“O Grande Circo Místico” ergue a lona no Rio de Janeiro

Foto: Leo Aversa - Crédito obrigatório.

Fernando Eiras é o capitão do Circo /FOTO Léo Aversa

32 anos se passaram desde que  “O Grande Circo Místico” levantou a lona pela primeira vez, em Curitiba,  no Balé do Teatro Guaíra. O espetáculo, antes um balé ao som da trilha composta por Edu Lobo e Chico Buarque, ganha nova dramaturgia nas mãos de Newton Moreno e  Alessandro Toller, que revisitaram a obra de Jorge de Lima para ampliar os horizontes do poema que deu origem a peça. Inspirados no universo do melodrama do circo, os autores do roteiro criaram um novo espetáculo em que o picadeiro e a guerra dividem o mesmo palco. A Broadway é Aqui! conversou com o elenco e a equipe criativa de “O Grande Circo Mísitco” para apresentar as novas nuances desse espetáculo. O resultado você confere nas próximas linhas.

O projeto por trás do musical começou há quatro anos, quando Isabel Lobo (Charlote, no musical) filha do compositor Edu Lobo e idealizadora do espetáculo, decidiu levar para o palcos uma obra que até então era exclusiva ao universo da dança.  Quando o balé estreou em 1983, Isabel tinha 5 anos e desde então, as canções fizeram parte de sua vida. Foi a partir da parceria com Maria Siman, produtora cultura e diretora de produção do musical que o “Circo” começou a tomar novas formas.

isabel

Isabel Lobo vive Charlote, vilã do espetáculo “O Grande Circo Místico

“Eu sempre escutei a trilha desse espetáculo que tem muita história. Eu sentia falta de ver uma atriz interpretando a Beatriz, outra dando vida à Lilly Braun. E foi a partir daí que surgiu a ideia de transformar essas canções em teatro musical. Eu acredito que nesse trabalho, os autores (Alessandro Toller e Newton Moreno) tiveram dois desafios: manter a poeticidade do texto, fazendo referência ao poema de Jorge de Lima e também equiparar à poesia das canções de Chico e Edu. Nós tivemos o cuidado de fazer com que as músicas também fosse texto, não apenas uma execução à parte da cena”, conta Isabel Lobo, em entrevista exclusiva ao B!.

Texto amplia horizontes da obra de Jorge Lima

Jorge de Lima foi um prolífico romancista e poeta brasileiro, que viveu no período entre o final de século XIX e a primeira metade do século XX. O escritor foi contemporâneo de vários conflitos, como as revoluções da fase inicial da República no Brasil e as Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Estes embates não ficaram de fora em sua obra, que abraça muitos elementos, como o barroco e o religioso. E foi com base nesse material que Newton Moreno ( do musical “Jacinta” e das comédias “Maria do Caritó” e “As centenárias”) e Alessandro Toller se inspiraram para recriar a história do circo da família Knieps e o amor entre a bailarina Beatriz (Letícia Colin) e o jovem médico Frederico (Gabriel Stauffer).

“Primeiramente, nós fomos pedir a ‘benção’ do Naum Alves de Souza, autor da dramaturgia original. O conselho inicial que ele nos deu foi mergulhar na obra de Jorge de Lima, principalmente no livro “A túnica inconsúltil”, de onde foi extraído o poema “O Grande Circo Místico”, o que já nos deu um norte para trabalhar. Aliado a essa universo, nós colocamos o ‘melodrama do circo’ (alternância entre os elementos de tragédia e comédia no mesmo texto), herdado da opereta, em que há uma tensão entre música e texto, ação e poesia. Outro elemento da obra de Lima que nos ajudou muito foi a preocupação do escritor com a guerra, manifesta em vários poemas dele”, explica Newton Moreno.

guerra

Além de explorar temas poéticos, o musical celebra mais um passo em direção a uma dramaturgia própria, sem se estabelecer por meio da figura de um cantor ou personalidade. “Nós começamos a ver dramaturgos se aventurando nessa nova linguagem que é o teatro musical ao fazerem parte da construção dos espetáculo. Nós aprendemos muito e tivemos novas descobertas no processo de criação do Circo“, comenta Alessandro Toller.

Newton Moreno, Isabel Lobo e Alessandro Toller

Newton Moreno, Isabel Lobo e Alessandro Toller

Acrobacias, canto e dança

Com 17 atores no elenco, todos tiveram que desenvolver alguma habilidade circense para dar vida à seus personagens. A começar por Letícia Colin que fez aulas de tecido para realizar algumas cenas do musical, além de acrobacias. Parte do elenco também toca instrumentos típicos do circo em cena, como os clássicos acordeons. Sob o comando dessa trupe, está Fernando Eiras (“A Noviça Rebelde“, “Ópera do Malandro“) veterano de espetáculos musicais, que interpreta o administrador do circo itinerante Knieps. Integram ainda a trupe Reiner Tenente, como Clown e Ana Baird, como Margareth, a Mulher Barbada. Por trás da lona, o responsável por coordenar concisamente a equipe está o diretor João Fonseca, que engata mais um trabalho em um musical (Fonseca já dirigiu “Gota d’água”, “Tim Maia – Vale Tudo”, “Rock in Rio – O Musical” e mais recentemente “Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz).

Foto: Leo Aversa - Crédito obrigatório.

Letícia Colin vive a bailarina acrobata Beatriz/ FOTO Leo Aversa

“Eu estou muito feliz de estar cantando em cena novamente. Repetindo as palavras de Elis Regina, ‘nada no mundo tem mais graça para mim do que cantar’. Além da oportunidade de colocar a voz à serviço da música, esse espetáculo trouxe uma coisa muito boa para minha carreira – o circo. Nesse musical, especialmente, nós temos atores de muitas vertentes, colaborando com diversas experiências. E o João tem muita autoridade, amor pelo trabalho e traz segurança ao ator. Ele soube estabelecer uma unidade ao nosso grupo”, comenta Fernando Eiras, sobre a oportunidade de trabalhar com João Fonseca.

Outro ator que repete a dose ao lado do diretor e Reiner Tenente. Anteriormente, Reiner esteve ao lado de Fonseca em “Tim Maia – Vale Tudo” e teve que aprender a andar de monociclo para dar vida a Clown, o palhaço do circo. “Existe um princípio dos palhaços de que ele não é construído, como outros personagens no teatro. Você utiliza alguns processos para deixar esse palhaço nascer de um material que é seu, completamento humano. Além de lidar com a elaboração do Clown, em um espaço de 60 dias eu precisei me entender com o monociclo e ainda compreender as canções do Edu e do Chico, que tem um requinte próprio. Musicalmente falando, não são músicas fáceis. Foi um processo árduo, mas muito feliz! Trabalhar novamente com João Fonseca é um grande presente, ele tem uma sabedoria humana que vai além do artístico”, diz Reiner.

Com figurinos de Carol Lobato, cenários de Nello Marrese e coreografia de Tânia Nardini,  “O Grande Circo Místico” ergue sua lona hoje no Theatro Net Rio.

Serviço: 

Onde: Theatro Net Rio – Rua Siqueira Campos, 43 – Piso – Rio de Janeiro/RJ 

Sextas às 21h, Sábados, às 21h30 e domingo às 20h.

Ingressos: 150,00.

 

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7 Respostas para ““O Grande Circo Místico” ergue a lona no Rio de Janeiro

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