
Em cartaz no Teatro Sesc Ginástico, o musical “Adorável Trapalhão – O Musical” marca um novo momento na trajetória do ator Rupa Figueira. No espetáculo, que revisita a história de Renato Aragão e a formação de Os Trapalhões, ele dá vida a Mussum, um dos personagens mais icônicos da comédia brasileira.
“É uma responsabilidade enorme interpretar o Mussum. Ele é um fenômeno mesmo após a sua morte e todo mundo conhece, então ao mesmo tempo que tenho a responsabilidade de arrancar a risada do público, também não posso descolar da mimese construída em cima do personagem”, afirma.
Conhecido por trabalhos em musicais como “Meninas Malvadas”, “Jersey Boys” e “Elvis”, Figueira vê no papel uma oportunidade de aprofundar sua atuação na comédia. “Penso que todo ator está em uma constante construção, então acredito que o sentimento é de muito trabalho pela frente, mas também de missão sendo executada. Estar agora frente ao público e podendo sentir a energia, as risadas, faz a gente pensar em quanto o Mussum, e todos da trupe, fizeram, e fazem, todos nós felizes”, diz.
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O processo de construção do personagem também envolveu pesquisa e referências. “Acredito que todo ator comediante preto no Brasil tem um pouco de Mussum dentro de si, não só pelas portas que foram abertas por esse grande artista, mas também pelo material de estudo deixado por ele”, explica.
Para além do humor, o ator também propõe uma leitura mais crítica sobre o legado do personagem. “Ele, para mim, é o maior exemplo dos meios justificarem os fins nesse país. Durante anos acreditava-se que pessoas pretas só sabiam fazer samba e jogar futebol, e para a época, muitas coisas eram comuns, mas olhar pra ele com um viés político nos dias de hoje é também notar que o mundo vem mudando e isso é muito importante”, reflete.

No palco, Figueira divide cena com Rafael Aragão, que interpreta Renato Aragão, além de Thadeu Torres e Vicenthe Delgado. Sobre a experiência em grupo, ele destaca a rápida conexão entre o elenco e relembra o encontro com o próprio Renato Aragão, que participa da produção. “Tivemos a oportunidade desse encontro com ele e foi maravilhoso! O Renato tem um coração muito bonito e o senso de humor muito aflorado! São 91 anos de muita graça e talento!”, comenta.
Em cartaz até 19 de abril, o espetáculo reforça a relevância de “Os Trapalhões” na cultura brasileira e apresenta ao público uma nova leitura de seus personagens, agora revisitados no palco.



