Raul Veiga: ator por ironia do destino

MQVDEmkxSAaCv1xvVWoe_IMG_2132_tonPara algumas pessoas, o desejo de atuar chega bem cedo, algumas vezes antes mesmo da juventude. Já no caso de outras, a arte da atuação chega mais tarde, como um “acidente de percurso”. Raul Veiga é um desses “acidentes” que deram certo. Embora jovem, com uma carreira ainda bem recente, o ator já participou de duas produções de Charles Möeller e Claudio Botelho ( “7” – O musical, e “Beatles Num Céu de Diamantes”), produziu o seu próprio “Stand Up Musical” e revive agora Frank Sinatra, no espetáculo “My Way”, com roteiro dele mesmo, que reestreia no Rio de Janeiro, amanhã, dia 9.

O interesse pelas artes começou cedo na vida de Raul. Estudante da Escola Americana do Rio de Janeiro, desde bem jovem ele se envolvia com a música no programa de atividades extracurriculares da instituição, tocando trombone na banda do colégio e cantando. Aprendeu também o violino e a ainda garoto, teve contato com o mundo dos musicais na Broadway, quando sua mãe o levou em uma viagem à Nova York, onde assistiu aos clássicos como “The Phantom of The Opera” e “Cats”. Mais tarde, ele receberia de presente de um primo um álbum com a trilha sonora dos felinos de Andrew Lloyd Webber.

Após finalizar o ensino médio, Raul iniciou os estudos em Administração, entre 1998 e 2003. “Nunca foi minha pretensão ser ator, eu queria ser engenheiro eletrônico da Nasa quando criança. O tempo passou e eu não estava feliz estudando e trabalhando com Administração. Daí eu fiz uma oficina de teatro, gostei e resolvi me profissionalizar. Tudo foi muito rápido. Se eu soubesse que eu iria me divertir tanto, eu teria começado mais cedo”, relembra o ator.

Início de carreira
Mas essa não foi a única reviravolta na vida de Raul. Ele, que antes nunca havia se imaginado sendo ator, pensava menos ainda que faria sucesso no teatro musical. Foi após fazer uma oficina no centro de estudo de canto Voz Plena, de Léo Lodi, no Rio de Janeiro, que apareceram as primeiras oportunidades dentro do gênero. Enquanto estudava, recebeu um convite para participar de uma audição para o musical “7”, de Möeller e Botelho, e depois de passar no teste, Raul deu origem ao papel de Herculano, amado de Amélia, vivida por Alessandra Maestrini, que a trocou por Bianca, interpretada por Alessandra Verney.

Raul Veiga como Herculano em "7 - O Musical", ao lado de Alessandra Verney
Raul Veiga como Herculano em “7 – O Musical”, ao lado de Alessandra Verney Crédito: Raul Veiga.com.br

“Eu considero “7” um grande marco do teatro musical brasileiro, porque é uma obra totalmente autoral. Eu acho que o Charles Möeller e o Claudio Botelho deveriam fazer mais produções como essa” diz Raul.

Logo após o fim da primeira temporada, Raul foi convidado para fazer parte de outro espetáculo da dupla: Beatles Num Céu de Diamantes. O projeto surgiu como uma pequena produção no intervalo entre outras duas mas a repercussão foi tamanha, que o elenco se apresentou em turnê pelo Brasil, abriu o Festival de Teatro de Curitiba e foi exibido até na França.

Raul Veiga em "Beatles Num Céu de Diamantes"
Raul Veiga em “Beatles Num Céu de Diamantes”

Meio ator, meio produtor, meio empresário
timthumb (1)Nem só de espetáculo prontos vive Raul. Ele mesmo já produziu seu próprio “Stand Up Musical”, um show que combinava teatro musical com a comédia em pé, relatando detalhes da vida da sua vida como ator, exibido no Teatro Leblon e que teve com consultor artístico o próprio Claudio Botelho. “O Stand Up era um sonho meu e surgiu com o boom do gênero no Brasil. Contava um pouco da minha vida fantasiada tentando ser engraçado, mas na verdade eu acho que era mais bem cantado do que cômico. Eu tenho vontade de um dia voltar a fazê-lo, mas também é um espetáculo muito restrito, por conta do seu repertório de canções, muitas conhecidas apenas por fãs de musicais, relata o ator.

Por conta do Stand Up, Raul teve que abrir sua própria produtora, a Radial Produções. Segundo ele, o seu passado em Administração ajudou muito nesta questão, de saber como dirigir a própria carreira e outros projetos, estando no controle de tudo ao invés de entregar a operação nas mãos de um empresário. Raul coordena o seu próprio site e redes sociais, além dos canais na web dos espetáculos que produz, como “Sinatra – My Way”, chegando a interagir com mais de 20 mil seguidores no Twitter.

