Drácula, L’Amour Plus Fort Que la Mort”- Uma viagem à cena musical francesa

Hoje eu estreio a sessão internacional do A Broadway é Aqui! com um espetáculo que está em turnê na França e tem arrebatado um grande público para assistir a um dos personagens mais sombrios da literatura: Drácula. O musical “Dracula, L’ Amour Plus For Que La Mort (Drácula, o Amor mais forte que a Morte) estreou em 30 de setembro de 2011 no Palais des Sports (Palácio dos Esportes), o maior palco dos musicais na França. O espetáculo é dirigido por Kamel Ouali, hoje, o maior nome dos teatro musical francês, com status semelhante ao que a dupla Möeller e Botelho tem aqui no Brasil. 

Bom, vamos ver um clipe para conhecer o espetáculo. A canção é a minha predileta do show, Éteint la Lumière. (“Desligue a luz”, de Axel  Bauer, cantor francês)

Pela música, já deu para perceber que o espetáculo tem um apelo bem jovem. Essa é umas características dos musicais de Ouali, que já levou para o palco as história do Rei Sol, Luís XIV, (Le Roi Soleil) e de Cleópatra (Cléopâtre, La Derniére Reine d’Égypte). É preciso fazer algumas explicações daqui para a frente. O musical é baseado no conto de Bram Stocker e na versão cinematográfica assinada por Francis Coppola. Drácula é interpretado por Golan Yosef um exímio dançarino. E porque a escolha de um profissional da dança para dar vida ao vampiro?. Simples, nesta versão Drácula ficou mudo após a morte de sua mulher, Elizabeth, em 1462. O único método usado por ele para expressar suas emoções é a dança.

Entre as criaturas que habitam o castelo do vampiro, há três seres especiais, que funcionam no espetáculo como a “voz” de Drácula, executando grande parte dos números músicais.O primeiro é Sorci, (Gregory Deck) uma figura andrógina e cáustica que representa a alma do vampiro. Poison, (Lola Ces) é o segundo elemento, uma mulher de aspecto infantil, servindo de representação da emoção de Drácula. Fechando o trio está a intrigante e sexy Satine, (Ginie Line) a consciência do protagonista.

Sorci (Gregory Deck), Poison, (Lola Ces) e Satine (Ginie Line)
Jonathan Harker (Julien Loko), Mina Murray (Nathalie Fauquette) e Golan Yosef (Drácula)

Séculos mais tarde, em Londres o jovem advogado Jonathan Harker (Julien Loko) descobre que precisa ir a Transilvânia resolver um problemas para um tal Conde Drácula. Harker deixa sua noiva, a bela Mina (interpretada pela ex-ginasta Nathalie Fauquette) e vai visitar o nobre em suas terras. A moça fica acompanhada de sua melhor amiga Lucie (Anais Delva), felicíssima pelo futuro casamento com o rico Dr. Seward (Laurent Levy).  No castelo do conde, o estado mental de Jonathan se deteriora, à medida que conhece o trio sombrio que habita o lugar e as estranhezas do vampiro. O jovem envia uma carta à Mina, que vai a Transilvânia trazê-lo de volta. Por um descuido, Drácula descobre um retrato de Mina e fica intrigado com a semelhança da jovem com sua falecida esposa.

Lucie Wenstera (Anais Delva)

Ao perceber que Mina só tem olhos para o seu noivo, Drácula fica furioso e, para se vingar, transforma a  sua melhor amiga em uma vampira, contrariando a decisão de Sorci, Poison e Satine. Assustados com os últimos acontecimentos, Dr Seward, Mina e Jonathan decidem chamar o Dr. Van Helsing (Aymeric Ribot), famoso pelo seu conhecimento do mundo sobrenatural.  Ele diz que não se pode fazer mais nada por Lucie, a não ser enterrá-la. Fim do primeiro ato.

