“Minha Estrela Dalva” apresenta encontro imaginário entre Renato Borghi e sua musa
Estrelado por Soraya Ravenle, o ator revisita a trajetória da Rainha do Rádio em montagem que mistura memória, música e reflexões sobre amor, arte e liberdade feminina.

A admiração que Renato Borghi cultiva por Dalva de Oliveira desde a infância é o ponto de partida de “Minha Estrela Dalva”, espetáculo em cartaz no Teatro do SESI-SP, em São Paulo. Interpretando a si mesmo, o ator divide a cena com Soraya Ravenle, que dá vida à cantora, em uma montagem que mistura realidade, ficção e lembranças pessoais para revisitar a trajetória de uma das maiores vozes da música brasileira e refletir sobre temas que permanecem atuais, como o machismo, a exposição pública das mulheres e o direito de escrever a própria história. Com sessões de quinta a domingo no Teatro do SESI-SP, na Avenida Paulista, o espetáculo tem ingressos gratuitos, disponíveis para reserva pelo site do SESI São Paulo.
A peça nasce de uma história real. Aos seis anos de idade, Borghi ganhou da mãe um disco da trilha sonora de Branca de Neve, cuja versão brasileira tinha Dalva de Oliveira como intérprete da princesa. O encontro com aquela voz marcou o início de uma admiração que atravessaria décadas e culminaria em uma amizade entre o ator e a cantora poucos anos antes de sua morte.
Em cena, o espetáculo propõe um encontro imaginário entre Borghi e sua musa. A trama parte de um sonho interrompido pela vida: a ideia de criar um espetáculo revolucionário em que Dalva cantaria composições de Bertolt Brecht e Kurt Weill. A partir desse ponto, passado e presente se misturam em uma narrativa que transita entre a memória afetiva, a fantasia e o teatro.
Soraya Ravenle assume o papel de Dalva de Oliveira quase quatro décadas após integrar o coro de A Estrela Dalva, montagem dirigida por Borghi e estrelada por Marília Pêra em 1987. Agora, ela ocupa o centro da narrativa para retratar não apenas a artista consagrada, mas também a mulher que enfrentou julgamentos públicos, desafios pessoais e as imposições de uma sociedade conservadora.
A encenação também apresenta diferentes momentos da vida de Renato Borghi. Elcio Nogueira Seixas, que assina a direção ao lado de Elias Andreato, interpreta a versão jovem do ator, revisitando o período em que ele iniciava sua trajetória artística entre a efervescência do Teatro Oficina e as transformações culturais do Brasil dos anos 1960. Completando o elenco, Ivan Vellame dá vida aos homens que marcaram a trajetória da cantora, com destaque para o compositor Herivelto Martins. A abordagem amplia o olhar sobre os relacionamentos de Dalva e os conflitos públicos que mobilizaram jornais, emissoras de rádio e a opinião pública durante a Era de Ouro do Rádio.
Longe de uma biografia convencional, Minha Estrela Dalva utiliza uma linguagem poética e onírica para abordar questões que atravessam diferentes gerações. O espetáculo destaca como a cantora foi alvo de campanhas de difamação, ataques à sua vida pessoal e tentativas constantes de controle sobre sua imagem e carreira. Em resposta, transformou dores e enfrentamentos em canções que se tornaram parte da memória afetiva do país.
A montagem propõe ainda uma reflexão sobre o lugar da mulher na sociedade brasileira, estabelecendo paralelos entre o tratamento recebido por Dalva nas décadas de 1940 a 1970 e as formas contemporâneas de julgamento público. Sem idealizar sua protagonista, o espetáculo apresenta uma mulher contraditória, intensa e determinada a não se deixar apagar.
A equipe criativa reúne ainda direção musical de William Guedes, cenário de Márcia Moon, iluminação de Wagner Pinto e figurinos de Fábio Namatame. Entre memória, música e imaginação, Minha Estrela Dalva resgata não apenas a trajetória da Rainha do Rádio, mas também a força de uma artista que transformou experiências pessoais em canções imortais, reafirmando sua relevância para além de seu tempo e apresentando sua história a novas gerações.
SERVIÇO:
Onde: Centro Cultural Fiesp – Teatro do SESI-SP
Avenida Paulista, 1313 (em frente à estação Trianon-Masp)
Quando: de 28/03 a 12/07
Sessões: Quinta a sábado, às 20h, e domingo, às 19h
Classificação etária: 14 anos
Duração: 90 minutos
Acessibilidade sempre aos sábados e domingos, com intérprete de Libras e audiodescrição.
Ingressos: Gratuitos. Reservas pelo: www.sesisp.org.br/