“Estando o mercado aquecido ou não, a pessoa tem que se aprimorar, tem que estudar, tem saber dançar, saber atuar. É uma área muito difícil ainda, porque mesmo fazendo sucesso, quando acaba a temporada ou o patrocínio, você está desempregado e você vai ter que fazer um outro teste e tudo isso é muito incerto. Por isso que eu acho importante saber se vender. Conheci gente que ficou seis anos sem conseguir nada, daí começaram a surgir oportunidades e agora a pessoa está cheia de convites”, constata o ator

Sinatra, do meu jeito
Após trabalhar durante um tempo na Casa de Cultura Julieta da Serpa, um elegante espaço artístico localizado na praia do Flamengo, Raul recebeu do diretor do local, Carlos Alberto Serpa, a sugestão de produzir um espetáculo sobre o cantor Frank Sinatra. “Eu me senti em casa porque na escola eu cantava Frank Sinatra. Eu me lembro das pessoas dizendo que eu consegui soar razoalvemente como ele. E ao mesmo tempo eu me senti desesperado, porque embora eu conhecesse suas músicas, sabia pouco sobre sua história”, diz Raul.

O ator usou com fonte de pesquisa e referência a bioagrafia de Frank Sinatra, “The Voice” escrita por James Kaplan e contou também com a ajuda do diretor da peça, Rubens Lima Júnior, que coleciona tudo sobre o cantor norte-americano, desde de discos e filmes a recortes de jornais. Quando Raul pensou no roteiro, preferiu desenvolver uma linha narrativa não biográfica, onde o foco fosse as músicas. Toda ação se passa em um night club, onde são interpretados clássicos “Fly me to the moon”, “Strangers in the night”, “Night and Day” e “New York, New York”.

Momentos da vida do cantor são revividos ali, sua paixão pelas mulheres, vividas por Sabrina Miragaia e Larissa Landim, a amizade com Tom Jobim, interpretado por Rodrigo Morura,a queda depois do relacionamento com Ava Gardner e o grande retorno, após Sinatra ganhar um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pela sua atuação no filme “A um passo da eternidade”.

“O processo de Sinatra me mudou muito como pessoa, eu aprendi muito com ele. Eu quis fugir desse padrão estético de homenagem, ao montar o espetáculo eu quis trazer o espírito do cantor para o palco, não pretendia fazer uma imitação, não há meios de copiar o trabalho dele. Daí o nome do musical ser “My Way”, o meu jeito de interpretar Frank Sinatra. Eu me divirto muito fazendo o espetáculo, eu puxo moças da plateia para dançar, distribuo rosas…”

O musical, que estreou no ano passado abrindo o clube Paris Show e foi apresentado em uma versão mais enxuta no Copacabana Palace ganha uma nova temporada de quarta a domingo na Casa de Cultura Julieta da Serpa, depois do tradicional chá da casa. “Temos planos de levar o espetáculo para o teatro e uma de nossas preocupações será recriar o night club no local onde o musical for exibido para não perder o clima intimista da peça”, diz Raul.

Novos trabalhos
Paralelo aos trabalho no teatro musical, Raul fez diversas passagens pela TV e agora se prepara para um novo desafio na novela “Salve Jorge”, da Rede Globo. O ator fará uma série de participações apresentando o baile da Estudantina até o final do folhetim de Glória Perez. “Em cena eu já tive muita oportunidade de amadurecimento, de aprender. Se me pedem para fazer uma cena de teatro musical eu me sinto mais seguro do que atuando para a câmera. Mas são desafios, eu acho que você não pode ser limitado a coisa só. Tudo o que eu tenho conseguido é graças ao teatro musical”, constata.

Um dos desejos que o ator tem vontade de colocar novamente em prática é dar aulas de teatro, desenvolvendo seus próprios workshops baseado em duas técnicas de interpretação, uma de origem russa e outra norte-americana. Outro segredo que pode deixar os fãs do ator e de teatro musical mais animados é guardado a sete chaves por Raul: “Eu fiquei muito feliz com o convite para fazer um personagem que tem tudo a ver comigo, numa grande produção em 2014. O musical ainda está em cartaz no West End e fez muito sucesso na Broadway. É só o que eu posso dizer até o momento!”.

SERVIÇO:
Reestréia dia 9 de março

De QUARTA a DOMINGO às 16:00hrs (curtíssima temporada)

Valor Chá + Musical: R$100 (+10%)
Local: Praia do Flamengo 340
Reservas: (21) 2551-1278

Acesse o site do musical: http://www.sinatramywaymusical.com

Conheça mais sobre a carreira de Raul Veiga: www.raulveiga.com

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2 comentários em “Raul Veiga: ator por ironia do destino

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