Com músicas de Chico Buarque, “Morte e Vida Severina” estreia em São Paulo
Montagem da Companhia Ensaio Aberto, baseada na obra de João Cabral de Melo Neto, cumpre temporada no Teatro Paulo Autran entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.

A premiada adaptação de “Morte e Vida Severina”, dirigida por Luiz Fernando Lobo e com músicas de Chico Buarque sob direção musical de Itamar Assiere, chega pela primeira vez a São Paulo em temporada no Sesc Pinheiros. O espetáculo estreou no dia 5 de dezembro de 2025 no Teatro Paulo Autran e segue em cartaz até 21 de dezembro, retomando de 8 a 18 de janeiro de 2026, com apresentações de quinta a sábado às 20h e domingos às 18h. A montagem reúne 25 atores, quatro músicos e a força poética do clássico de João Cabral de Melo Neto, ampliada pelas canções que Chico Buarque criou para a obra.
A chegada do espetáculo a São Paulo marca um novo capítulo para uma produção que já percorreu caminhos significativos. Criada pela Companhia Ensaio Aberto, “Morte e Vida Severina” estreou no Castelo de São Jorge, em Lisboa, e consolidou-se como um projeto em diálogo direto com a realidade social contemporânea. A encenação dá voz aos severinos que continuam a atravessar não apenas sertões áridos, mas também as grandes cidades do mundo, onde desigualdades persistem de maneira cada vez mais visível.
O elenco reúne artistas de diferentes trajetórias e gerações, compondo um mosaico humano que reforça a dimensão coral da obra. Gilberto Miranda dá vida a Severino, enquanto Luiz Fernando Lobo interpreta o Mestre Carpina. Anderson Primo, Luciano Veneu e Pedro Fernando assumem as figuras do Irmão das Almas em diferentes momentos, e Carla Muzag integra tanto o Funeral de um Lavrador quanto o grupo das Ciganas, ao lado de Tuca Moraes e de Mariana Pompeu, que também interpreta Nanã e participa da Anunciação. Rossana Russia vive Maria, e Ana Clara Assunção interpreta a Mulher da Janela. O elenco se completa com Bibi Dullens, Eduardo Cardoso, Grégori Eckert, Iris Ferreira, José Guerra, Kyara Zenga, Leonardo Hinckel, Mariana Pompeu, Mateus Pitanga, Matheus França, Mika Makino, Rafael Telles, Thaise Oliveira, Tomás Santa Rosa, Victor Hugo e Victor Seixas, todos contribuindo para a força coletiva que caracteriza a encenação.
Ao revisitar o texto duas décadas após sua primeira montagem, Luiz Fernando Lobo percebe transformações profundas no país e no cenário global. O Brasil chegou a deixar o Mapa da Fome e ocupou posição de destaque na economia mundial, mas, ao mesmo tempo, viu a desigualdade se expandir para além das regiões tradicionalmente afetadas. O que antes parecia circunscrito ao sertão nordestino hoje aparece nas periferias e centros urbanos de Rio de Janeiro, São Paulo, Nova Iorque, Paris e Berlim. Essa mudança reforça a atualidade do poema de João Cabral, que se torna ainda mais universal diante de um número crescente de pessoas vivendo situações semelhantes às do protagonista Severino.
A discussão se conecta também a dados internacionais recentes, que mostram a permanência de uma estrutura global marcada pela concentração de renda. Segundo a Oxfam, o 1% mais rico do planeta concentra quase metade da riqueza mundial, enquanto quase metade da população vive com menos de sete dólares por dia. Em 2024, no encontro do G20, o tema voltou ao centro do debate quando o presidente Lula lançou a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, destacando que milhões continuam subnutridos mesmo em um mundo onde a produção de alimentos é abundante.
Além de seu impacto temático, a montagem destaca-se por sua execução estética. Com cenário de J. C. Serroni, iluminação de Cesar de Ramires e figurinos de Beth Filipecki e Renaldo Machado, o espetáculo constrói uma experiência cênica de forte apelo visual e emocional. Gilberto Miranda interpreta Severino, papel que viveu na temporada portuguesa, e conduz uma narrativa que reforça tanto a dimensão poética quanto a força política da obra. O reconhecimento da crítica se confirmou com três indicações ao Prêmio Shell, incluindo a vitória na categoria Música, e seis indicações ao APTR, com prêmio de Iluminação.
SERVIÇO:
Onde: Sesc Pinheiros – Teatro Paulo Autran
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros – São Paulo
Quando: 5 a 21 de dezembro de 2025 e 8 a 18 de janeiro de 2026
No sábado 17/01 acontecem duas sessões: às 16h e às 20h.
Nos dias 18, 19, 20 e 21/12 e 15, 16, 17 e 18/01 haverá tradução em LIBRAS
Quanto: R$ 21,00 (credencial plena), R$ 35,00 (meia) e R$ 70,00 (inteira) – Venda online pelo aplicativo Credencial Sesc SP ou pelo site https://
Duração: 90 minutos
Classificação Etária Indicativa: Livre



