com ela, era muito cansativo e os ombros ficavam bem doídos – e o trabalho de corpo para se mover como um gato, um gato gordinho em cena, porque ele era bem gordinho.

Sara Sarres: Dançar. E muito!

Cleto Baccic: Foram muitos, realmente. A começar pelo processo de audição que durou cerca de seis meses. A dificuldade técnica é altíssima em ‘Cats’. Todos os dias eu achava que seria demitido ao final do ensaio (risos)! Uma coisa é ser bailarino, outra coisa é ‘querer ser ou parecer um’, o que é meu caso. Eu tive mesmo que me superar, sobretudo quanto ao medo de não corresponder às expectativas dos diretores. Eu e o Jhean Alex, que fazia o Mr. Mistoffelees, chegávamos bem antes do horário marcado só para poder estudar mais um pouco.

Andrezza Massei: Eu era pit singer, que atua como se fosse o ‘recheio vocal’ do espetáculo. Por ser um show baseado na dança, era muito importante esse complemento para que os atores tivessem segurança de que todos os detalhes vocais – como as dinâmicas por exemplo – seriam bem executados durante as coreografias. Ficávamos literalmente em uma cabine fora do palco, com visão para o show e para o maestro, e executando todas as canções de conjunto somando vozes com o elenco. 

Sara Sarres como Jellylorum na montagem brasileira do musical | Foto: Dede Fedrizzi

B! Qual era sua cena e/ou canção preferida?

Saulo Vasconcelos: Minha cena preferida era o final do primeiro ato, que chama-se ‘Ball’, que é o baile dos Gatos, um número de coreografia de oito minutos. Eu nem fazia parte, eu ficava sentado em um pneu lá no fundo, porque teoricamente o meu personagem era um ancião, então já não tinha condição de se mover – e graças a Deus, porque eu não precisava dançar – e eu amava esse número. E a minha canção preferida é claro que é a minha canção, que ele fala do valor e da importância de ser um gato, de qual as características de um gato que devem ficar claro que fazem os gatos criaturas tão especiais e também ‘Memory’ – eu já tinha enjoado porque todo mundo canta, todo mundo já gravou, mas depois que eu ouvi ela em português eu voltei a me apaixonar por essa canção.

Sara Sarres: Amava fazer a sequência da cena do gato do teatro. Gus, the theatral cat, onde me transformava na gata branca sapeca, Griddlebone.

Cleto Baccic: Claro que vou dizer que todas as do Tugger e Mr. Mistoffelees, né? Morrendo de saudades só de lembrar… Mas eu também adorava o número de abertura. Todo o elenco em cena. Era mágico!!!!!

Andrezza Massei: Gosto muito e me emociono sempre com a música Memory, cantada pela personagem Grizabella. É uma canção icônica pra quem trabalha ou é fã de musicais, e já foi cantada por grandes artistas em seus shows solo.

Cleto Baccic como Run Tum Tugger na montagem brasileira do musical | Foto: Dede Fedrizzi

Qual a expectativa para o filme?

Saulo Vasconcelos: Eu tenho gostado muito dessa onda de live-actions que tem rolado. Não sei se é bem nesse formato que enquadraram o filme, mas estou muito ansioso pra ver porque eu assisti a todos os filmes que eu já fiz no palco. Todas as peças de teatro musical que eu fiz e que já rolaram adaptação eu vi no cinema e gostei muito, estou de mente aberta.

Sara Sarres: Estou super ansiosa. Amo o musical e estou louca para me surpreender e assistir algo completamente novo. Estou curiosa também sobre a nova canção, sempre achei que a gata branca merecia uma canção só dela. Não vejo a hora!

Cleto Baccic: Eitaaaa, vou me acabar de chorar! Já fiquei emocionado assistindo ao trailer. Já quero que façam ‘Cats 2’ e me escalem para ser o pai do Tugger porque não tenho mais idade para ser o roqueiro sensual entre os gatos (risos)!

Andrezza Massei: É um show cheio de surpresas e é claro que a expectativa é imensa!! Mas confesso que estou muito curiosa para ouvir as canções e arranjos!! E também para ver a cena final (não vou dar spoiler!!)… É um show inesquecível!!!

Considerando que a produção da Universal Pictures se trata de uma adaptação, o longa apresenta naturalmente algumas mudanças com relação ao que se conhece no teatro, como por exemplo a duração, considerando que o musical tinha 140 minutos de duração contra 110 do longa,  e a escolha da veterana Judi Dench para viver o papel que foi de Vasconcelos em 2010, cujo a missão na trama é ouvir todos os anos as histórias dos gatos Jellicles para poder escolher um que terá a chance de ‘subir’ para uma outra atmosfera, chamada no filme de Paraíso dos Sonhos, e viver uma nova vida. E sobre essa decisão especial da direção, a estrela também de outros grandes musicais como ‘A Bela e a Fera’, ‘O Fantasma da Ópera’ e ‘A Noviça Rebelde’ comenta:

“Mudar o meu personagem para uma mulher não prejudica em absolutamente nada a essência da história, porque a figura de autoridade, liderança, pode ser tanto homem quanto mulher, uma figura de líder espiritual, como é o caso, que traz paz, traz sabedoria, que resolve os conflitos – aliás, inclusive, acho que faz mais sentido que seja feito por uma mulher mesmo, porque nós homens somos os criadores de conflitos, guerras, etc – acho mais do que justo mudar o papel para uma figura feminina no filme, porém, ainda bem que não mudaram no musical, pois assim tive a oportunidade de fazer”, opina Saulo.

Judy Denchi em cena do filme como Old Deuteronomy | Foto: Divulgação

Baseado nos poemas (e nos gatos) de T. S. Eliot, escritos em 1939, ‘Cats‘, que fez sua estreia nos cinemas brasileiros ontem, 25 de dezembro, é estrelado por Jennifer Hudson (Grizabella), Taylor Swift (Bombalurina), Freya Rowley (Jellylorum) James Corden (Bustopher Jones), Rebel Wilson (Jennyanydots), Jason Derulo (Rum Tum Tugger), Idris Elba (Macavith), Ray Winstone (Growltiger), Francesca Hayward (Victoria), Laurie Davidson (Mr. Mistoffelees), os veteranos Ian McKellen (Gus), Judi Dench (Old Deuteronomy) e grande elenco.

Confira nos cinemas! Ingressos AQUI.

Leia também: Adaptação cinematográfica de ‘Cats’ chega aos cinemas no Natal 

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Grazy Pisacane

Jornalista Cultural e Assessora de Imprensa, apaixonada por teatro musical.

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