A segunda parte do show começa com um problema inacabado. Apesar de enterrada, Lucie não está morta, devido ao seu estado vampírico. O único meio usado por Van Helsing para eliminar a ameaça que a jovem se tornou é lança-la no fogo. Este triste fim abala muito Mina. Enquanto isso, Drácula planeja se aproximar cada vez mais da jovem, invadindo seus sonhos. Neste momentos do show, os números de dança entre Mina e Drácula são fascinantes e cheios de paixão, marca registrada de Ouali. Jonathan descobre que o vampiro tem atraído sua noiva e que o sentimentos entre ambos começam a se tornar recíprocos.

Anjo (Florent Torres)

Para dar um fim o perigo que caiu sobre todos,  Jonathan, Dr Seward, Mina e Dr. Van Helsing retornam à Transilvânia com o propósito de eliminar Drácula.  Mina é visitada por um anjo (Florent Torres), explicando porque Drácula a ama. No final da história, a moça encrava a uma estaca no coração de Drácula, encerrando o estranho caso de amor dos dois.

Agora que todos estão a par da história, vamos analisar um pouco o espetáculo. A primeira vista é estranho um protagonista de um musical que não canta. Quando eu ouvi a trilha sonora pela primeira vez fiquei intrigado porque não ouvi a voz do vampiro, até descobrir o motivo. Em segundo, apesar do banquete visual que Ouali nos proporciona em todos os espetáculos que produz (os cenários de Drácula são incríveis, o figurino e a coreografia são impecáveis), a história nos parece previsível.

O musical recebeu críticas bem diversas. A revista francesa  Le Point elogiou a escolha de Ouali ao decidir que o protagonista não cantaria, usando elementos como o trio ou um narrador também presente no show para dar voz ao vampiro. O jornalista e co-editor Stéphane Ly-Cuong, do site Regardencoulisse.com, apontou que o “talento de Golan Yosef e Nathalie Fauquette parece minguar diante do dilúvio de recursos e pessoal“. Realmente, em comparação com todos os espetáculos anteriores de Ouali, este foi o que mais abusou dos recursos, como projeções, deixando em segundo plano o texto. Ly-Coung diz ainda que o excelente trabalho de luzes e coreografia não melhora o aspecto dramático do espetáculo, sem trazer surpresas especiais, apenas mudanças estéticas do universo erótico e gótico. Contudo, neste ano o show recebeu o Globo de Cristal de Melhor Musical (uma premiação da imprensa francesa ligada à artes e cultura).

Dr. Van Helsing (Aymeric Ribot)

Apesar de não ter agradado muito a crítica francesa, Drácula, L’Amour Plus Fort Que la Mort tem atraído multidões, principalmente jovens para assistir ao show. Prova disso é a turnê do musical, que já passou pela Bélgica e que, neste mês, será apresentado nos cinemas de Paris, a partir do dia 20. Na minha opinião de reles mortal observador, o musical tem seus méritos. O trio de Lola Ces, Ginie Line (já conhecidas nos palcos da França) e Gregory Deck são um recurso bem interessante. A coreografia não há palavras para definir como é bela. Eu também gostei do visual escolhido para o Dr. Van Helsin, algo lembrando aqueles cantores de heavy metal, com cabelos longos e escuros. Julien Loko tem uma voz muito interessante, o rapaz canta muito bem. Os clipes criados para divulgar os musical também ficaram muito interessantes. 

Outros pontos são meio decepcionantes como a história previsível, o excesso de ritmos como pop e rock na trilha sonora. Alguns personagens parecem que foram jogados no contexto, como o anjo. A canção tema do espetáculo “L’Amour plu fort que la mort” me pareceu fraca perante as outras. Acho que o forte desse musical mesmo é o visual as músicas de “balada”. Foi essa a impressão que eu tive quando ouvi o álbum. Quem já acompanha musicais estrangeiros há algum tempo como eu pode perceber que há algo mudando na França neste sentido. Parece que querem “rejuvenescer” as plateias, apelando para ritmos e atrativos muito fortes, mas deixando de lado aspectos importantes da teatralidade. Deixo vocês com vocês com os clipes de divulgação de “Encore”, canção interpretada por Julien Loko. Mais fotos, vídeos e informações no site oficial do musical.

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2 comentários em “Drácula, L’Amour Plus Fort Que la Mort”- Uma viagem à cena musical francesa

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